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Uma visão sobre o livre-arbítrio na Astrologia

Uma das polêmicas mais antigas da Astrologia é o livre-arbítrio no mapa natal.

Primeiramente há dois pontos a ser considerados, que se relacionam entre si:

  • O conceito de livre arbítrio.
  • O modus operandi da Astrologia.

Livre-arbítrio x Destino

O campo de desenvolvimento das ideias que norteiam o conceito do livre-arbítrio é a Filosofia. Embora seja anterior ao período grego da História, é neste que se desenvolveu. Várias correntes postularam princípios diferentes para a sua aplicação.

O mesmo se deu nos períodos subsequentes e os autores de períodos mais recentes pouco ou nada acrescentaram ao que já existia.

Em síntese, trata-se de delegar a um ser divino ou exterior mais ou menos poderes para decidir sobre os acontecimentos da vida humana. Ou, sob outra perspectiva, de atribuir mais ou menos poderes de decisão ao ser humano diante da Natureza, do Universo ou de um dado ser divino.

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Uma outra maneira de pensar no livre-arbítrio é tentar entender qual é de fato o grau de liberdade existente para que cada um possa se manifestar ou expressar.

A pergunta a ser respondida neste caso é se está a nossa vida predestinada a partir do nascimento ou não.

  • Se sim, quanto podemos interferir?
  • Se não, quem “escreveu” este destino?

O Iluminismo deslocou este ser divino para a periferia da Criação e, a Ciência moderna o afastou ainda mais para alguma borda ainda não descoberta do Universo. E assim, o Homem se tornou superior a Deus, uma vez que pode decidir inteiramente por si, sem contar com a interferência deste ente criador denominado Deus. De uma perspectiva distanciada, pode-se pensar que o ego precisa desesperadamente de razões para assegurar a sua importância no esquema cósmico…

Mas assim que surge um problema, este mesmo indivíduo olha para o céu em busca de auxílio: “Meu Deus, me ajude…”

O modus operandi da Astrologia

O saber astrológico foi reunido em cerca de 1700 aec, graças aos esforços de Hamurabi. Obviamente, isto implica na existência de um conhecimento anterior. Em torno de 500 aec, chegou à Grécia e apenas em 330 aec é fundada a Biblioteca de Alexandria, por onde passaram os mais importantes pensadores do Oriente Médio. Sua destruição, em cerca de 400 ec, levou à perda de manuscritos valiosos nas mais diversas áreas do conhecimento humano.

O período árabe da Astrologia foi um dos mais produtivos, de certa forma, continuando o que foi realizado no período da Escola de Alexandria. Graças a estes sábios árabes, a Astrologia ingressou na Europa e teve o seu apogeu entre os séculos XIII e XVII, embora tenha sido conceitualmente reformulada por diversas vezes.

Porém, há um grave problema que, Horst Ochman denomina de “problema de origem”: se o saber Astrológico é de fato muito anterior e precisou ser reunido ou unificado, significa que poderia ter sido deturpado ou modificado, eventualmente tornado incoerente ou inconsistente. Portanto, este saber reunido no século XVII aec não é necessariamente o saber original. E é impossível determinar o quanto dele restou para ser reunido, podendo ter sofrido diversos tipos de interferências e influências ao longo dos milênios que separam a sua origem à sua compilação (30 gerações).

E apesar da unanimidade de que a Astrologia como a conhecemos se originou nesta época da História, os astrólogos seguem os preceitos de Ptolomeu, que escreveu Tetrabiblos no século I ec. Sua enciclopédia nem sequer é a primeira da qual se tem conhecimento e ainda, não há nenhum manuscrito original completo de sua obra (as versões atualmente em circulação são o resultado de colagens feitas a partir de duas versões incompletas de sua obra e de referências encontradas em alguns outros autores). A primeira enciclopédia astrológica foi escrita por Nechepso em cerca de 700 aec. Ptolomeu é absolutamente ambíguo em sua introdução ao Tetrabiblos quando descreve como os Astros operam nos eventos da vida humana e sobre o livre-arbítrio.

Há registros de que no século VIII, em Roma, já ocorriam discussões envolvendo o livre-arbítrio a partir da determinação ou não dos astros sobre a vida do nativo. Portanto, esta polêmica não é privilégio do Cristianismo.

No século XVI, Morin de Villefranche, em Astrologia Gálica, postula o determinismo astrológico. Mas é um pastor, astrônomo e matemático quem reconduz a Astrologia aos seus trilhos originais. Johannes Kepler foi professor universitário, mas as suas despesas eram pagas através da Astrologia. Graças a ela, libertou a sua mãe por duas vezes das garras da Inquisição. O seu tratado de ótica explica o modus operandi dos planetas sobre os eventos da vida humana.

Convém apresentar três definições que passariam desapercebidas para os astrólogos contemporâneos:

  1. Aspectos são ângulos através dos quais os astros trocam suas luzes ou se veem.
  2. As órbitas dos aspectos são medidas a partir do centro da posição ocupada pelo astro no céu e não a partir de sua projeção no Zodíaco.
  3. O valor de cada órbita é uma atribuição do Astro e não do aspecto.

