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A Tradição da Astrologia

A Astrologia Tradicional está na moda. Novos livros e traduções surgem nas estantes, muitos em português. O aspecto positivo é tornar acessível o conjunto de métodos que compõem este saber arcano. Contudo, estes métodos parecem complexos para o estudante acostumado com a linguagem psicológica da Astrologia contemporânea.

Como o próprio nome já diz, há uma tradição por trás da razão de ser de cada atribuição de força dos astros: uma “filosofia” que tece a razão de ser de cada ação indicada no Horóscopo.

Sob uma perspectiva acadêmica, o conhecimento astrológico foi reunido pela primeira vez na Babilônia, por Hamurabi, no século XVII aec. Esta afirmação implica que existia um saber,  mesmo que não unificado, anterior a esta época. Ainda, devia existir uma razão para que este conhecimento estivesse em poder dos sacerdotes.

É fato que as observações astronômicas avançadas já existiam, comprovadamente, pelo menos desde cerca de 4000 aec. É bem provável que sejam até anteriores, como sugerem alguns autores. Aprendemos na escola, entretanto, que a civilização moderna, agrupada em cidades, começou por volta de 2300 aec, na Mesopotâmia. Então, o que dizer daqueles que construíram as Pirâmides e a Esfinge, no Egito? Os vários círculos de pedra existentes na Inglaterra? Diversos registros de Urano e Netuno encontrados na China e no Vale do Indo? Há uma lacuna a ser preenchida para que esta equação se feche.

Primeiramente, considero pouco provável que a Astrologia e a Astronomia tenham surgido nas épocas que lhas assinalamos. Os registros de tabletes em escrita cuneiforme da civilização da Suméria apontam para um período ante-diluviano. Os Patriarcas bíblicos tinham amplos conhecimentos astrológicos, da mesma forma que pareciam conversar com o seu deus como se usassem um telefone. O mesmo se dava com relação aos Reis da Suméria quanto aos seus deuses.

Quem eram estes deuses? Quem sabe, os Vigilantes, os verdadeiros criadores, como apontei em dois outros artigos. Assim, é muito provável que a Astrologia se tratasse de uma filosofia que buscava manter o contato ou ligação com estes deuses (Elohim), de alguma maneira associados aos astros correspondentes. Os mitos de diversos povos e culturas são muito semelhantes entre si, o que leva a supor que se tratam de histórias que realmente ocorreram em tempos muito remotos. Isto implicaria dizer que deuses e semi-deuses conviveram com a humanidade em alguma ocasião.

Na Bíblia há passagens em que os anjos (Elohim) se unem às filhas dos homens e dão à luz a gigantes. Seriam estes os semideuses? Porque os Patriarcas tiveram uma duração de vida tão longa? Seria em razão de uma genética divina?

Com estas ideias em mente, é natural supor que o saber astrológico, na medida em que servia para mediar a humanidade diante dos deuses, deveria mesmo ficar na mão de poucas pessoas, no caso, os sacerdotes. Portanto, a Tradição a qual me refiro diz respeito à comunicação com estes deuses que hoje denominamos a partir do panteão greco-romano. Estes mitos são muito semelhantes àqueles que se originaram na Mesopotâmia. De fato, parece que os deuses iam apenas mudando de nome conforme a região do planeta, preservando as suas atribuições.

A Escola Pitagórica tinha os seus ensinamentos baseados inteiramente nesta busca de associar-se aos deuses de acordo com o que se desejava alcançar. A Tradição Astrológica teve uma grande contribuição dos indivíduos que por ela passaram. Vale mencionar Plotino, filósofo neo-platônico e crítico da Astrologia. Escreveu as Enéadas, um tratado prático de como se preparar individualmente para se conectar às forças planetárias e, através delas, aos deuses. Adiante, temos Marcelo Ficcino, Pico de la Mirandolla, John Dee, que desenvolveram um intenso trabalho teúrgico que, em última escala, é astrológico.

