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Cosmogonias e a Astrologia Tradicional

Por cerca de quatro milênios, Astrologia e Astronomia eram uma única Arte, com o papel de compreender o papel do Homem e da Humanidade através da elaboração de uma Cosmogonia coerente. O papel de uma Cosmogonia é restabelecer a ligação com a Criação (ou com o divino).

No século XVII, com o surgimento da Física mecanicista, coube à Astronomia buscar a origem do Universo sem se preocupar com o seu significado. Este papel continua cabendo à Astrologia.

Surgida entre os sumérios e, posteriormente desenvolvendo-se para a Babilônia, Egito, Grécia e Índia, em momento algum se tornou uma religião. Os povos árabes e os hindus, até nosso dia, tem uma forte consciência religiosa e até poderiam ter transformado a Arte da interpretação dos sinais dos deuses em religião. Contudo, os principais tratados astrológicos árabes e hindus começam pedindo licença ao seu deus ou patrono, e não ao Sol, Lua, planetas ou astros.

E isso ocorre porque a compreensão que detinham é que a Astrologia fazia parte da religião e não o contrário.

Quando a Ciência transformou o Universo num mecanismo, os astrólogos se sentiram na obrigação de fazer o mesmo para justificar o seu trabalho. E desde então, astrólogos tentam de várias maneiras incorporar princípios estranhos à Arte de modo a lhe dar o status de ciência.

De fato, bastou a Astrologia entrar na Europa, em torno do século XI, para perder o seu sentido e identidade. A Astrologia Medieval, embora baseada na Tradição Astrológica, por não compreender os fundamentos filosóficos, promoveu a primeira pasteurização da Arte, suprimindo inclusive conceitos de base. E justamente por não compreenderem o que é a Astrologia de fato, a Astrologia Ocidental lida hoje com várias “astrologias” que nada tem em comum umas com as outras além de empregarem os mesmos astros.

Ou seja, a Tradição se perdeu. A Tradição que esteve na mão de sacerdotes com o propósito de zelar por sua correta transmissão. E porque eram justamente os sacerdotes? Porque a Astrologia sempre foi um poderoso instrumento de acesso às esferas superiores do Universo, seja através da compreensão de si mesmo (e da consequente purificação) como também como agente de transformação criativa (magia?).

Não foi por acaso que no século XVIII e XIX a Astrologia se desenvolveu mais fortemente nos círculos ocultistas e que, mais tarde, no século seguinte, organizações como a AFA surgiram para remover o ocultismo da Astrologia. Ao fazerem isso, removeram o que ainda restava da filosofia que norteia os seus princípios.

A Humanidade caminha num mar de incertezas e de aparências. Os indivíduos vivem um verniz do que realmente poderiam ser, porque perderam o acesso à sua essência e, por consequência, acesso às camadas superiores da consciência. Sem elas, é impossível ter acesso ao divino e se conectar com os planos divinos (desejo último de cada um de nós). A Astrologia sempre foi este caminho, na medida em que interpretava a linguagem dos deuses e suas mensagens.

No entanto, a Astrologia Tradicional que é ensinada no Ocidente tornou-se um conjunto de doutrinas, métodos e técnicas. Pouco tempo é dedicado á filosofia que subjaz em seus fundamentos. O resultado final é um conhecimento frio e de difícil aprendizado. Como qualquer Arte, deve ser experimentada de dentro para fora, a partir do coração, antes de ser assimilada pela mente.

A Astrologia não depende da Ciência. É um saber que, atualmente, encontra-se acessível a partir de várias fontes e origens. Não se limita a indicar quando você terá uma promoção em seu trabalho ou uma doença súbita, mas também, o caminho que você deverá percorrer se quiser ascender às esferas mais elevadas da consciência, além do mundo da substância e da matéria. Algumas linhas iniciáticas chamam de reintegração.

Quem eu sou? De onde vim? Para onde vou? É para isso que servem as Cosmogonias.

Como eu vou? A Astrologia Tradicional permite que você obtenha esta resposta.

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O Eclipse de 20/05/2012

Os eclipses são os grandes marcadores de tempo, especialmente porque envolvem as duas Luzes do céu.

