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Meio-Céu e o Caminho da Humildade

É muito comum pensarmos numa Astrologia composta de astros e signos, pois esta é a informação que nos chega pela mídia. Porém, os astrólogos-sacerdotes da Antiguidade consideravam também o grau zodiacal em ascensão no horizonte oriental, hoje simplesmente denominado Ascendente.

Quando uma criança está para nascer, basta anotar a hora e verificar num software apropriado qual o grau de seu Ascendente. Os nossos antecessores não dispunham de relógios e ao invés de anotar a hora, iam direto ao assunto registrando a posição dos astros no céu, incluindo-se aí o grau ou signo que se elevava no Leste.

Desenvolvimento da Tecnologia “Astrológica”

Os primeiros relógios precisos surgiram apenas ao final do século XIX, por uma necessidade de determinar a longitude no mar com precisão. Longitude e hora são funções intercambiáveis. Até bem pouco tempo, cada cidade dispunha de um horário particular, o que levava à necessidade de ajustar os relógios mesmo percorrendo pequenas distâncias. A adoção dos fusos horários é bem recente.

Antes do surgimento das modernas calculadoras científicas e, posteriormente, dos computadores, os cálculos mais complexos eram feitos com auxílio de logaritmos. Estes só entraram em cena no século XVIII.

As primeiras efemérides relativamente confiáveis surgiram dos cálculos de Johannes Kepler sobre as observações de Tycho Brache, no século XVII. A trigonometria esférica é diferente da plana, aprendida nas escolas. Embora tenha se desenvolvido nos séculos IV e V, pode ser muito mais antiga.

Todas as tecnologias acima apresentadas são necessárias para a elaboração de um gráfico astrológico e sequer são notadas quando clicamos Ctrl + P para imprimir a representação do céu obtida no computador.

Como então faziam os antigos? Simplesmente olhavam o céu. E já empregavam a maior parte dos métodos astrológicos que conhecemos: Natividade, Mundial, Direções Primárias e Secundárias, Horária, Eletiva, etc…

Os Ângulos: Ascendente e Meio-Céu

AscDesde a Antiguidade, o Ascendente era considerado de fundamental importância, representando a ligação entre a Terra e o Céu no instante da Natividade. Podia ser “visto” na linha do Horizonte, correspondendo ao local de nascimento do Sol, responsável pela vida em nosso planeta e, por isso mesmo, adorado em muitas culturas.

Correlacionando, o Ascendente representa o influxo vital (Terra-Céu) de uma dada Natividade ou Evento. Mostra a sua atitude perante o mundo ao seu redor e como se relaciona com ele. Em sua relação com o Sol, é a ainda a expressão do caráter e natureza do(a) nativo(a) ou do evento.

A partir do momento em que o Sol nasce, eleva-se Hemisfério Oriental até atingir a sua máxima altura (culminação), cruzando o Meridiano do observador. A culminação não é instantânea. Em decorrência da rotação da Terra, pode durar uns poucos minutos antes de iniciar a sua jornada em direção ao Horizonte Oeste até se por, uma vez que o Solpermanece com a mesma altura por um certo tempo. Do momento em que o Sol nasce até a sua culminação, diz-se que o Sol ganha força e poder, diminuindo à medida que se aproxima do ocaso.

A noite é o período de repouso da maior parte dos seres viventes, que recuperam, como o Sol, as suas energias para um novo dia. Os egípcios retrataram esta jornada através da Barca do Sol, possivelmente a inspiração para o surgimento das Casas Astrológicas (Quadrantes).

Quero destacar um detalhe que talvez tenha passado desapercebido: enquanto o Ascendente é perfeitamente mensurável, pois há a referência física do Horizonte, o Meio-Céu não o é. A observação da culminação do Sol é feita desde os primórdios da navegação marítima e resulta na Latitude através de uma relação extremamente simples (a grosso modo, Lat = 90 – h – Dec). A Longitude (Meridiano), além de não corresponder a uma linha “física”, depende de um relógio preciso.

O cálculo moderno do Ascendente e do Meio-Céu.