No que diz respeito à Astrologia, Kepler estabeleceu que as relações harmônicas (geométricas) entre os Astros e suas diversas combinações são os indicadores de eventos de diversas naturezas, dependendo do que se está estudando. Diz que, desde a criação, existe uma espécie de “memória” disparadora de eventos, baseada na geometria que os astros formam entre si com o nosso planeta ao longo do tempo.

Assim, ele não credita uma determinada ocorrência apenas a um Astro, mas uma combinação espaço-temporal tridimensional que teve o seu ponto de partida no momento da criação (do Sistema Solar). O que Kepler estava afirmando é que as posições relativas dos planetas em torno do Sol (ângulos) contem uma memória de informação.

Este tipo de “memória” é conhecida pela engenharia genética como memória topológica, a capacidade que as células reprodutoras tem de, em intervalos determinados de tempo, quando fecundadas, produzirem um novo ser a partir do embrião. Até hoje se pergunta como aquele conjunto de células sabe que é hora de formar o sistema digestório, uma orelha ou um nariz… Para todos os humanos, há um ciclo semelhante, absolutamente geométrico porque parte das meioses e mitoses da fecundação. Mas cada embrião forma um ser individual e único. Há uma memória de informação comum a todos os seres humanos e que se encontra ligada, através do DNA ao nosso Sol, fonte de toda vida em nosso planeta e, em última análise, fonte de nosso DNA também.

Para Kepler, o todo estava imerso no Um e pelo que vimos acima, a capacidade de decisão do ser humano se tornaria bastante limitada, tratando-se de uma relação entre o potencial disparado em seu nascimento e o momento em que se encontra a partir da geometria entre os Astros representada em seu mapa natal. Isso equivaleria dizer, uma relação entre o mapa natal e as direções e trânsitos, como queria Morin.

Em termos astrológicos, os Astros funcionam como ponteiros de relógios, indicadores de tempo, e não fatores de determinação. Entretanto, a semente, representada pelo mapa natal, esta sim, é um fator determinante para o sucesso ou fracasso do nativo ao longo de toda a sua vida. Morin é muito claro a este respeito, repetindo esta ideia em cada um de seus 26 volumes.

Portanto, o modus operandi da Astrologia, vista em termos contemporâneos, está relacionada à memória da informação contida nas relações geométricas entre os astros, representada no mapa natal.

A minha visão

Morin, entretanto, abordou apenas as questões astrológicas, deixando de lado qualquer outra tergiversação filosófica. Suas colocações são absolutamente racionais e lógicas.

Porém, se o indivíduo for de fato uma combinação de corpo, alma e espírito, o tal do livre-arbítrio jamais poderia estar no corpo, sujeito a todos os tipos de limitações.

Se houver mesmo um ser divino e a consciência for de fato um atributo espiritual deste ser, se houver algum livre-arbítrio, este só poderá ser encontrado no plano da consciência. O espírito se infunde no corpo por ocasião da primeira inspiração e é selada e amalgamada pela alma, ocasião em que tem o seu livre-arbítrio restringido pelas limitações oferecidas pelo seu corpo.

Postulo que a vida é que nem uma faculdade. Você a escolhe em razão de uma visão ou objetivo. Durante a faculdade, você só precisará de 70% de aproveitamento e 75% de presença em todas as matérias para se graduar. Ou seja, na vida, você pode errar 30% e se omitir 25%. Comparo carma a DP, com a vantagem que nenhum carma precisa ser cumprido imediatamente na vida seguinte.

É a consciência que faz as escolhas do que quer realizar naquela vida em particular, decidindo sem quaisquer interferências como deseja alcançar os seus objetivos. Precisa de uma família para lhe dar inicialmente o seu suporte físico (a começar pelo corpo e alimentação). Todas essas escolhas e decisões estão representadas no mapa natal.

Sob esta maneira de ver as coisas, a vida é assunto de sua inteira responsabilidade e cabe-lhe ser gestor(a) de suas próprias escolhas. As decisões que resultaram na sua vida foram tomadas quando de posse integral de seu livre-arbítrio e, com certeza, você fez as melhores escolhas possíveis.

Em resumo, sob a minha visão, o livre-arbítrio existe apenas no plano da consciência e torna-se limitado pelo corpo por ocasião do nascimento. O mapa natal representa o conjunto destas escolhas que, Morin muito apropriadamente chamou de determinações. A comparação com o período passado na faculdade tem o propósito de indicar que cabe a você gerir o seu desempenho e resultados, sem a estrita necessidade de perfeição.

A consciência só reassumirá inteiramente a posse de seu livre-arbítrio algum tempo após ter expirado pela última vez.

