Posts Tagged Reinhold Ebertin

Cosmograma – Simetria Axial

Há cinco eixos atuando no Zodíaco:

  • Eixo dos Solstícios, que compreende o grau zero dos Signos de Áries e Libra.
  • Eixo dos Equinócios, que compreende o grau zero dos Signos de Câncer e Capricórnio.
  • Eixo do Horizonte, que compreende o Ascendente e o Descendente.
  • Eixo do Meridiano, que compreende o Meio-Céu e o Fundo do Céu.
  • Eixo Nodal, que compreende os Nodos Lunares Norte e Sul.

Zodiaco

Cada um dos eixos acima divide o Zodíaco em duas regiões simétricas entre si.  Ebertin classifica como pontos sensíveis o Ascendente, o Meio Céu e o Nodo Norte, distinguindo dos Astros, que são físicos. Witte inclui ainda o Ponto Vernal. Witte e Ebertin desconsideram completamente qualquer sistema de Casas Astrológicas bem como as suas divisões. De qualquer forma, não há nenhum sentido em representá-las no Cosmograma.

Particularmente, tenho as minhas dúvidas se Ebertin não considerava, mesmo que de maneira subjetiva, as posições dos Astros por Signo e Casa, uma vez que estes dois últimos fatores interpretativos são inclusive ordenados de 0001 a 0012 (The Combination of Stellar Influences). Neste livro, comete o equívoco de equiparar interpretativamente Casa e Signo, usando o princípio da analogia, utilizado em Astrologia Contemporânea.

Uma vez que a fonte primária da Astrologia Simétrica é o Tetrabiblos, de Ptolomeu e que seus fundamentos se encontram na Astrologia Árabe praticada entre os séculos V e VIII, cumpre distinguir o papel interpretativo de Signo e Casa:

  • Signo: Indica qualidades. Tem como princípio as qualidades primitivas.
  • Casa: Indica local. Tem como princípio a trajetória aparente do Sol durante um dia.

Um Astro que ocupe uma Casa manifestar-se-á numa determinada esfera da vida do nativo, modulado pela natureza do Signo que ocupa. Para Ebertin, o significado das Casas é arbitrário. Porém, tem razão quanto aos vários métodos de dividir o movimento diurno: conforme se altera o sistema de Casas (o princípio de divisão do céu, plano de referência, etc), alteram-se as cúspides das casas intermediárias (Casas III, II, XII, XI e suas opostas).

Os eixos mencionados derivam do movimento aparente do Sol. No Zodíaco, corresponde ao ano. O Ascendente e o Meio-Céu são correspondem respectivamente ao nascer e à culminação diária. O eixo nodal corresponde ao cruzamento dos planos orbitais dos luminares. Dane Rudhyar é contemporâneo de Reinhold Ebertin. Sua prática da Astrologia perseguiu a harmonia, seja entre os Astros como no Zodíaco. Escreveu o livro “Ciclo de Lunações” em que estende e amplia a interpretação da Lua e dos Nodos Lunares desenvolvida por Ptolomeu, em Tetrabiblos. Ambos buscaram suas referências nas mesmas fontes tradicionais. Enquanto Rudhyar inaugura a Astrologia Contemporânea como a conhecemos hoje em dia, Ebertin oferece uma maneira (aparentemente) científica, extremamente útil para fins estatísticos.

Detalhando os cinco eixos que atuam no Zodíaco:

  • Eixo dos Solstícios divide o Zodíaco em duas regiões cuja propriedade é que os pontos simétricos equidistantes de Áries ou Libra partilham a mesma declinação do Sol, com sinais contrários (contra-antíscia). O conceito de contra-antíscia é antipatia.
  • Eixo dos Equinócios divide o Zodíaco em duas regiões cuja propriedade é que os pontos simétricos equidistantes de Câncer ou Capricórnio partilham a mesma declinação do Sol (antíscia). O conceito de antíscia é simpatia.
  • Eixo do Horizonte divide o Espaço Local em duas regiões cuja propriedade é que os pontos simétricos equidistantes do Horizonte Leste ou Oeste partilham a mesma altura do Sol (acima e abaixo do horizonte, sinais contrários).
  • Eixo do Meridiano divide o Espaço Local em duas regiões cuja propriedade é que os pontos simétricos equidistantes do Zênite ou Nadir partilham a mesma altura do Sol.
  • De uma perspectiva astronômica, o Eixo Nodal não tem nenhuma simetria específica, uma vez que até mesmo sua inclinação é variável (oscila entre 5° e 5,3°).