Portanto, a Astrologia Tradicional, antes de ser um conjunto de métodos e técnicas, é um meio de se reconectar aos deuses. Este saber, entretanto, não se encontra disponível nas prateleiras, pois permaneceu com os sacerdotes e com os iniciados. Por mais que a Astrologia Tradicional pareça se voltar para a predição ou ainda, estar voltada para os fatos do cotidiano é, acima de tudo, uma Arte de forte sentido espiritual, que abre os portões para uma verdadeira gnose e o encontro com a nossa verdadeira essência.

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Os Regentes do Tempo (Cronocratas)

Com métodos aparentemente simples, os astrólogos gregos obtinham excelentes resultados em suas predições. Será que podemos repetir as suas técnicas nos tempos atuais?

A Astrologia Helenística foi praticada entre os anos de 150 aec e 600 ec. É considerada a base da Astrologia Ocidental e da Védica.

Os Regentes do Tempo era uma maneira de dividir a vida do nativo em períodos associados aos astros. Vettius Valens e Dorotheus descrevem métodos ligeiramente diferentes para as épocas de clímax, mas são unânimes em afirmar que os acontecimentos indicados no Mapa Natal ocorrem geralmente ao final do período de cada astro ou de seu regente.

A tabela abaixo ilustra a atribuição dos anos de cada astro:

O período menor é baseado no ciclo sinódico de cada astro em relação ao Sol. O período do Sol é derivado do ciclo metônico (recorrência dos eclipses). Com relação à Lua, há diversas hipóteses, mas é provável que corresponda a intervalo de tempo para que uma fase se repita no mesmo dia do ano.

Os períodos maiores são baseados no número de graus que cada astro ocupa nos Termos.

Uma curiosidade a respeito dos períodos menores é que a soma do dobro, metade e terço de todos os astros corresponde a 365,5, que é o número de dias do ano:

Firmicus Maternus indica que a soma do dobro, metade e terço corresponde ao número de dias que cada astro governa ao longo do ano. Segundo Vettius Vallens, a partir do aniversário, o primeiro astro será o regente da profecia e governará o primeiro período do ano, seguindo-se da Estrela Setenária.

Outro sistema emprega os períodos menores em conjunto com as ascensões oblíquas que, transformadas em tempo, são precursoras das Direções Primárias.

Contudo, a Cronocracia mais conhecida é, sem dúvida, a Firdária. Segundo Al Biruni, toma-se o Sol para nascimento diurno e a Lua, em nascimentos noturnos. Cada astro governará pelo número de anos de seu período menor. Cada período pode ainda ser dividido em sete subperíodos, como uma espécie de “subfirdária”.

Por este método, os períodos significativos, com a ocorrência de um evento importante relacionado à interpretação do astro no Mapa Natal são:

  • Final do período menor de cada astro.
  • Firdária com a participação de seu regente ou astro com o qual forme aspecto.
  • Firdária com a participação do regente do Ascendente.

Quanto mais importante um astro no Mapa Natal, maior será a importância do período que governa.

Cumpre notar que os gregos adotavam o método de Casas Iguais e que o Ascendente poderia ser o signo ocupado pelo grau da Parte da Fortuna (diurna ou noturna).

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O Velho no Pântano

Acabou a brincadeira. Com o ingresso de Saturno no signo de Escorpião, chegou a hora de levar a vida e principalmente os problemas de um modo mais maduro, consistente e seguro. Em outras palavras, não dá mais para varrer a sujeira para debaixo do tapete.

Saturno é um astro frio e seco, ou seja, contrai, atrapalha, cria dificuldades, atrasos e obstáculos para tornar a sua, a minha e a nossa vida mais difíceis. Sua natureza tende ao isolamento e à melancolia, com uma nota malévola. Já Escorpião, é um signo feminino, fixo, frio e úmido, que igualmente se contrai, embora forme laços. A natureza deste signo é atrair, reter e contrair. Governado por Marte, Saturno sente-se parcialmente confortável neste signo em razão do frio que compartilham.

O simples fato de Marte e Saturno serem maléficos não assegura que sejam amistosos entre si. Ambos tem diferenças que caracterizam as suas atuações de maneira autônoma.