Nota: Postulo que o ser humano é um de tríplice natureza, composto de espírito, alma e corpo. A consciência é um atributo divino de natureza espiritual. A alma servindo de interface entre a consciência e corpo, sendo o corpo dotado dos órgãos dos sentidos. Estes últimos alimentam a consciência com informações “traduzidas” pela alma. Intuições e sonhos místicos são as maneiras da consciência “dialogar” com o corpo, através da alma.

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O caso das Progressões Secundárias

As Progressões Secundárias são aquelas decorrentes do movimento da Terra em torno do Sol a partir de um determinado fator de progressão. Portanto, os astros se movem no Zodíaco.

As Direções Secundárias são um subconjunto das Progressões Secundárias e correspondem à data em que um determinado aspecto (astro progredido => astro natal) atingiu a perfeição, à medida que progride.

Assim, podemos dizer que as Progressões correspondem a um mapa, geralmente obtido para a data do aniversário, cujo propósito é indicar o cenário experimentado pelo nativo. Já as Direções apontam as datas dos acontecimentos da vida do referido nativo.
Os fatores de progressão podem ser agrupados em dois grupos:

tabela 1A maior parte dos softwares de Astrologia denominam os métodos acima de Direções.

Placidus popularizou um outro método, bastante empregado nos dias de hoje, em que a idade é convertida em dias. Assim, para saber encontrar a Progressão Secundária do nativo aos 30 anos de idade, basta somar 30 dias à data de nascimento para obter a posição progredida dos astros. O Meio-Céu é obtido a partir de um dos fatores dinâmicos acima indicados, a partir do qual se obtém o Tempo Sideral Local da progressão e a partir dele, as Casas Astrológicas progredidas. Este método é descrito por Ptolomeu, em Tetrabiblos, embora de uma maneira confusa e combina um antigo sistema de Direções Primárias com as Progressões Secundárias.

Este é o sistema de Progressões Secundárias adotado em softwares como Solar Fire e Janus, por exemplo.

Há duas implicações importantes a destacar:

  1. Enquanto os astros se movimentam a partir de suas verdadeiras velocidades, as Casas progridem a partir de um fator associado ao Sol (Arco Solar).
  2. Por este método, as cúspides das Casas Astrológicas terão uma progressão anual sempre próxima a um grau de arco.

Ou seja, há dois pesos e duas medidas para obter as posições dos astros e casas progredidas.

Porém, não foi desta forma que aprendi a calcular um mapa progredido. Aprendi com o professor Celso Schmidt que para obter uma progressão secundária aos 30 anos de idade, deveria recalcular todo o mapa (inclusive Tempo Sideral Local) com os dados obtidos nas efemérides 30 dias após o nascimento. Para quem não se recorda, Tempo Sideral Local é um dos argumentos de entrada para obter a posição do Meio-Céu, Ascendente e demais cúspides.

Hoje em dia, este método está sendo denominado de Progressões Secundárias Verdadeiras, para distinguir do método de Placidus.
Além das posições do Meio-Céu, Ascendente e demais cúspides serem diferentes em relação a todos os métodos acima apresentados, há uma outra implicação importante que geralmente passa desapercebida: em um ano, o Meio-Céu progride cerca de 361°, dando uma volta inteira no Zodíaco e avançando mais um grau.

A tabela abaixo ilustra em mais detalhes o exposto:

tabela 2

No comparativo abaixo, encontram-se destacadas as posições do Meio-Céu e Ascendente nos métodos do Arco Solar, Placidus e Progressão Verdadeira:

mapa 1

 

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O que há de comum nas “Astrologias”?

Recentemente, respondi uma postagem sobre a possibilidade de reunir num mesmo cesto Astrologia Tradicional, Psicológica, Chinesa, Védica, Cármica, Cabalística, Hermética, etc…

Será que é possível? Será que existe algum denominador comum que as poderia entrelaçar uma na outra?

A Astrologia como Conhecimento foi organizada e sistematizada na Babilônia em cerca de 1700 aec, o que pressupõe que já existisse anteriormente. Há registros do saber astrológico no Egito, na Índia e na China. E é provável que também em outros locais, como no norte da Europa e nos Andes. Porém, a corrente que resultou na Astrologia que chegou à Europa (Roma) no século II aec era aquela derivada da Escola de Alexandria, reunindo os saberes dos sábios egípcios (astronomia) com a filosofia grega.
Há registros da observação de Urano na China e na Índia. Nas tabuinhas de argila da Suméria, encontramos registros dos planetas até Plutão, incluindo-se os asteroides.

A Astrologia Védica é contemporânea deste veio principal da Astrologia e, embora tenha forte influência do período inicial da filosofia grega, não se manteve presa a esta, permitindo-se ser permeada por sua própria cultura. Assim, a Astrologia praticada na Índia teve um desenvolvimento à parte, seja em seus aspectos teóricos como filosóficos. Em primeiro lugar, temos que considerar que para as religiões hindus, temas como carma e destino são essenciais para o entendimento de sua cultura. Um hindu nascido numa casta deverá permanecer nesta casta e apenas poderá mudar ao longo de várias vidas sucessivas, a partir de seu merecimento.