Os eclipses são ocultações de uma das Luzes pela outra. Assim, um eclipse solar ocorre quando a Lua se encontra entre a Terra e o Sol, por ocasião da Lua Nova. num eclipse lunar, é a Terra que se encontra entre as Luzes e faz sombra sobre a Lua, ocorrendo na Lua Cheia.  Os eclipses solares são mais importantes, uma vez que é o Sol que fica encoberto pela Lua.

Os eclipses ocorrem sempre numa distância de até 8,5º dos Nodos Lunares. Portanto, os eclipses que ocorrem junto ao Nodo Norte ou Cabeça do Dragão tem uma ação diferente daqueles que ocorrem junto ao Nodo Sul ou Cauda do Dragão.

Conforme a sua ocultação, os eclipses podem ser totais, parciais ou anulares. Segundo Ptolomeu e Bonatti, os eclipses são mais importantes nas regiões em que são visíveis e a duração de seus efeitos é proporcional ao tempo de ocultação:

De Tetrabiblos, Livro II, capítulo 6: DA DATA DOS ACONTECIMENTOS PREDITOS
O segundo e cronológico título, pelo qual devemos descobrir as datas dos acontecimentos significados e a sua duração, será considerado como se segue. Na medida em que os eclipses que têm lugar na mesma data mas não duram o mesmo numero de horas ordinárias em todas as localidades, e como os mesmos eclipses solares não têm em todos os lugares o mesmo grau de obscurecimento, ou o mesmo tempo de duração, determinaremos primeiro a hora do eclipse, em cada uma das localidades mencionadas e, para a altitude do polo, centros, tal como numa natividade; em segundo lugar, quantas horas equinociais dura obscurecimento do eclipse em cada uma.
Pois, quando se examinam estes dados, se for um eclipse solar, compreendemos que o acontecimento predito durará tantos anos quantas as horas equinociais que determinarmos e, se for um eclipse lunar, tantos meses.
 
Sete Segmentos de Cardan, aforismos relativos aos eclipses:
11. Um eclipse da Lua prolonga os seus efeitos pelo mesmo número de meses que a sua duração em horas, e o do Sol pelo mesmo número de anos.
12. Um eclipse tem um efeito triplo, primeiro poderoso devido à conjunção ou oposição durante a qual acontece; segundo geral, porque arrefece lentamente e, por isso, se prolonga por muito tempo. Terceiro o poder que recebe do regente do lugar em que acontece e de outras posições desse momento.

Características

O eclipse de 20/05/2012 ocorre em 00º 20′ de Gêmeos, em conjunção com a estrela Alcyone. Em seu máximo, o Sol alcançará uma altura de 60º, considerada forte. O tempo de contato dos Luminares é de cerca de 3,55 horas, perfazendo uma ação de 3 anos e 7 meses a partir desta data. Seu efeito é catabólico, ou seja, de liberar energia (os antigos diriam que tem um poder destrutivo, particularmente pelo Signo Zodiacal em que ocorre).

Os eclipses são agrupados em séries, de acordo com a sua geometria (ângulo de incidência em relação à Terra). Este eclipse pertence à Série de Saros 128, iniciada em 29/08/984 e que se encerra em 22/11/2282, ou seja, depois de 1298 anos.

Este eclipse estará visível numa larga região da Ásia, como indicado na imagem obtida do site de Fred Espenak. Nele, há todas as informações necessárias à avaliação do eclipse, antes de sua interpretação astrológica.

Algumas idéias

Pesquisando os eventos associados aos mais recentes eclipses da Série de Saros 128, nota-se que há uma pequena ênfase na busca da paz e da conciliação, bem como, uma tendência ao desenvolvimento artístico, com o surgimento de movimentos culturais ou novas escolas de pensamento. O fato de ocorrer no Nodo Sul indica uma disseminação de ideias que levam na direção do entendimento e da concórdia.

Acima, o mapa do eclipse, obtido para o local e hora de máxima ocultação. Note que Júpiter e Mercúrio (regente do Asc e do Eclipse) se encontram no Meio-Céu, reforçando a noção de diálogo entre nações estrangeiras. Ainda, a oposição entre Marte e Netuno é um convite para buscar soluções para os conflitos de longa data (brigas intestinas). Estes últimos astros formam um T-Square com os Luminares.