A imagem que melhor descreve o trânsito de Saturno em Escorpião é a de um velho andando num pântano, lentamente e com dificuldade.

O papel de Saturno é construir a partir das estruturas e, para isso, ele costuma destruir o que já perdeu o seu valor. Este astro governa a morte e tudo o que estiver a ela relacionada (esqueleto, restos mortais, cinzas, cemitérios, memoriais, epitáfio).

Já Escorpião, é o signo da verdade nua e crua a qualquer preço. Portanto, associado a todos os tipos de investigações que revolvem todas as possibilidades.

Assim, Saturno em Escorpião tem uma natureza fertilizante na medida em que revolve a terra para uma semeadura futura. Porém, neste processo, muita podridão acabará ficando exposta à superfície.

Se o Sol representa o presidente, Saturno é o juiz que estabelece os seus limites bem como, as regras da sociedade. Consciente de sua própria fraqueza, o Escorpião age a partir das sombras, com discrição e pronto para atacar (ou se defender) com o seu veneno na cauda. Há uma confrontação de poderes, uma vez que Saturno representa um poder visível, estabelecido, natural; enquanto que o poder exercido pelo veneno do Escorpião é sub-reptício e muitas vezes traiçoeiro.

Portanto, é hora de uma limpeza profunda em sua vida, de remover o lixo que se encontra escondido sob a geladeira ou atrás dos armários. Terá de encarar os ressentimentos de seu passado de tal modo a abandoná-los definitivamente para não sucumbir aos remorsos que virão, caso os deixe onde estão.

Trata-se ainda de uma limpeza ética, onde os valores da sociedade serão limados e retificados através da aplicação da Lei. Contudo, há o risco dos excessos próprios da natureza deste signo sem meias medidas. Este não é um astro de conflitos ou guerras, mas de suas causas, na medida em que tenderá a destacar o que há de verdadeiro ou real tanto na economia como nos aspectos sociais. A tendência é de um maior controle do Estado através das Agências Reguladoras.

O Ingresso de Saturno em Escorpião se dá em 05/10/2012.

1ª retrogradação: 18/02 a 08/07/2013 (1ª Estação em 15/10/2013), nos termos de Júpiter.

Tempo de pragmatismo e de fazer o dever de casa retomando modelos já conhecidos. Esta configuração lida claramente com questões de economia. Se ainda não colocou as suas contas em ordem, negocie com os seus credores. Você notará que as instituições financeiras estarão mais interessadas em receber do que você em pagar. Há uma forte tendência ao regionalismo econômico e ao protecionismo em geral. Os marcos regulatórios da economia são ajustados para a realidade de um cenário pessimista.

Trígono com Júpiter retrógrado: 12/2013.

O Natal não será tão próspero quanto foi em outros anos. Porém, as instituições financeiras se mostram fortes o bastante para sustentar uma tempestade de pessimismo vinda de vários setores da sociedade. Há uma aposta de que as dificuldades são temporárias e passageiras. Boas oportunidades para o empreendedorismo e os negócios familiares.

2ª retrogradação: 02/03 a 20/07/2014 (1ª Estação em 28/10/2014), nos termos de Vênus e Júpiter.

Com pouco dinheiro circulando, o Estado intervirá na economia para que torne a entrar nos trilhos. O comércio, em escala mundial não consegue gerar os recursos necessários para movimentar a indústria. É o setor público que sustenta a economia neste período. Como já ocorreu em tempos de crise anteriores, os metais, gemas e pedras preciosas que funcionarão como base de valores e moeda.

Conjunção de Marte: 26/08/2014.

É pouco provável que ocorra algum evento em particular ou bombástico, porém, em torno desta data, as medidas reguladoras instituídas pelo Estado em períodos anteriores começam a surtir os efeitos desejados. Embora ainda não haja motivo para comemorar, as expectativas de uma retomada do crescimento são mais palpáveis.

O ingresso em Sagitário se dá em 23/12/2014, com um outro ambiente econômico e financeiro.