Um Mapa Natal védico reflete o destino imutável daquele nativo em particular. Por esta razão, um de seus principais objetivos é encontrar a parceira certa para um dado nativo. Ainda, os métodos de interpretação e são muito diferentes daqueles a que o astrólogo ocidental está acostumado a empregar. Como empregam o Zodíaco Sideral, coexistem diversos métodos diferentes para calcular a correção existente entre os dois Zodíacos (Tropical e Sideral).

A Astrologia Védica desenvolveu-se à mesma época da Astrologia no Egito e na Grécia, mas com uma visão, filosofia e métodos próprios, que a tornaram independente de suas origens.

A Astrologia Chinesa é absolutamente baseada em seu calendário religioso, que é soli-lunar. Não tem nenhuma relação com a Astrologia praticada ocidental ou védica. É provável que a Astrologia praticada pelos celtas, pelos povos dos Andes e talvez até pelos maias seja semelhante, variando apenas os animais atribuídos aos meses/signos. Por serem soli-lunares, não se utilizam dos outros planetas.

Abraão é considerado o pai da Cabala. Mas era, antes de tudo, astrólogo, como atestam certas passagens na Bíblia. A Cabala é uma tradição que remonta aos primórdios da civilização e tem a sua origem na Suméria. Explica desde a criação do Universo até acontecimentos e eventos mais cotidianos da existência humana, oferecendo um diagrama com soluções para os desafios que se apresentam pelo caminho. Tem em si uma espécie de sistema astrológico criptografado e que pode ser considerado a origem de outros sistemas. Dentre eles, podemos citar algumas correntes místicas e mágicas que empregam a Alquimia interior.alexandria

O neo-platonismo exerceu forte influência no pensamento dos ocultistas e místicos principalmente a partir do século VI e é o veio comum que une a Astrologia Tradicional à Cabala, embora com propósitos aparentemente diferentes. No entanto, os símbolos e a linguagem astrológica encontrados na Cabala são semelhantes àqueles encontrados na Alquimia, codificados pelos sábios da Escola de Alexandria nos primeiros séculos da Era Comum. O neo-platonismo e a visão aristotélica de mundo que nortearam a Astrologia Ocidental, seja ela em sua corrente muçulmana como na corrente helenista. Enquanto que a primeira se ocupava da precisão e voltada para os acontecimentos astronômicos, a segunda se ocupava da harmonia e da beleza que o movimento dos céus proporcionava. Durante os séculos seguintes, a Astrologia que se desenvolveu na Europa, tentou conciliar estas duas formas de lidar não apenas com a Astrologia, mas principalmente com os eventos da vida. Embora não divergentes, cada uma tem um propósito próprio.

Esta grande revisão dos manuscritos árabes e gregos na Idade Média deu origem ao período clássico da Astrologia. É também o período clássico da Cabala. Diversas linhas de correntes iniciáticas também surgem nesta época, como resultado do saber trazido pelo povo árabe (incluindo-se o povo judeu). A Alquimia e a Magia tiveram forte desenvolvimento nesta época, sempre com o uso da simbologia astrológica. Uma vez que ambas correntes serviam tanto para a transformação interior como para a exterior, foram, juntamente com a Astrologia e a Cabala, estudadas com afinco nos monastérios.

A Astrologia Hermética é um ramo importante da Astrologia e tem a sua codificação neste período graças aos escritos atribuídos a Hermes Trimegisto. Liga-se diretamente à Cabala e acredito que sua tradição ocorreu paralelamente a esta, se não, em seu próprio interior.

O Iluminismo trouxe o desenvolvimento do pensamento humano e das ciências. E, com ela, o livre-arbítrio. Ptolomeu, no século I ec, já escrevera a respeito introdução do Tetrabiblos, portanto, não era um assunto novo. A novidade do século XVII foi dissociar o divino da humanidade. A Astrologia e as outras Artes entraram em declínio, passando a ser estudadas de forma velada ou em segredo. Exteriormente, perderam a sua identidade.

Na virada do século XIX para o século XX surgem várias Ordens Iniciáticas e Escolas de Mistérios, busca do reviver os “segredos” do universo e da transformação pessoal através das Artes de outrora. É neste mesmo bojo que surge a Sociedade Teosófica. Seu propósito era ainda mais amplo, pois o cristianismo vivia uma crise de descrédito.

A Sociedade Teosófica, por meio de seus fundadores, reuniu aspectos da filosofia hindu à tradição ocidental. E foi ela que deu origem à Astrologia Cármica, numa adaptação ocidental à Astrologia Védica. No século XX, foi ela que atribuiu os significados aos astros após Saturno. E ao fazê-lo, sem qualquer vínculo com a Tradição, quebrou a Harmonia celeste tão preciosa aos astrólogos da Antiguidade.