Como abordei anteriormente, hoje em dia, partimos da hora para representar as posições dos astros e dos Ângulos. E por conta desta característica, o Tempo Sideral (TS) torna-se o argumento necessário para a obtenção das longitudes zodiacais do Ascendente e do Meio-Céu.

É preciso converter o TS em graus, o que resulta na ARMC (Ascensão Reta do Meio-Céu).

Usa-se uma relação extremamente simples para obter a Longitude Zodiacal:

MC = atan (tan (ARMC)/cos E), onde E é a obliquidade da Eclítica.

Porém, o Ascendente, que era obtido por observação imediata, tem uma relação bem complexa:

Asc = acot (-((tan Lat . sem e) + (sen ARMC x cos e))/cos ARMC), onde Lat é a Latitude do observador.

Filosofando…

O Ascendente é perfeitamente visível por ocasião da Natividade, bastando que se olhe para o céu ao invés de olhar para o relógio, quando ela ocorre. Mas se você quiser calculá-lo mais tarde, irá se deparar com uma relação trigonométrica complexa, como se Deus lhe dissesse: “Eu bem que te disse…”

O Meio-Céu é um ponto matematicamente muito simples de ser calculado e é produto direto da hora. Em nossa humanidade “tempo é dinheiro”, é o atalho ou a porta de entrada para o cálculo das Casas Astrológicas Quadrantes. Porém, não tem como se precisamente observado, como se Deus lhe dissesse “Eu estou aqui… venha me descobrir…”

Como vimos, a linha do Meridiano, que contém o MC, tem como polo o Zênite que corresponde ao “furo” da projeção de uma linha perpendicular ao plano do Horizonte na abóbada celeste. O Meio-Céu não é necessariamente o Zênite, embora eventualmente possa até sê-lo. O Zênite é a nossa ligação com o divino e os planos que se encontram além das Estrelas Fixas e do Zodíaco, onde residem os agentes de Deus.

Quando nos apropriamos do tempo, não necessariamente nos apropriamos do espaço correspondente no Universo. Porém, nos equivocamos ao supor que tomamos posse do que é definitivamente divino e transcendente.

A Tradição conta os Quadrantes seguindo a trajetória do Sol, ou seja, no sentido horário. Esta mesma Tradição nos ensina ainda que é preciso morrer e mergulhar nas trevas do Nadir para renascer no Ascendente. A viagem do herói está nas Casas, quando tem de lidar com o seu maior inimigo: sua própria sombra representada pelo desejo de grandeza de se achar semelhante aos deuses…

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Cosmogonias e a Astrologia Tradicional

Por cerca de quatro milênios, Astrologia e Astronomia eram uma única Arte, com o papel de compreender o papel do Homem e da Humanidade através da elaboração de uma Cosmogonia coerente. O papel de uma Cosmogonia é restabelecer a ligação com a Criação (ou com o divino).

No século XVII, com o surgimento da Física mecanicista, coube à Astronomia buscar a origem do Universo sem se preocupar com o seu significado. Este papel continua cabendo à Astrologia.

Surgida entre os sumérios e, posteriormente desenvolvendo-se para a Babilônia, Egito, Grécia e Índia, em momento algum se tornou uma religião. Os povos árabes e os hindus, até nosso dia, tem uma forte consciência religiosa e até poderiam ter transformado a Arte da interpretação dos sinais dos deuses em religião. Contudo, os principais tratados astrológicos árabes e hindus começam pedindo licença ao seu deus ou patrono, e não ao Sol, Lua, planetas ou astros.

E isso ocorre porque a compreensão que detinham é que a Astrologia fazia parte da religião e não o contrário.

Quando a Ciência transformou o Universo num mecanismo, os astrólogos se sentiram na obrigação de fazer o mesmo para justificar o seu trabalho. E desde então, astrólogos tentam de várias maneiras incorporar princípios estranhos à Arte de modo a lhe dar o status de ciência.

De fato, bastou a Astrologia entrar na Europa, em torno do século XI, para perder o seu sentido e identidade. A Astrologia Medieval, embora baseada na Tradição Astrológica, por não compreender os fundamentos filosóficos, promoveu a primeira pasteurização da Arte, suprimindo inclusive conceitos de base. E justamente por não compreenderem o que é a Astrologia de fato, a Astrologia Ocidental lida hoje com várias “astrologias” que nada tem em comum umas com as outras além de empregarem os mesmos astros.