O conceito de antíscia e contra-antíscia é pouco compreendido atualmente. A antíscia relaciona simetricamente as Estações do Ano quentes entre si, fazendo o mesmo com as Estações do Ano frias. A contra-antíscia relaciona entre si Estações do Ano opostas, ou seja, Verão com Outono e Inverno com Primavera. De certa forma, correspondem a pontos médios partindo ou dos pontos solsticiais ou equinociais.

Como as relações acima decorrem da insolação, há uma condição energética que atua sobre todo o planeta de maneira contínua e ininterrupta. Ptolomeu e Lilly tem uma explicação bastante complexa para ambas a antíscia e a contra-antíscia. Porém, se compreendermos que se tratam de relações de energia, seu entendimento se torna mais óbvio e lógico.

Quando representamos os eixos acima num dial de 90°, perdemos algumas das referências pois:

  • O Ponto Vernal (00° de Áries) representará os Eixos Solsticial e Equinocial.
  • O Ascendente representará também ao Descendente.
  • O Meio-Céu representará também o Fundo do Céu.
  • O Nodo Norte representará também o Nodo Sul.

O que nos remete a quatro pontos sensíveis. Há perda de representatividade no caso dos Eixos Solsticial e Equinocial; mas não há nenhuma perda com respeito aos demais eixos.

Sob a perspectiva da Astrologia Tradicional, apenas astros formam aspectos. Os demais pontos apenas recebem. Isso implica que não faz sentido indicar um ponto médio entre Ascendente e Meio-Céu, por exemplo. Entretanto, qualquer um dos pontos acima, resultantes dos eixos, podem estar na órbita de um ponto médio resultante de dois outros astros.

A Astrologia Contemporânea não faz esta distinção. Witte e Ebertin incorrem no mesmo erro. Assim, embora os conceituem como pontos sensíveis, também podem ser formadores de figuras planetárias.

Conclusão:

Podemos afirmar que existem cinco eixos de simetria:

  • 02 associados ao Zodíaco.
  • 02 associados ao Espaço Local.
  • 01 associado à relação soli-lunar.

Num gráfico astrológico, as duas primeiras resultam numa relação espaço-temporal, reunindo uma certa data/hora e as coordenadas geográficas do nativo num único resultado. Num dial de 90°, serão representados por três pontos sensíveis (Áries, Ascendente e Meio-Céu).

Já o Eixo dos Nodos tem uma caracterização mais sutil, pois é derivado do cruzamento do plano de duas órbitas.

Uma vez que são pontos sensíveis e absolutamente particulares, qualquer figura planetária que estiver em suas órbitas (dos eixos) deve ser considerada importante e, de certa forma, associada a crises e/ou mudanças significativas.

, , , , , , ,

Deixe um comentário

Cosmograma e Simetria – Estudo inicial

O termo Astrologia Simétrica sempre foi instigante para mim. No Brasil, era praticada exclusivamente por Hanna Opitz. Essencialmente, deriva da Cosmobiologia, que tem como um dos ramos a Astrologia Uraniana. Embora difundida na Europa e especialmente na Alemanha através da Escola de Hamburgo, é praticamente desconhecida em nosso país.

A Astrologia Uraniana desenvolveu-se a partir dos estudos de Alfred Witte, que inseriu oito planetas hipotéticos. A Cosmobiologia foi criada por Reinhold Ebertin que, além de retirar os planetas hipotéticos de Witte voltou seus estudos para a saúde e o desenvolvimento psicológico.

As pesquisas dos dois autores partiram da Astrologia praticada pelos árabes e gregos na Escola de Alexandria, fixando-se nos conceitos que consideraram fundamentais. Ambos se preocuparam em atualizar a Astrologia para um modo de pensar mais apropriado ao século XX. Desta maneira, é bem provável que tenham deixado de lado os autores medievais, já que, em muitos casos, mostram desconhecimento dos fundamentos da Astrologia.