A Astrologia Contemporânea surgiu então como uma combinação da Astrologia Tradicional e das atribuições teosóficas aos planetas após Saturno e que foram adaptados e readaptados a partir da década de 50 combinados ainda à Psicologia. Os métodos de interpretação da Astrologia Tradicional e da Contemporânea são diferentes, uma vez que seus objetivos também o são. Estas diferenças podem ser encontradas em mais detalhes neste artigo.

Qualquer Tradição, para ter valor, precisa ser viva, adaptando-se ao seu tempo e local. Contudo, uma das características de uma Tradição é que as suas verdades permanecem inalteradas ao longo dos séculos, mudando apenas a linguagem que a expressa. Por esta razão que qualquer Tradição é composta de princípios simples e muitas vezes, excessivamente óbvios. Qualquer mudança ao corpo das verdades da Tradição revela falta de conexão com a essência (Espírito) que anima esta Tradição e portanto, deixa de ser tradicional e dá origem a algo novo que não é mais tradicional.

Embora a Tradição permanecesse viva nas Escolas de Mistério, a Astrologia Clássica se caracteriza pelas adaptações dos manuscritos gregos e árabes, revendo conceitos que não entendiam e, muitas vezes, até reformulando-os.

Por outro lado, a Astrologia Contemporânea realiza uma ponte com a Psicologia, adaptando este estudo à linguagem astrológica que chegava no início do século XX com a intervenção da Sociedade Teosófica.

Assim, podemos concluir que apenas a Astrologia baseada na Tradição pode se conciliar com as outras Artes. Como as diversas correntes astrológicas derivam de saberes variados, conceitos filosóficos e culturais muitas vezes antagônicos, não é possível reunir as correntes astrológicas sem descaracterizá-las.

Notas:

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Para obter o Regente do Ano

Uma discussão no Facebook me levou a uma salutar pesquisa sobre o tema. Tive o prazer de conhecer Robert Ambelain em 1990, com quem fiz um curso de Ajuste de Hora. Porém, durante os dois meses em que frequentei a casa deste ilustre senhor, aprendi muito mais do que havia me proposto.

Em seu livro “Retorno à Alexandria”, ele trata de dois métodos para obter o Regente do Ano.  No entanto, ele defende a ideia de que o Tema do Ingresso do Sol em Capricórnio deveria ser utilizado para avaliar as características do ano. Dizia ele que da mesma maneira que o dia começa à meia-noite, é o tema do Solstício de Inverno (Hemisfério Norte) que equivale à “meia-noite” e melhor caracterizaria o ano, além de estar mais próximo do dia 1º de Janeiro. Embora tenha a sua razão, usa-se o tema do Ingresso em Áries por se tratar do primeiro Signo.

Segundo os astrólogos medievais, se o Ascendente estiver em Signos Cardinais, será necessário avaliar todos os quatro ingressos; em Signos Fixos, o tema valerá para todo o ano; e em Signos Móveis, basta ainda calcular o Ingresso em Libra.

No 1° método, o Regente do Ano é aquele considerado o mais forte no tema, a partir uma certa contagem de pontos. Conforme se pode observar, o fato de empregar as Casas Astrológicas na contagem dos pontos faz com que possam existir diferentes Regentes do Ano para diferentes localidades no mundo.

O planeta mais forte do tema é considerado o Regente do Ano:

  • Planeta em seu Domicilio ou sua Triplicidade: 3 pontos.
  • Planeta em Exaltação: 4 pontos.
  • Planeta regente da Hora Planetária: 6 pontos.
  • Planeta regente da Casa I: 5 pontos.
  • Planeta na Casa I: 5 pontos.
  • Planeta na Casa II: 6 pontos.
  • Planeta na Casa III: 3 pontos.
  • Planeta na Casa IV: 9 pontos.
  • Planeta na Casa V: 7 pontos.
  • Planeta na Casa VI: 2 pontos.
  • Planeta na Casa VII: 10 pontos.
  • Planeta na Casa VIII: 4 pontos.
  • Planeta na Casa IX: 5 pontos.
  • Planeta na Casa X: 12 pontos.
  • Planeta na Casa XI: 3 pontos.
  • Planeta na Casa XII: 1 ponto.

No 2° método, são empregadas tabelas de “conjunções”. Estas tabelas são indicadas no Centilóquio L, de Ptolomeu. Surge através dos astrólogos judeus, que praticamente copiaram o que havia na Babilônia, por ocasião de seu cativeiro. Trata-se de um ciclo de 119 anos que tem início por ocasião do surgimento de Adão, datado em 4000 aec. Contudo, é provável que para os caldeus, a data de início deste calendário tenha ocorrido em algum momento astronômico preciso. Este método era empregado por Nostradamus.

119

Porém, existe um 3° método, divulgado por Saint Germain. Nestas tabelas, o ciclo completo é de 36 anos. Este é o método utilizado nas Ordens Ocultistas com sede na França e chegou ao Brasil particularmente através da OMB, da qual Francisco Lorenz era integrante. Deve-se a ela a popularização deste método no Brasil. As primeiras tabelas publicadas contemplavam o período de 1800 a 1938, sendo ampliadas posteriormente por outros(as) astrólogos(as). O atual ciclo é o do Sol, cuja tabela pode ser encontrada em 2014 – Ano de Júpiter.