Com a estrela Alcyone associada ao Sol e à Lua e, especialmente se culminando, representa as principais autoridades militares de um país ou nação.  Alcyone faz parte das Pleiades, na constelação de Touro e, de um modo geral, não é um bom presságio. Alcyone é a mais brilhante dentre elas e é associada honra e glória, se em boas condições.

Entretanto, gostaria de ir mais além. Este é um eclipse antigo dentro da Série de Saros. Embora astrologicamente não existam muitas indicações de associação com os militares, algumas invasões recentes começaram logo após eclipses desta série, para ao final, chegar-se a acordos de paz complexos e, inicialmente, considerados absolutamente improváveis.

Teremos mais alguns anos de eclipses ocorrendo no eixo Gêmeos e Sagitário, tradicionalmente ligado á informação, mas também, aos ventos da mudança. Este eclipse percorre uma região que recentemente vem sendo assolada por catástrofes naturais (terremotos e tsunamis) e forçando seus moradores e deixarem para trás divergências sociais, culturais ou religiosas em razão do enorme número de perdas humanas. E, por isso mesmo, encaminhando-as ao exercício da solidariedade. Este diálogo pode ser claramente notado na configuração da oposição entre Marte e Netuno quadrando ao Eclipse.

Há também a ideia de perda de colheitas em razão da estiagem ou falta de chuvas nas regiões de visibilidade do eclipse. Esta configuração sugere seca e sementes que não vingam ou ainda, são comidas pelas aves. Num dos mitos associados às Pleiades, como constelação de Inverno (Hemisfério Norte), são associadas à agricultura.

Mas para quem gosta e curte as questões associadas às possibilidades de elevação da consciência que se abrem a partir de um eclipse, este trata de buscar o conhecimento dentro de si e não fora, antes de ir ao encontro dos mistérios divinos ou do Universo. Gêmeos é o signo das colunas do Templo de Salomão. Júpiter e Mercúrio, em Touro, preconizam a sobrevivência ou a manutenção de valores morais, éticos ou filosóficos simples e práticos, ligados ao cotidiano ou à própria Natureza, antes que a Terra se aqueça acima de suas próprias possibilidades e as marés se elevem (Marte em oposição a Netuno, Virgem/Peixes).

Entretanto, prefiro ver de que há um trabalho a ser feito antes de se alcançar o conhecimento dos céus. E este trabalho passa pelo aperfeiçoamento pessoal e pela responsabilidade que temos uns com os outros enquanto seres deste planeta. Responsabilidade esta que inclui todos os seres vivos, animais, plantas e tudo o que forma esta jóia do Sistema Solar que conhecemos como planeta Terra.

 

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O Visível e o Invisível

Visível: uma linda e maravilhosa conjunção entre a Lua e Vênus, um presente para nossas tardes. E à medida que a Lua se põe, é Saturno que nasce no horizonte oriental. Por volta das 19:30 horas, encontram-se ainda visíveis Júpiter, próximo da Lua e Vênus, todos em Touro. Marte se encontra na direção NE, um pouco mais elevado.

Não visível: Sol e Mercúrio retrógrado, bem como os geracionais Urano e Netuno.

Os antigos diziam que os astros visíveis tem mais poder e ação que aqueles que se encontram abaixo do horizonte. às 19:30 horas, o Sol se encontra na Casa VI, abaixo do horizonte e não pode ser visto. Para os nossos antepassados, antes da chegada da luz artificial, as horas noturnas eram um período de medo e não apenas de escuridão. Alguns povos contavam o tempo apenas de dia. As horas planetárias ainda são contadas do nascer ao por do Sol.

É possível estender esta visão de Ptolomeu, Al Biruni, Abu Mas’har e tantos outros também para os eclipses. Bonatti afirma, seguindo Ptolomeu e Vetius Valens, que a ação de um eclipse se dá apenas nas localidades cobertas por sua sombra.

Naqueles tempos, a Astrologia e a Astronomia eram uma mesma Arte e era feita olhando para o céu. Quando fitamos o céu e esquadrinhamos o horizonte, ganhamos dimensão e expandimos as nossas possibilidades e oportunidades. Geralmente, o fazemos no céu noturno, quando há mais para ser visto, especialmente as estrelas e os planetas que caminham entre elas. Mesmo que resida numa grande metrópole, experimente olhar para o céu.

