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Cosmograma e Simetria – Estudo inicial

O termo Astrologia Simétrica sempre foi instigante para mim. No Brasil, era praticada exclusivamente por Hanna Opitz. Essencialmente, deriva da Cosmobiologia, que tem como um dos ramos a Astrologia Uraniana. Embora difundida na Europa e especialmente na Alemanha através da Escola de Hamburgo, é praticamente desconhecida em nosso país.

A Astrologia Uraniana desenvolveu-se a partir dos estudos de Alfred Witte, que inseriu oito planetas hipotéticos. A Cosmobiologia foi criada por Reinhold Ebertin que, além de retirar os planetas hipotéticos de Witte voltou seus estudos para a saúde e o desenvolvimento psicológico.

As pesquisas dos dois autores partiram da Astrologia praticada pelos árabes e gregos na Escola de Alexandria, fixando-se nos conceitos que consideraram fundamentais. Ambos se preocuparam em atualizar a Astrologia para um modo de pensar mais apropriado ao século XX. Desta maneira, é bem provável que tenham deixado de lado os autores medievais, já que, em muitos casos, mostram desconhecimento dos fundamentos da Astrologia.

Existem apenas três fontes de referência disponíveis facilmente no mercado:

  • Cosmobiology for the 21st Century, de Eleanora Kimmel.
  • Midpoints, Unleashing the Power of the Planets, de Michael Munkasey.
  • The Combination of Stellar Influences, de Reinhold Ebertin.

O estudo dos livros acima nos leva a crer que a Astrologia Uraniana e a Cosmobiologia são apenas pontos médios, codificados nos livros de Ebertin e Munkasey. Para aprofundar os pontos médios e compreender os conceitos por trás das harmônicas recomendo ainda:

  • Horoscope Symbols, de Robert Hand.
  • Harmonics in Astrology, de John Addey.

Com estes títulos à disposição, você estará pronto para começar a sua jornada. Entretanto, nenhum dos autores acima leva a uma Astrologia que se referencie na simetria. A propósito, o conceito de simetria era largamente utilizado pelos astrólogos árabes e gregos, não se tratando de uma ideia nova.

Há duas definições para simetria:

  1. Conformidade, em medida, forma e posição relativa, entre as partes dispostas em cada lado de uma linha divisória, um plano médio, um centro ou um eixo.
  2. Semelhança entre duas ou mais situações ou fenômenos; correspondência.

As duas se aplicam aos objetivos da interpretação astrológica, seja para determinar uma situação individual como para precisar uma ocorrência. A ideia da simetria é ainda mais interessante quando se avalia a expansão e o desenvolvimento da consciência que, sob uma perspectiva mística, ocorre através do equilíbrio dinâmico dos opostos (também denominado autocontrole).

De maneira absolutamente simplista, são características da Astrologia Uraniana e da Cosmobiologia:

  • Pontos Médios.
  • Harmônicas.
  • Emprego do Dial.

Os pontos médios também são denominados “half-sum”. São relações entre três astros,  descritos de forma algébrica. As partes árabes (que de fato são gregas) são pontos médios.

As harmônicas nada mais são que os aspectos agrupados dentro de certas características. A harmônica mais empregada é H4 (o círculo dividido em quatro seções de 90°). Sua propriedade é que oposições, quadraturas e conjunções são representadas como conjunções e, oposições correspondem a semi ou sesquiquadraturas. Estes aspectos, considerados difíceis, são associados à ocorrência de eventos e/ou mudanças. Os astrólogos-astrônomos árabes discutiam os aspectos utilizando o conceito de raios: diziam haver 360 raios partindo de cada Astro, sendo cinco os mais relevantes.

O gráfico astrológico é representado por meio do dial. Geralmente, um círculo onde está representado o H4, tendo como propriedade agrupar os signos astrológicos por seu modo e que passa a ser denominado Cosmograma

Pelo acima descrito, as casas astrológicas perdem relevância. Apenas o Ascendente e o Meio-Céu são representados no Cosmograma. Ebertin questionava os diversos sistemas de casas existentes, mantendo entretanto o Ascendente e o Meio-Céu pois são os mesmos em qualquer sistema de casas quadrantes. Extinguiu assim uma polêmica que dura séculos.

Eleanora Kimmel vai além, ao questionar se Ptolomeu compreendeu o que eram as casas astrológicas. A autora incorre em grave erro ao questionar o emprego das casas, já que estas representam o movimento diurno (a Terra girando em torno de seu próprio eixo). Ebertin, com respeito às casas, promove o princípio das analogias, tão em voga a partir do envolvimento da Sociedade Teosófica com uma Astrologia absolutamente deformada nos dois séculos anteriores. Este autor, entretanto, embora não faça nenhuma menção direta a como as emprega, não as extingue.

fortuna

Encontramos simetria especialmente nas partes astrológicas. As principais partes são espelhadas, como é o caso da Parte da Fortuna e da Parte do Espírito, ambas tendo o Ascendente como ponto médio. As partes árabes surgiram antes da interpretação das doze casas estar consolidado, algo que ocorreu apenas em torno do século XVII. Estas divergências podem ter contribuído para que Ebertin as descartasse.

A primeira conclusão a qual cheguei é que tanto a Astrologia Uraniana como a Cosmobiologia se tratam, de fato, de uma atualização da Astrologia praticada pelos árabes entre os séculos V e VIII, com a inclusão de outros elementos para lhes dar um viés científico. Ou seja, vale a pena aprofundar o seu estudo e compreensão.

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