Em relação ao 1º método, segue o resultado do cálculo do Planeta Regente do Ano, com o tema de Ingresso calculado para São Paulo e Berlin. Note que, como a disposição das Casas Astrológicas (Placidus) é diferente, resulta num regente diferente para cada localidade.

ingressos

Em São Paulo, o Regente do Ano é a Lua; em Berlin, o Sol.

A tabela abaixo apresenta os ciclos para o 2º método:

119_14Como podemos perceber, há várias maneiras de obter o Regente Anual e nenhuma delas pode ser considerada “errada” simplesmente pelo fato de ser “aritmética”. A Estrela dos Magos é a fonte de referência de dois dos métodos acima. E, com relação aos 1º método, localidades de diferentes longitudes terão diferentes regentes, o que pode criar alguma confusão.

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Schumacher em coma induzido

sc03Michael Schumacher, o piloto mais vitorioso da F1, acidentou-se enquanto esquiava. Bateu com a cabeça numa rocha, resultando em grave traumatismo craniano. Já passou por duas cirurgias e é mantido em coma induzido. Seu estado é considerado crítico e luta pela vida.

Uma pesquisa sobre este tipo de lesão não sugere resultados alentadores: pode levar à morte ou, o no mínimo, deixar sequelas. É muito raro passar incólume.

Ele nasceu em 03/01/1969, às 13:43, em Hürth, GER. Sua vida foi marcada pelo risco. Mesmo assim, um acidente desta natureza deveria estar indicado no mapa natal. Uma primeira abordagem mostra:

  • Sol na Casa VIII, Capricórnio: Natureza calculista e determinada, sem medo da morte, que é encarada de maneira fria. Ao final de uma corrida, em que acusou Dammon Hill de condução perigosa, teria dito: “Se quiser me matar, encontre uma outra maneira.”. Este Luminar forma uma quadratura com o seu regente, em Áries, signo da Exaltação do Sol.
    Nasceu algumas horas antes da Lua Cheia, o que torna ainda mais frio, calculista e crítico com relação a si mesmo e aos demais. Esta Lua domiciliada em Câncer, na Casa II, é o Hyleg, segundo Bonatti.
  • Marte domiciliado em Escorpião, na Casa VI: É o risco calculado, mas também, a aposta no limite entre a vida e a morte. Juntamente com o Sol e Júpiter (em Libra, na Casa VI), indica o comportamento do piloto nas pistas. Este planeta é o Alcohoden.
  • Saturno encontra-se feliz na Casa II, embora em Queda e num signo interceptado (Casas de Campanus). Portanto, o dispositor do Sol e de Mercúrio, regente do MC, é um astro que não conta com toda a sua força para realizar o que é de sua natureza. Portanto, o seu papel de oferecer limites ou funcionar como um freio, é prejudicado por sua condição no Mapa Natal.

Uma abordagem mais detalhada tem de necessariamente passar pela estrela Alcyone, colocada no Ascendente, numa órbita 11′. A literatura indica que, junto ao Ascendente, é um indicador de ambição, fama e glória. Mas igualmente, de acidentes na cabeça, na face e nos olhos.

sc01O acidente de esqui ocorreu às 11:07, na estação de Meribel, em Albertsville, FRA. Os trânsitos apontam para a falta de atenção e cuidado (Mercúrio Cazimi, Vênus retrógrada no MC, Marte quadrando a Lua e o Sol). A quadratura entre Marte e a Lua, que é o Hyleg, é um indicador de acidente, mas não pode ser tomada isoladamente.

Usando-se o método do Arco Solar, obtido para o dia e hora do acidente, obtém-se:
sc02

  • Marte trígono com Saturno natal.
  • Sol conjunção com Vênus natal (Hyleg, segundo Ptolomeu).
  • Fortuna conjunção com Sol natal.

Nenhuma das indicações acima aponta para seu falecimento.

Saturno é o astro que governa o período da Firdária. Conta com a participação do Sol até Abril de 2015. Novamente, uma indicação de uma longa permanência num hospital ou internação e reabilitação demorada.

A Profecia para 2014 coloca o Ascendente na Casa IX. Neste caso, o MC estará na Casa VI e o IC na Casa XII. As configurações do regente da Casa VI sugerem que, através do seu tratamento, esteja lutando por sua vida (como já foi noticiado). Mas como o regente da Casa XII se encontra na VI, a recuperação não depende apenas da qualidade e natureza do tratamento ou cirurgias pelas quais tenha de passar. Assim, a Profecia não é tão promissora quanto ao futuro do piloto.