O ser humanos se adensou. Suas reflexões, filosofia e religiões o tornaram auto-consciente. Ou seja, ao olhar para dentro de si mesmo, se deu conta do tamanho do Universo, bem como, de outras realidades não tão lógicas e óbvias. Em outras palavras, além da própria visão. E é sob este prisma que os astros não visíveis devem ser encarados.

Seria absolutamente impróprio afirmar que uma pessoa nascida com as configurações acima não tenha luz. No entanto, esta brilha dentro, para si, em seu interior. Há uma forte tendência a não dar valor aos seus próprios desejos e necessidades, conquanto seja muito mais fácil lidar com os significados e promessas dos astros que se encontram acima do horizonte, uma vez que se encontram visíveis.

Lidamos mais facilmente com o que vemos do que com o que não vemos. Porém, não vemos o ar – embora ninguém discuta a sua inexistência. Há tantas coisas que não vemos… Uma dor só é “visível”  para quem a sente. O mesmo se dá com as angústias e os medos. Ou a confiança e a fé.

Abaixo do horizonte estão aqueles conteúdos que operam a partir do íntimo e que não costumam se manifestar na superfície. Um indivíduo com muitos planetas abaixo do horizonte tem uma vida interior rica, mas pode encontrar problemas para “acontecer” no mundo. O ideal é sempre um equilíbrio, um balanço entre os astros acima e abaixo do horizonte.

Porém, não tenha dúvidas que os astros que você vê são justamente aqueles que lhe causarão um maior impacto, responsáveis por deixar a sua marca no mundo e entre os seus pares.

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O oceano mágico de Peixes

Peixes é o signo zodiacal do caos e da dissolução. É o signo onde se forma uma espécie de “sopa cósmica” que leva ao sentimento de nada e tudo, simultaneamente. Ao mesmo tempo que trata de finalizações, é também a fonte da vida. O Peixe é o símbolo da fertilidade; a vida como a conhecemos veio dos oceanos.

Uma lunação em Peixes sempre coloca em andamento uma vibração de deixar ir o que deve ir, suavemente, lentamente, deixando escorrer pelo ralo. Para que desta mesma fonte, um tempo depois (quando o Sol surgir em Áries), a vida possa ressurgir em toda a sua força e vigor. No Hemisfério Norte, corresponderá à Primavera. Mas enquanto isso, em tempos de Peixes, é bom deixar o barco correr.

Netuno e Mercúrio se encontram também neste signo. Assim, os aspectos místicos, criativos e inspiradores que lhe são próprios tem espaço para fluir. Mercúrio é o astro que conecta a mente ao Divino; já Netuno, o faz através da imaginação e do inconsciente, é sem palavras, fala através dos sonhos e das viagens na maionese

Veja um artigo apenas sobre Netuno em Peixes.

As estrelas mais importantes com longitude no signo de Peixes são: Fomalhaut, Achernar e Markab. A primeira é da constelação de Peixes Austrinus. Segundo os persas, é um dos quatro Guardiões do Céu, correspondendo ao Arcanjo Gabriel. Ptolomeu indicou que é da natureza de Vênus e Mercúrio, sendo considerada uma estrela poderosa associada à fama e que estimula a mente, as ciências e o misticismo. Achernar pertence à constelação do Erídano e é a única que não tem a associação com Saturno (Achernar é da natureza de Júpiter). Localizada ao final do rio, promete felicidade e sucesso através nos assuntos religiosos e todos aqueles que envolvam crenças ou pensamentos filosóficos. É uma estrela de ajuste e correção moral, que conduz à integridade. E Markab, na asa de Pegasus, pode ser perigosa se mal associada; mas de uma perspectiva mais ampliada, permite elevação espiritual através de empenho e luta, proporcionando a habilidade de perceber situações, oportunidades e circunstâncias que se encontram fora da visão comum.

Sugestões

Neste período, liberte-se de compromissos e encargos que não lhe cabem. Aprenda a delegar responsabilidades e deixe que os outros façam coisas por você. Preserve a qualidade de seu sono e, se possível, faça uma meditação, oração ou prece antes de dormir, pedindo inspiração e luz para a noite e o dia seguinte. Resolva todas as pendências imediatas para abrir espaço em sua vida. Desocupe-se, despreocupe-se. Inclua música e/ou dança em seu dia.