Ou seja, a Tradição se perdeu. A Tradição que esteve na mão de sacerdotes com o propósito de zelar por sua correta transmissão. E porque eram justamente os sacerdotes? Porque a Astrologia sempre foi um poderoso instrumento de acesso às esferas superiores do Universo, seja através da compreensão de si mesmo (e da consequente purificação) como também como agente de transformação criativa (magia?).

Não foi por acaso que no século XVIII e XIX a Astrologia se desenvolveu mais fortemente nos círculos ocultistas e que, mais tarde, no século seguinte, organizações como a AFA surgiram para remover o ocultismo da Astrologia. Ao fazerem isso, removeram o que ainda restava da filosofia que norteia os seus princípios.

A Humanidade caminha num mar de incertezas e de aparências. Os indivíduos vivem um verniz do que realmente poderiam ser, porque perderam o acesso à sua essência e, por consequência, acesso às camadas superiores da consciência. Sem elas, é impossível ter acesso ao divino e se conectar com os planos divinos (desejo último de cada um de nós). A Astrologia sempre foi este caminho, na medida em que interpretava a linguagem dos deuses e suas mensagens.

No entanto, a Astrologia Tradicional que é ensinada no Ocidente tornou-se um conjunto de doutrinas, métodos e técnicas. Pouco tempo é dedicado á filosofia que subjaz em seus fundamentos. O resultado final é um conhecimento frio e de difícil aprendizado. Como qualquer Arte, deve ser experimentada de dentro para fora, a partir do coração, antes de ser assimilada pela mente.

A Astrologia não depende da Ciência. É um saber que, atualmente, encontra-se acessível a partir de várias fontes e origens. Não se limita a indicar quando você terá uma promoção em seu trabalho ou uma doença súbita, mas também, o caminho que você deverá percorrer se quiser ascender às esferas mais elevadas da consciência, além do mundo da substância e da matéria. Algumas linhas iniciáticas chamam de reintegração.

Quem eu sou? De onde vim? Para onde vou? É para isso que servem as Cosmogonias.

Como eu vou? A Astrologia Tradicional permite que você obtenha esta resposta.

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As origens da Astrologia

No Dia de Reis, comemora-se também o Dia do Astrólogo, uma vez que os Três Reis Magos também eram astrônomos-astrólogos. Vindos da Caldéia, terra associada não apenas à Astrologia, mas elevados conhecimentos mágicos e terapeuticos.

Historicamente, sabe-se que a primeira vez que a Astrologia fora organizada como um saber foi sob Hamurabi, no século XVII aec. No entanto, se ela já existia, como surgiu? O simples fato de observar o céu, que é um ato natural do ser humano, não assegura a sua interpretação. Ainda, existem espalhados em diversos pontos do planeta diversos observatórios que datam de uma época muito mais antiga, pré diluviana, ou seja, anteriores a 4500 aec.

No meio ocultista e iniciático, admite-se que os nephillin eram dotados de conhecimentos e poderes especiais. Eles surgem em diversas cosmogonias e mitos. São os titãs, da mitologia grega; os Tuatha de Daanan, que fundaram a Irlanda; e também na Bíblia, correspondem ao resultado do casamento entre os Filhos de Deus (Elohim) e as filhas dos Homens. Estes semideuses foram instruídos em diversas artes e especialmente naquela de vigiar o céu. Quem eram esses “Filhos de Deus”? São os anjos cuja missão era justamente instruir a humanidade.

Juntando de outras fontes, é muito provável que estes gigantes tenham inicialmente habitado a mítica Atlântida e que após o dilúvio, tenham se espalhado pelo então mundo habitado. Alguns autores sugerem que os Patriarcas bíblicos tenham sido todos descendentes dos nephillin. Há descrições a respeito de Abraão que combinam em muito com a descrição que é feita destes seres. Noé e Moisés também possuem características que tornam possível que sejam descendentes destes anjos, cuja missão é elevar o Homem de sua inocência e ignorância.