Placidus considerou o método do Alcohoden confuso e impreciso e aperfeiçoou o seu sistema de Direções Primárias. Fazendo os cálculos pelo método dos semiarcos e empregando as direções mundanas chega-se que, no dia 22/12/2013, Marte forma uma oposição com Vênus. Este último astro é o regente do Ascendente e é considerado o Hyleg, por Ptolomeu. Portanto, as Direções Primárias também não apontam para a sua morte, mas para um tratamento severo e que oferece graves riscos, especialmente ao sistema nervoso.

As últimas notícias confirmam a seriedade do estado de saúde de Michael Schumacher. Alguns acreditam que não resista ao traumatismo e acabe falecendo. As indicações astrológicas não apontam nesta direção. Contudo, não sou Deus: há resoluções que só cabem à Ele.

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Haverá guerra ainda?

A Primavera Árabe se caracterizou por uma série de manifestações ocorridas no Oriente Médio e que, em alguns casos, resultaram na deposição de governos autoritários. Em certos momentos, o Ocidente participou direta ou indiretamente para tentar preservar a população civil de maiores massacres.

Os países envolvidos se caracterizam por facções tribais ou que pretendem a supremacia do islamismo. Nestes países, há uma forte componente teocrática o que tem provocado ainda mais sectarismo num caldeirão que há milênios ferve sem parar. Por fim, há ainda a questão da Jihad e da Al Qaeda, profundamente infiltrada entre a população rebelde.

As milícias armadas são o maior problema para uma intervenção militar em qualquer destes países pois, ao final das contas, não é possível saber onde irá parar o armamento ou se acabará incitando ainda mais instabilidade na região.

Porém, há três países de interesse estratégico sobre os quais pouco se tem falado. A Israel não interessa uma intervenção armada de qualquer natureza, uma vez que a Síria e o Irã são inimigos tradicionais desta pequena nação que, ao final das contas, acabará mesmo ficando por conta própria se o conflito se ampliar. A Síria é um país fortemente militarizado e, enquanto tem de cuidar de sua guerra civil, não irá provocar o Israel. E há a questão do Irã, uma nação teocrática com poderio nuclear. Se atacadas, Síria e Irã com certeza apontarão suas ogivas para Israel, com consequências imprevisíveis.

Ou seja, não é tão fácil assim para os EUA ou Rússia se aventurarem a uma intervenção. A diplomacia é mesmo o melhor caminho, a apesar do desrespeito às convenções internacionais dos quais estes países não são signatários.

Porém, ao analisar o mapa da Síria, o quadro que se tem é preocupante. Este conflito se iniciou por ocasião do Eclipse de 04/01/2011, que não foi visível em Damasco. A interpretação dos Eclipses segundo Bonatti e Ptolomeu indicam que a força deste Eclipse é até 11/2014. Contudo, não dá passa desapercebido o fato que Marte estará transitando o Ascendente (Natal) e Saturno (Eclipse) entre Janeiro e Junho de 2014, período que acredito ser o mais tenso quanto ao desenvolvimento do conflito na Síria.

Siria

O Eclipse de 05/2012 ocorreu formando conjunção com Alcyone, tradicionalmente uma estrela belicosa e em conjunção com Marte do mapa da Síria. É mais um indicador de conflito, porém, de natureza interna. Aponta para o esforço de minar as manifestações e a guerra civil, mas também de ações traiçoeiras de ambas as partes, seja do governo como dos rebeldes. Além da população, não há inocentes nesta estória.

Siria 2

O Eclipse de 11/2013 pode marcar o início da contenção das armas, especialmente as químicas, no regime do presidente Bashar al-Assad. Não há nenhuma indicação de riscos corridos por militares estrangeiros, seja da OTAN, da ONU ou de outras nações ocidentais. Não há interesse em depor o presidente Bashar al-Assad, uma vez que ele combate justamente os milicianos jihadistas e da Al Qaeda. E se for deposto, poderá ocorrer o mesmo caos existente na Líbia.

Conclusão: Apesar de todas as fortes indicações de tensão, não há força suficiente para uma intervenção militar, mesmo cirúrgica. O trânsito de Marte em Libra, na região do Ascendente, sugere a pressão, mas também, uma via diplomática tensa por meio de um linguajar aparentemente duro. A sequência dos Eclipses Solares sugere tensão popular sem solução imediata ou deposição do presidente Bashar al-Assad. É mais provável que se busque circunscrever a guerra civil a limites toleráveis pela opinião pública do Ocidente.

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Astrologia Moderna e Tradicional

Se você acha que a diferença entre a Astrologia Tradicional e a Moderna é apenas uma questão de usar ou não os planetas geracionais, então recomendo a leitura dos tópicos que apresento abaixo.

Há uma tendência em julgar que a Astrologia Moderna ou Psicológica é um desenvolvimento natural da Astrologia Tradicional praticada entre os séculos XI e XVI na Europa.