Encontre um ponto de equilíbrio entre você e o Universo através de suas próprias crenças. Exercite a sua fé e devoção. Acredite que você poderá muito mais se estiver conectado ao Todo. Não tenha vergonha ou constrangimento de pedir, sem ser individualista. Quanto mais pessoas se beneficiarem de seu pedido, mais chance há de ser atendido(a). Lembre-se que Júpiter, o regente natural deste signo, sempre concede prosperidade e abundância. E Vênus se exalta proporcionando bem estar.

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Sentir ou viver no mundo real?

Previsão ou predição? Há uma diferença conceitual em ambos os vocábulos. Prever é “ver antes ou mais longe”. Embora predição tenha essencialmente o mesmo significado, implica em verbalizar um vaticínio. Em ambos os casos, visa descrever um evento ou acontecimento futuro.

Conquanto que os indivíduos não consigam se manter no presente (um enorme desafio!!!) oscilam a sua atenção ou consciência entre o passado e o futuro. Como o passado já é conhecido, buscam descortinar o futuro, o amanhã, independente de quão longe ou perto possa estar. Informação: saber é poder. Em todas as esferas da vida e em todos os campos da atividade humana, inúmeros métodos foram desenvolvidos ao longo dos tempos para predizer o futuro.

A meteorologia prevê para evitar catástrofes ou até para fornecer subsídios para a elaboração de eventos. A economia prevê o desempenho industrial baseada em curvas e índices complexamente metafísicos. Predizer é, portanto, o ato de verbalizar a ocorrência de um evento no tempo e no espaço. Porém, na vida pessoal, poderá parecer curiosidade, pois, “o futuro a Deus pertence…” ou “somos nós que escrevemos o nosso destino…”.

Os astrólogos da Antiguidade prescrutavam o céu para entender as mensagens dos deuses deixadas através da linguagem dos planetas, estrelas e cometas. Cada configuração traz sempre um significado (ou presságio). Há um sincronismo hermético entre os acontecimentos no céu e aqueles que acontecem em nosso mundo. Você pode estar rindo desta afirmação, ao mesmo tempo que postula a sincronicidade junguiana.

Uma abstração mecanicista poderia entender todos os movimentos de nossa galáxia (apenas para limitar um campo ou espaço) operam como as rodas de um enorme relógio, com contagens que variam de bilhões de anos a alguns segundos. Que parte das estruturas complexas de quasares e estrelas, até a molécula de DNA. A respeito desta última, sabe-se que possui uma memória topológica, que governa o crescimento do embrião, enviando sinais para que num dado momento ocorra uma especialização e um órgão ou sistema se forme.

O DNA possui uma série de condicionantes, como a hereditariedade e os fatores ambientais. Mas também se encontra inserida num mecanismo mais complexo de relojoaria que é o Sistema Solar e, numa escala além de nossa compreensão, de nossa Galáxia.

Sob a perspectiva astrológica, predizer é compreender as harmônicas existentes numa determinada combinação celeste. Trata-se de estabelecer relações e paralelos com eventos conhecidos para encontrar a direção para onde converge esta ou aquela vida. Os astrólogos da antiguidade não perguntavam ao seu consulente “como se sente nesta situação?”… Eles afirmavam que haveria guerra, que a colheita seria abundante, que um deveria se casar com o outro e ter muitos filhos. Ou ainda, que A ou B não eram de confiança…

Não acredito no valor e importância de uma predição (ou previsão) que diga ao consulente que eles se sentirá triste numa dada época se não incluir as razões concretas para tal. Vivemos num mundo material e é a partir dele que podemos crescer e nos aperfeiçoar. Portanto, uma predição que parta de  premissas astrológicas e referências celestes, mesmo que não tente mais entender os deuses por meio delas, tem a obrigação de informar questões eminentemente práticas do tipo:

  • Cuidado! Acidente, corte no dedo!
  • Cuidado! Risco de assalto! Proteja a sua casa…
  • Curta! Compre uma roupa nova e alegre!
  • Aproveite para estar com seus familiares e colocar as conversas em dia.
  • Reveja os seus amigos!
  • Peça um aumento ao chefe…

Informação é poder e os métodos astrológicos para este fim permitem uma avaliação interessante e ampliada, desde que se empregue as técnicas adequadas com conhecimento e segurança. Aí dá para sair daquela linguagem de psicólogo (que me perdoe a categoria…) de apenas ficar sentindo…

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Sobre estrelas e anjos

Segundo a Cabala e o pensamento religioso do povo judeu, as estrelas nomeadas correspondem aos anjos e arcanjos. Em suas diversas categorias, os anjos servem de intermediários ou mensageiros entre Deus e o Homem.