Lúcifer, o portador de da Luz, não é um rebelde, mas sim, um anjo com a missão de libertar a humanidade das trevas. Segundo a Tradição, depois de enorme sacrifício para descer (ou cair?) até os planos densos e materiais da Terra, os cerca de duzentos anjos liderados por Lúcifer iniciaram seu trabalho que se estende até os dias de hoje.

Os anjos que tinham a missão de ensinar a interpretação do sinais dos céus eram:

  • Baraqijal: A arte Astrologia.
  • Kokabel: os mistérios das estrelas e das constelações.
  • Shamsiel: o Zodíaco.
  • Sariel: o uso das forças lunares.

Abaixo, o símbolo da Classe dos Vigilantes:

Há muito de mitológico na estória corrente sobre os Reis Magos. Uma pálida passagem em Mateus, sem mencionar grandes detalhes e muito menos a glória encontrada em Lucas, quanto à Natividade.

Documentos existentes no Vaticano parecem comprovar a sua existência e até fornecem alguns detalhes adicionais, como a idade e procedência. No meio acadêmico, porém, há muita controvérsia envolvendo o relato dos Reis Magos, citando inclusive erros de tradução, onde caldeus, magos, mágicos e astrônomos forma tratados como um único verbete.

Por estas razões, prefiro apontar o início da Astrologia em algum período muito anterior. E Lúcifer o seu principal patrono.

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O Eclipse de 20/05/2012

Os eclipses são os grandes marcadores de tempo, especialmente porque envolvem as duas Luzes do céu.

Os eclipses são ocultações de uma das Luzes pela outra. Assim, um eclipse solar ocorre quando a Lua se encontra entre a Terra e o Sol, por ocasião da Lua Nova. num eclipse lunar, é a Terra que se encontra entre as Luzes e faz sombra sobre a Lua, ocorrendo na Lua Cheia.  Os eclipses solares são mais importantes, uma vez que é o Sol que fica encoberto pela Lua.

Os eclipses ocorrem sempre numa distância de até 8,5º dos Nodos Lunares. Portanto, os eclipses que ocorrem junto ao Nodo Norte ou Cabeça do Dragão tem uma ação diferente daqueles que ocorrem junto ao Nodo Sul ou Cauda do Dragão.

Conforme a sua ocultação, os eclipses podem ser totais, parciais ou anulares. Segundo Ptolomeu e Bonatti, os eclipses são mais importantes nas regiões em que são visíveis e a duração de seus efeitos é proporcional ao tempo de ocultação:

De Tetrabiblos, Livro II, capítulo 6: DA DATA DOS ACONTECIMENTOS PREDITOS
O segundo e cronológico título, pelo qual devemos descobrir as datas dos acontecimentos significados e a sua duração, será considerado como se segue. Na medida em que os eclipses que têm lugar na mesma data mas não duram o mesmo numero de horas ordinárias em todas as localidades, e como os mesmos eclipses solares não têm em todos os lugares o mesmo grau de obscurecimento, ou o mesmo tempo de duração, determinaremos primeiro a hora do eclipse, em cada uma das localidades mencionadas e, para a altitude do polo, centros, tal como numa natividade; em segundo lugar, quantas horas equinociais dura obscurecimento do eclipse em cada uma.
Pois, quando se examinam estes dados, se for um eclipse solar, compreendemos que o acontecimento predito durará tantos anos quantas as horas equinociais que determinarmos e, se for um eclipse lunar, tantos meses.
 
Sete Segmentos de Cardan, aforismos relativos aos eclipses:
11. Um eclipse da Lua prolonga os seus efeitos pelo mesmo número de meses que a sua duração em horas, e o do Sol pelo mesmo número de anos.
12. Um eclipse tem um efeito triplo, primeiro poderoso devido à conjunção ou oposição durante a qual acontece; segundo geral, porque arrefece lentamente e, por isso, se prolonga por muito tempo. Terceiro o poder que recebe do regente do lugar em que acontece e de outras posições desse momento.

Características

O eclipse de 20/05/2012 ocorre em 00º 20′ de Gêmeos, em conjunção com a estrela Alcyone. Em seu máximo, o Sol alcançará uma altura de 60º, considerada forte. O tempo de contato dos Luminares é de cerca de 3,55 horas, perfazendo uma ação de 3 anos e 7 meses a partir desta data. Seu efeito é catabólico, ou seja, de liberar energia (os antigos diriam que tem um poder destrutivo, particularmente pelo Signo Zodiacal em que ocorre).