A Astrologia Védica e a Chinesa o são diferentes da Tradicional: ambas tem um conjunto particular de métodos e técnicas que não mantém relação com a Astrologia Tradicional. O mesmo pode ser dito da Astrologia Moderna, uma vez que ela é fruto do pensamento e das filosofias dos séculos XX e XXI, sendo independente dos métodos e princípios empregados na Astrologia Tradicional.

Vejamos então as principais diferenças entre ambas:

A Astrologia Moderna emprega em seus fundamentos uma base filosófica que não é astrológica em sua natureza:

O empenho de muitos astrólogos em tornar a Astrologia científica agregou diversos assuntos que são totalmente estranhos a ela: fractais, teoria do caos, física quântica, justificados pelos tratados de Freud e Jung.

A Astrologia tem a sua fundamentação filosófica no platonismo e no hermetismo, com objetivos espirituais que dispensam qualquer justificativa matemática ou científica. Estas correntes levam naturalmente para uma visão mágica ou religiosa dos movimentos celestes, pois são orquestradas por um ser divino em sua essência. E, a visão do céu dos antigos astrólogos era geocêntrica por uma questão de obviedade, uma vez que a Astrologia representa o que é visto.

Estes mesmos astrólogos modernos que introduzem as teses científicas, na maior parte das vezes, apenas as conhecem superficialmente. E talvez desconheçam autores clássicos como Ptolomeu, Vetius Valens, Manillius, Dorotheus, Al Biruni, Abu Mashar, Ibn Ezra, William Lilly, dentre tantos.

A Astrologia Tradicional vê as coisas separadas do nativo:

A Casa II é o dinheiro. Em Astrologia Tradicional representa os seus ganhos, o dinheiro que você ganha e gasta, suas posses, bens e recursos. Ainda, se ele virá facilmente e em quantidade; ou, ao contrário, será obtido a duras penas. Portanto, trata do dinheiro real, aquele empregado para pagar as contas e, eventualmente, a consulta do astrólogo.

A Astrologia Moderna avalia como você lida com o dinheiro, se ele lhe faz bem ou não. Trata-se de um “dinheiro mental” ou “emocional” e não o dinheiro de verdade. Como você se sente quando tem dinheiro? Esta é uma pergunta típica… Ou seja, a Astrologia Moderna tem um enfoque subjetivo sobre temas comumente objetivos.

A Astrologia Moderna interpreta apenas o Mapa Natal:

Desde o início do século XX e posteriormente, com o advento da Psicologia, a Astrologia deixou de tratar de temas objetivos prendendo-se exclusivamente em questões subjetivas associadas à personalidade do nativo. Esta, não possibilita fundamentação para o estabelecimento de previsões ou ainda, para outras técnicas como a Astrologia Mundial, Horária ou Eletiva, ramos da Astrologia Tradicional.

Deste aspectos, se desenvolvem dois outros:

A Astrologia Tradicional tem seu foco na predição; a Moderna, na explicação:

Ao interpretar o caráter do nativo, a Astrologia Tradicional tem como objetivo estabelecer as datas ou épocas em que os eventos prometidos no Mapa Natal ocorrerão. Na Moderna, explicar ou justificar seu comportamento diante das circunstâncias que o envolvem.

A Astrologia Moderna não gosta de dar más notícias:

O importante é que o nativo é dotado de livre-arbítrio para mudar a sua vida. E mesmo que o dinheiro ou a promoção não cheguem, isso não deve ser motivo de infelicidade…

Para dar boas notícias, a Astrologia Moderna mudou até alguns significados clássicos. Isso é mais visível nas Casas Astrológicas:

A Casa VI, tradicionalmente a casa das enfermidades e da servidão, se tornou a casa da saúde…

A Casa VIII, associada à morte, se transformou na casa do sexo e da transformação…

A Casa XII, do exílio e dos inimigos secretos virou a casa da espiritualidade…

A Astrologia Moderna não sabe o que fazer com as dignidades essenciais e acidentais:

Marte, o planeta do conflito e da discórdia, bem como, dos ferimentos em geral, se tornou o astro da iniciativa e da energia. Na Astrologia Tradicional, sua ação sobre as casas ocupadas pelos signos de Áries e Escorpião é tão importante quanto a casa que ocupa fisicamente.

Ainda, a Astrologia Moderna não sabe bem o que dizer quando um astro se encontra debilitado e tende a interpretá-lo normalmente.

A Astrologia Moderna foca a sua interpretação nos astros geracionais:

Um enorme paradoxo, pois a Astrologia Moderna se diz voltada para o indivíduo e tende a explicar as diferenças entre os nativos a partir de configurações de Urano, Netuno e Plutão, astros muito lentos e de natureza geracional!

A Astrologia tem sua provável origem em algum momento em cerca de 2400 aec, sendo compilada pela primeira vez sob Hamurabi, em cerca de 1700 aec. Floresceu no período da Escola de Alexandria, com enormes contribuições de astrólogos gregos e árabes. Esta é a base sobre a qual se fundamentou a Astrologia Tradicional, que ingressou na Europa no século XII, em plena Idade Média. 

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