Encontramos passagens interessantes a respeito no Sefer Yezirah (ou Livro da Criação), quando afirma que o número de estrelas corresponde ao resultado da permutação entre as 22 letras do alfabeto hebraico. Este número se encontra muito próximo da estimativa realizada pelos cientistas a respeito das estrelas existentes no Universo.

Há passagens sobre os anjos, relacionando-os com as estrelas, em vários locais da Bíblia, como em Isaías 40:26 e Salmos 147:4, em que é dito que possuem nome e alma.

As estrelas são, portanto, o nosso elo com o Criador. O papel de mensageiros atribuído aos anjos pode ser abordado, a partir de uma visão mais contemporânea, sendo exercido pelas estrelas.

No mapa astrológico individual (ou Mapa Natal), algumas estrelas são mais importantes que outras em razão de sua posição. É lógico que aquela que estiver junto ao seu Meio-Céu é crucial para o seu destino na vida atual. Mas não podemos deixar de incluir as estrelas que formam conjunção com o Sol e a Lua, que formam os elos com a nossa encarnação atual.

Seguem as principais estrelas associadas às Constelações Zodiacais:

  • Leão: Regulus e Denébola.
  • Virgem: Spica e Vindemiatrix (associada a Libra).
  • Escorpião: Antares e Alioth.
  • Sagitário: Nunki
  • Capricórnio: Deneb Algedi e Giedi Prima.
  • Aquário: Sadalmelik e Saldasuud.
  • Peixes: Alrisha.
  • Áries: Hamal.
  • Touro: Aldebaran e Elnath (também Plêiades e Hyades).
  • Gêmeos: Castos e Pollux.
  • Câncer: Acubens e Aselli.

Torno a fazer a pergunta: qual é a sua estrela? Ou ainda, qual é o seu anjo?

Para saber mais sobre as estrelas: Constellations of Words (em inglês).
 

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Olhar para o céu

Ganhamos o direito do Livre-Arbítrio na mesma época em que a Terra deixou de ocupar o centro do Universo. Paradoxalmente, ao destronar o planeta de sua posição importante, também destronamos os deuses de seu papel relevante. Iluminismo, Positivismo e Revolução Industrial forjaram o pensamento ocidental e, seu filho mais querido, o monetarismo.

O céu passou a ser um conjunto de engrenagens que se moviam segundo princípios mecânicos. Há uma mudança de paradigma na passagem de Kepler para Newton. Onde o primeiro via harmonia, beleza e desígnios divinos, o segundo encontrava lógica e precisão (embora fosse um místico).

As cidades cresceram, especialmente para cima e qualquer semelhança com Babel não é apenas coincidência. O fato é que não olhamos mais para o céu. Você poderá me dizer que não o faz porque há luz demais. Mas tenho certeza que se maravilha quando vai à praia ou ao campo, fitando uma noite pontilhada de estrelas.

O papel das estrelas é muito maior do que a Ciência consegue perceber ou imaginar. Os antigos transformaram o céu na morada dos deuses. Em todas as culturas e povos, além de marcar o tempo, as estrelas e constelações marcavam também as suas referências culturais, as tradições e origens.

Sob esta perspectiva, o céu é a morada dos mitos, dos arquétipos e dos deuses. Olhar para o céu é entrar em sintonia com estas vibrações e, uma vez que viemos do pó das estrelas, com as nossas próprias origens.

Nas grandes metrópoles, não se vê mais o horizonte. Ver o horizonte é ter perspectivas, alcance, alternativas, possibilidades. O horizonte é a fronteira entre a terra e o Céu. E não ver o céu significa perder a ligação com o divino. Acredito que muito do que acontece ao nosso planeta se dá por conta da perda de conexão com o divino, uma vez que cada um vive em trono de si mesmo, num mundo virtual de avatares e perfis na internet.

As estrelas são as indicações mais precisas dos mitos e heróis que devem ser perseguidos. Há uma estrela para cada um de nós. Você já encontrou a sua?

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