Lembre-se que Saturno sempre mostra o seu valor e importância ao longo do tempo. Entretanto, as ocasiões mais significativas em que transita o signo de Escorpião, este astro obtém a colaboração benéfica de Júpiter, resultando em boas expectativas depois de um certo tempo de crises e dificuldades.

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Sentir ou viver no mundo real?

Previsão ou predição? Há uma diferença conceitual em ambos os vocábulos. Prever é “ver antes ou mais longe”. Embora predição tenha essencialmente o mesmo significado, implica em verbalizar um vaticínio. Em ambos os casos, visa descrever um evento ou acontecimento futuro.

Conquanto que os indivíduos não consigam se manter no presente (um enorme desafio!!!) oscilam a sua atenção ou consciência entre o passado e o futuro. Como o passado já é conhecido, buscam descortinar o futuro, o amanhã, independente de quão longe ou perto possa estar. Informação: saber é poder. Em todas as esferas da vida e em todos os campos da atividade humana, inúmeros métodos foram desenvolvidos ao longo dos tempos para predizer o futuro.

A meteorologia prevê para evitar catástrofes ou até para fornecer subsídios para a elaboração de eventos. A economia prevê o desempenho industrial baseada em curvas e índices complexamente metafísicos. Predizer é, portanto, o ato de verbalizar a ocorrência de um evento no tempo e no espaço. Porém, na vida pessoal, poderá parecer curiosidade, pois, “o futuro a Deus pertence…” ou “somos nós que escrevemos o nosso destino…”.

Os astrólogos da Antiguidade prescrutavam o céu para entender as mensagens dos deuses deixadas através da linguagem dos planetas, estrelas e cometas. Cada configuração traz sempre um significado (ou presságio). Há um sincronismo hermético entre os acontecimentos no céu e aqueles que acontecem em nosso mundo. Você pode estar rindo desta afirmação, ao mesmo tempo que postula a sincronicidade junguiana.

Uma abstração mecanicista poderia entender todos os movimentos de nossa galáxia (apenas para limitar um campo ou espaço) operam como as rodas de um enorme relógio, com contagens que variam de bilhões de anos a alguns segundos. Que parte das estruturas complexas de quasares e estrelas, até a molécula de DNA. A respeito desta última, sabe-se que possui uma memória topológica, que governa o crescimento do embrião, enviando sinais para que num dado momento ocorra uma especialização e um órgão ou sistema se forme.

O DNA possui uma série de condicionantes, como a hereditariedade e os fatores ambientais. Mas também se encontra inserida num mecanismo mais complexo de relojoaria que é o Sistema Solar e, numa escala além de nossa compreensão, de nossa Galáxia.

Sob a perspectiva astrológica, predizer é compreender as harmônicas existentes numa determinada combinação celeste. Trata-se de estabelecer relações e paralelos com eventos conhecidos para encontrar a direção para onde converge esta ou aquela vida. Os astrólogos da antiguidade não perguntavam ao seu consulente “como se sente nesta situação?”… Eles afirmavam que haveria guerra, que a colheita seria abundante, que um deveria se casar com o outro e ter muitos filhos. Ou ainda, que A ou B não eram de confiança…

Não acredito no valor e importância de uma predição (ou previsão) que diga ao consulente que eles se sentirá triste numa dada época se não incluir as razões concretas para tal. Vivemos num mundo material e é a partir dele que podemos crescer e nos aperfeiçoar. Portanto, uma predição que parta de  premissas astrológicas e referências celestes, mesmo que não tente mais entender os deuses por meio delas, tem a obrigação de informar questões eminentemente práticas do tipo:

  • Cuidado! Acidente, corte no dedo!
  • Cuidado! Risco de assalto! Proteja a sua casa…
  • Curta! Compre uma roupa nova e alegre!
  • Aproveite para estar com seus familiares e colocar as conversas em dia.
  • Reveja os seus amigos!
  • Peça um aumento ao chefe…

Informação é poder e os métodos astrológicos para este fim permitem uma avaliação interessante e ampliada, desde que se empregue as técnicas adequadas com conhecimento e segurança. Aí dá para sair daquela linguagem de psicólogo (que me perdoe a categoria…) de apenas ficar sentindo…

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