Existem apenas três fontes de referência disponíveis facilmente no mercado:

  • Cosmobiology for the 21st Century, de Eleanora Kimmel.
  • Midpoints, Unleashing the Power of the Planets, de Michael Munkasey.
  • The Combination of Stellar Influences, de Reinhold Ebertin.

O estudo dos livros acima nos leva a crer que a Astrologia Uraniana e a Cosmobiologia são apenas pontos médios, codificados nos livros de Ebertin e Munkasey. Para aprofundar os pontos médios e compreender os conceitos por trás das harmônicas recomendo ainda:

  • Horoscope Symbols, de Robert Hand.
  • Harmonics in Astrology, de John Addey.

Com estes títulos à disposição, você estará pronto para começar a sua jornada. Entretanto, nenhum dos autores acima leva a uma Astrologia que se referencie na simetria. A propósito, o conceito de simetria era largamente utilizado pelos astrólogos árabes e gregos, não se tratando de uma ideia nova.

Há duas definições para simetria:

  1. Conformidade, em medida, forma e posição relativa, entre as partes dispostas em cada lado de uma linha divisória, um plano médio, um centro ou um eixo.
  2. Semelhança entre duas ou mais situações ou fenômenos; correspondência.

As duas se aplicam aos objetivos da interpretação astrológica, seja para determinar uma situação individual como para precisar uma ocorrência. A ideia da simetria é ainda mais interessante quando se avalia a expansão e o desenvolvimento da consciência que, sob uma perspectiva mística, ocorre através do equilíbrio dinâmico dos opostos (também denominado autocontrole).

De maneira absolutamente simplista, são características da Astrologia Uraniana e da Cosmobiologia:

  • Pontos Médios.
  • Harmônicas.
  • Emprego do Dial.

Os pontos médios também são denominados “half-sum”. São relações entre três astros,  descritos de forma algébrica. As partes árabes (que de fato são gregas) são pontos médios.

As harmônicas nada mais são que os aspectos agrupados dentro de certas características. A harmônica mais empregada é H4 (o círculo dividido em quatro seções de 90°). Sua propriedade é que oposições, quadraturas e conjunções são representadas como conjunções e, oposições correspondem a semi ou sesquiquadraturas. Estes aspectos, considerados difíceis, são associados à ocorrência de eventos e/ou mudanças. Os astrólogos-astrônomos árabes discutiam os aspectos utilizando o conceito de raios: diziam haver 360 raios partindo de cada Astro, sendo cinco os mais relevantes.

O gráfico astrológico é representado por meio do dial. Geralmente, um círculo onde está representado o H4, tendo como propriedade agrupar os signos astrológicos por seu modo e que passa a ser denominado Cosmograma

Pelo acima descrito, as casas astrológicas perdem relevância. Apenas o Ascendente e o Meio-Céu são representados no Cosmograma. Ebertin questionava os diversos sistemas de casas existentes, mantendo entretanto o Ascendente e o Meio-Céu pois são os mesmos em qualquer sistema de casas quadrantes. Extinguiu assim uma polêmica que dura séculos.

Eleanora Kimmel vai além, ao questionar se Ptolomeu compreendeu o que eram as casas astrológicas. A autora incorre em grave erro ao questionar o emprego das casas, já que estas representam o movimento diurno (a Terra girando em torno de seu próprio eixo). Ebertin, com respeito às casas, promove o princípio das analogias, tão em voga a partir do envolvimento da Sociedade Teosófica com uma Astrologia absolutamente deformada nos dois séculos anteriores. Este autor, entretanto, embora não faça nenhuma menção direta a como as emprega, não as extingue.

fortuna

Encontramos simetria especialmente nas partes astrológicas. As principais partes são espelhadas, como é o caso da Parte da Fortuna e da Parte do Espírito, ambas tendo o Ascendente como ponto médio. As partes árabes surgiram antes da interpretação das doze casas estar consolidado, algo que ocorreu apenas em torno do século XVII. Estas divergências podem ter contribuído para que Ebertin as descartasse.

A primeira conclusão a qual cheguei é que tanto a Astrologia Uraniana como a Cosmobiologia se tratam, de fato, de uma atualização da Astrologia praticada pelos árabes entre os séculos V e VIII, com a inclusão de outros elementos para lhes dar um viés científico. Ou seja, vale a pena aprofundar o seu estudo e compreensão.

, , , , , , ,

Deixe um comentário