Os eclipses são agrupados em séries, de acordo com a sua geometria (ângulo de incidência em relação à Terra). Este eclipse pertence à Série de Saros 128, iniciada em 29/08/984 e que se encerra em 22/11/2282, ou seja, depois de 1298 anos.

Este eclipse estará visível numa larga região da Ásia, como indicado na imagem obtida do site de Fred Espenak. Nele, há todas as informações necessárias à avaliação do eclipse, antes de sua interpretação astrológica.

Algumas idéias

Pesquisando os eventos associados aos mais recentes eclipses da Série de Saros 128, nota-se que há uma pequena ênfase na busca da paz e da conciliação, bem como, uma tendência ao desenvolvimento artístico, com o surgimento de movimentos culturais ou novas escolas de pensamento. O fato de ocorrer no Nodo Sul indica uma disseminação de ideias que levam na direção do entendimento e da concórdia.

Acima, o mapa do eclipse, obtido para o local e hora de máxima ocultação. Note que Júpiter e Mercúrio (regente do Asc e do Eclipse) se encontram no Meio-Céu, reforçando a noção de diálogo entre nações estrangeiras. Ainda, a oposição entre Marte e Netuno é um convite para buscar soluções para os conflitos de longa data (brigas intestinas). Estes últimos astros formam um T-Square com os Luminares.

Com a estrela Alcyone associada ao Sol e à Lua e, especialmente se culminando, representa as principais autoridades militares de um país ou nação.  Alcyone faz parte das Pleiades, na constelação de Touro e, de um modo geral, não é um bom presságio. Alcyone é a mais brilhante dentre elas e é associada honra e glória, se em boas condições.

Entretanto, gostaria de ir mais além. Este é um eclipse antigo dentro da Série de Saros. Embora astrologicamente não existam muitas indicações de associação com os militares, algumas invasões recentes começaram logo após eclipses desta série, para ao final, chegar-se a acordos de paz complexos e, inicialmente, considerados absolutamente improváveis.

Teremos mais alguns anos de eclipses ocorrendo no eixo Gêmeos e Sagitário, tradicionalmente ligado á informação, mas também, aos ventos da mudança. Este eclipse percorre uma região que recentemente vem sendo assolada por catástrofes naturais (terremotos e tsunamis) e forçando seus moradores e deixarem para trás divergências sociais, culturais ou religiosas em razão do enorme número de perdas humanas. E, por isso mesmo, encaminhando-as ao exercício da solidariedade. Este diálogo pode ser claramente notado na configuração da oposição entre Marte e Netuno quadrando ao Eclipse.

Há também a ideia de perda de colheitas em razão da estiagem ou falta de chuvas nas regiões de visibilidade do eclipse. Esta configuração sugere seca e sementes que não vingam ou ainda, são comidas pelas aves. Num dos mitos associados às Pleiades, como constelação de Inverno (Hemisfério Norte), são associadas à agricultura.

Mas para quem gosta e curte as questões associadas às possibilidades de elevação da consciência que se abrem a partir de um eclipse, este trata de buscar o conhecimento dentro de si e não fora, antes de ir ao encontro dos mistérios divinos ou do Universo. Gêmeos é o signo das colunas do Templo de Salomão. Júpiter e Mercúrio, em Touro, preconizam a sobrevivência ou a manutenção de valores morais, éticos ou filosóficos simples e práticos, ligados ao cotidiano ou à própria Natureza, antes que a Terra se aqueça acima de suas próprias possibilidades e as marés se elevem (Marte em oposição a Netuno, Virgem/Peixes).

Entretanto, prefiro ver de que há um trabalho a ser feito antes de se alcançar o conhecimento dos céus. E este trabalho passa pelo aperfeiçoamento pessoal e pela responsabilidade que temos uns com os outros enquanto seres deste planeta. Responsabilidade esta que inclui todos os seres vivos, animais, plantas e tudo o que forma esta jóia do Sistema Solar que conhecemos como planeta Terra.

 

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Os anjos do céu estrelado

Olhar para o céu numa noite escura pontilhada de estrelas traz uma série de sensações e sentimentos que geralmente não são facilmente descritos. Lembranças? Algo que tenha ficado perdido? Uma sensação de distanciamento?

Na verdade, é uma sensação de maravilhamento. E por isso, várias povos e culturas ao longo do planeta acabaram por imortalizar os seus deuses e heróis naquele céu noturno. Assim surgiram as constelações, ligando as estrelas grupos, formando desenhos que representavam os seus mitos e tradições.

Alguns povos do Oriente Médio, entretanto, pareciam dispor de algumas informações adicionais. Os judeus sempre foram um povo nômade. A Torah conta as estórias deste povo desde tempos imemoriais, contando com a influência dos mitos e tradições das diversas culturas com as quais conviveram, embora sempre adaptada à sua firme crença num deus único. Há várias passagens em que anjos se encontram entre os homens. Com Abraão, chegam a comer e beber.

Na Torah, o papel dos anjos é servir de mensageiros ou intermediários entre deus e os homens. São descritos como seres de luz ou de fogo, causando espanto quando se aproximam. Em Ezequiel e Isaías, conduzem os profetas para planos mais elevados até que pudessem estar junto da “glória de Deus”. Uma situação semelhante ocorre no Apocalipse de João, onde, além de anunciadores dos castigos, também são os executores das ordens de Jesus, à frente de seus exércitos.

É nesta mesma Torah que encontramos duas passagens reveladoras. Em Isaías 40:26, diz-se que toda e qualquer estrela do Universo tem nome: “É ele que faz sair o seu exército em um número certo e fixo; a todos chama pelo nome.” Em Salmos 147:4: “ele conta o número das estrelas e chama cada uma por seu nome”. Para os judeus, dar nome significa atribuir alma. O Midrash indica que os diferentes nomes das estrelas correspondem aos nomes dos diferentes anjos, numa relação de um para um.

Os astrônomos sabem que cada estrela tem o potencial de gerar um sistema à sua volta que, por sua vez, pode propiciar as condições para o surgimento de vida inteligente. É o que ocorreu com o nosso Sol, origem dos planetas que orbitam a sua volta e da nossa Terra.

As estrelas não surgiram todas de uma vez. Os astrônomos denominam de populações às gerações sucessivas de estrelas. Em Daniel, Isaías e em Apocalipse, os anjos também são retratados em hierarquias, com limites que não poderiam ser transpostos.

Os que os sábios do Oriente sabiam é da ligação existente entre as estrelas e os anjos. É bastante provável que entre os sacerdotes das culturas ancestrais como a chinesa e aquelas do note da Índia também soubessem deste elo.

Quando olhamos para um céu pontilhado de estrelas, olhamos para um passado muito distante: sua luz leva vários anos para chegar até nós. O que vemos corresponde a várias gerações de estrelas, com novas se formando enquanto que as mais antigas se transformam buracos negros. Olhando de nosso planeta, algumas estrelas gigantes parecem apenas um pequeno ponto no céu, por causa da enorme distância que se encontram.

As estrelas fazem parte de um passado em os homens e Deus se comunicavam mais facilmente. Hoje, precisamos de técnicas especiais, como a meditação, a oração, a prece e o êxtase, para conseguirmos estabelecer um contato fugaz. Eventualmente, contamos com a ajuda de um ser celestial que nos acompanhará numa parte da jornada.

Porém, na maior parte das ocasiões, parece que estamos realmente sós, em busca de nosso passado que, de fato, está contido no DNA das estrelas, que nos encantam com seu brilho ora azulado, ora alaranjado ou avermelhado.

Os mitos imortalizados nas constelações são uma maneira de tentar se relacionar com os deuses que se encontram além, bem distantes, no início de todas as Eras, antes de todas as estrelas e anjos. E assim, dissipar a angústia de se sentir deixado para trás neste ciclo de vida, morte e renascimento.

Segundo algumas autoridades hebraicas, as estrelas são um elo importante na cadeia da Providência Divina sobre o mundo. Existem vários níveis de interação entre Deus e o homem e o mais baixo é aquele dos anjos e das estrelas. Assim, os comentários da Midrasch explicam que a Divina Providência opera através dos anjos e estes, por sua vez, o fazem através das estrelas.

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O Visível e o Invisível

Visível: uma linda e maravilhosa conjunção entre a Lua e Vênus, um presente para nossas tardes. E à medida que a Lua se põe, é Saturno que nasce no horizonte oriental. Por volta das 19:30 horas, encontram-se ainda visíveis Júpiter, próximo da Lua e Vênus, todos em Touro. Marte se encontra na direção NE, um pouco mais elevado.

Não visível: Sol e Mercúrio retrógrado, bem como os geracionais Urano e Netuno.

Os antigos diziam que os astros visíveis tem mais poder e ação que aqueles que se encontram abaixo do horizonte. às 19:30 horas, o Sol se encontra na Casa VI, abaixo do horizonte e não pode ser visto. Para os nossos antepassados, antes da chegada da luz artificial, as horas noturnas eram um período de medo e não apenas de escuridão. Alguns povos contavam o tempo apenas de dia. As horas planetárias ainda são contadas do nascer ao por do Sol.

É possível estender esta visão de Ptolomeu, Al Biruni, Abu Mas’har e tantos outros também para os eclipses. Bonatti afirma, seguindo Ptolomeu e Vetius Valens, que a ação de um eclipse se dá apenas nas localidades cobertas por sua sombra.

Naqueles tempos, a Astrologia e a Astronomia eram uma mesma Arte e era feita olhando para o céu. Quando fitamos o céu e esquadrinhamos o horizonte, ganhamos dimensão e expandimos as nossas possibilidades e oportunidades. Geralmente, o fazemos no céu noturno, quando há mais para ser visto, especialmente as estrelas e os planetas que caminham entre elas. Mesmo que resida numa grande metrópole, experimente olhar para o céu.

O ser humanos se adensou. Suas reflexões, filosofia e religiões o tornaram auto-consciente. Ou seja, ao olhar para dentro de si mesmo, se deu conta do tamanho do Universo, bem como, de outras realidades não tão lógicas e óbvias. Em outras palavras, além da própria visão. E é sob este prisma que os astros não visíveis devem ser encarados.

Seria absolutamente impróprio afirmar que uma pessoa nascida com as configurações acima não tenha luz. No entanto, esta brilha dentro, para si, em seu interior. Há uma forte tendência a não dar valor aos seus próprios desejos e necessidades, conquanto seja muito mais fácil lidar com os significados e promessas dos astros que se encontram acima do horizonte, uma vez que se encontram visíveis.

Lidamos mais facilmente com o que vemos do que com o que não vemos. Porém, não vemos o ar – embora ninguém discuta a sua inexistência. Há tantas coisas que não vemos… Uma dor só é “visível”  para quem a sente. O mesmo se dá com as angústias e os medos. Ou a confiança e a fé.

Abaixo do horizonte estão aqueles conteúdos que operam a partir do íntimo e que não costumam se manifestar na superfície. Um indivíduo com muitos planetas abaixo do horizonte tem uma vida interior rica, mas pode encontrar problemas para “acontecer” no mundo. O ideal é sempre um equilíbrio, um balanço entre os astros acima e abaixo do horizonte.

Porém, não tenha dúvidas que os astros que você vê são justamente aqueles que lhe causarão um maior impacto, responsáveis por deixar a sua marca no mundo e entre os seus pares.

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Distinguindo ruídos

Sempre que avalio um Mapa ou um conjunto de Trânsitos, busco primeiramente encontrar o tema principal que norteia aquelas configurações. Quase que simultaneamente, comparo com a realidade do mundo em que me encontro inserido, estabelecendo relações com os eventos, nem sempre os mais recentes.

O segundo semestre foi pródigo em apresentar o perfil da Geração Z e suas contribuições para o mercado de trabalho. De fato, há muitas hipóteses e poucos resultados de pesquisa, uma vez que esta geração ainda está ingressando no mercado de trabalho.

Pessoalmente, observo que em sua maior parte, os representantes das gerações X, Y e Z partilham de um mesmo grave problema: a superficialidade. Basta acompanhar as mídias para notarmos em que níveis ela ocorre. É decorrente da pressa: de resultados, de formar o primeiro milhão de reais, de experimentar o amor e o sexo… Parece até contraditório quando se ouve falar na necessidade de desacelerar o consumo.  E, de fato, desacelerar é a única solução possível para a manutenção e a sobrevivência não apenas do planeta, mas da própria humanidade, como discorri em Desacelerar.

Marte ficará retrógrado em Virgem entre o final de janeiro e meados de abril e a primeira sugestão que apresenta é a desaceleração dos meios de produção. Sob a ótica do Mercado, serve para fazer promover ajustes de todos os tipos que permitam mais eficiência dos equipamentos e máquinas disponíveis. Os ajustes de pessoas virão depois, quando Vênus estiver retrógrada entre meados de maio e o final de junho. E tudo isso, sob as bênçãos de Saturno retrógrado nos graus finais de Libra.

Na verdade, é a própria crise que impele a buscar novos métodos de produção e depois, de comercialização, para que o fluxo de capitais não se interrompa. Contudo, há um tal de Urano em Áries… Portanto, levando em conta o conjunto de configurações astrológicas, o Tema do primeiro semestre será acabar com o zumbido do temor da crise. Temor? A crise já se instalou há mais de 20 anos. Quando a Geração Z estava nascendo, a a crise já tinha se instalado.

Este zumbido tornar-se-á ruído ao longo do ano e, a falta de profundidade e reflexão da geração a quem cabe tomar as decisões mais importantes (acredite-me: é a geração Z que o faz, apesar das Gerações Babyboom, X e Y também participarem do processo), às quais se espera mais densidade e coerência. Porém, como esta geração multitarefa é incapaz de pensar em conjunto ou de proover uma análise mais complexa, ficaremos com soluções bandaid.

Acredito que a geração X tornará a assumir as rédeas pro pura necessidade de manter o controle da situação, a partir de outubro, com a retrogradação de Júpiter e o ingresso de Saturno em Escorpião. Esta combinação leva ao silêncio e ao recolhimento interior e, por isso mesmo, a uma reflexão de melhor qualidade e profundidade. Qualquer ato verdadeiramente criativo começa com o silêncio, com o vazio interior, como escrevi em outro artigo. É aquietando as próprias emoções que conseguimos domar a ansiedade e a pressa e avaliar de modo abrangente todo o conjunto de implicações que qualquer decisão possa ter sobre o mercado, as pessoas e o próprio planeta.

Nesta época, Urano também estará retrógrado, como que a sugerir a deixar a individualidade apressada em segundo plano, deixar a competição tecnológica de lado e unir as forças através de grupos e equipes de trabalho.

Todas as essas condições se refletem inclusive na expressão do amor e do afeto. As uniões, mesmo ocorrendo mais tarde, com mais idade, são apressadas e geralmente, com o claro propósito de ter filhos (apenas) ao invés de viver uma experiência amorosa. As separações são muito fáceis de ser obtidas e assim nos deparamos com muitas famílias desagregadas, onde os pais são separados e veem os filhos em tempos e prazos determinados (quando o fazem). Ao mesmo tempo, as exigências e necessidades financeiras colocam o casal (os pais) mais tempo fora de casa trabalhando do que tendo um saudável convívio com os seus familiares, especialmente as crianças. E não dá para culpá-los, este é o sistema e, em 2012, saturno em Libra e Marte em Virgem insistem nas responsabilidades, tanto as do casal como aquelas próprias do cotidiano doméstico.

E a vida pessoal de ambos e, a de ambos com a família, fica reduzida a um beijo de boa noite, quando já se encontram dormindo ou, nas atividades de final de semana.  Ah! O Amor? Em 2012 dá até para conversar a respeito. mas a partir de outubro, será necessário se responsabilizar pelos afetos e sentimentos daqueles que dependem de nós.

Por isso, a recomendação é não se deixar levar pela pressa dos resultados imediatos, sejam os profissionais como os pessoais.

Em 2012, aprenda a respirar, a controlar o ritmo de seus pulmões. Mas também, para desacelerar prestando maior atenção ao que existe à sua volta. Só assim haverá espaço para que possa vivenciar o amor de maneira mais plena e completa

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