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O que há de comum nas “Astrologias”?

Recentemente, respondi uma postagem sobre a possibilidade de reunir num mesmo cesto Astrologia Tradicional, Psicológica, Chinesa, Védica, Cármica, Cabalística, Hermética, etc…

Será que é possível? Será que existe algum denominador comum que as poderia entrelaçar uma na outra?

A Astrologia como Conhecimento foi organizada e sistematizada na Babilônia em cerca de 1700 aec, o que pressupõe que já existisse anteriormente. Há registros do saber astrológico no Egito, na Índia e na China. E é provável que também em outros locais, como no norte da Europa e nos Andes. Porém, a corrente que resultou na Astrologia que chegou à Europa (Roma) no século II aec era aquela derivada da Escola de Alexandria, reunindo os saberes dos sábios egípcios (astronomia) com a filosofia grega.
Há registros da observação de Urano na China e na Índia. Nas tabuinhas de argila da Suméria, encontramos registros dos planetas até Plutão, incluindo-se os asteroides.

A Astrologia Védica é contemporânea deste veio principal da Astrologia e, embora tenha forte influência do período inicial da filosofia grega, não se manteve presa a esta, permitindo-se ser permeada por sua própria cultura. Assim, a Astrologia praticada na Índia teve um desenvolvimento à parte, seja em seus aspectos teóricos como filosóficos. Em primeiro lugar, temos que considerar que para as religiões hindus, temas como carma e destino são essenciais para o entendimento de sua cultura. Um hindu nascido numa casta deverá permanecer nesta casta e apenas poderá mudar ao longo de várias vidas sucessivas, a partir de seu merecimento.

Um Mapa Natal védico reflete o destino imutável daquele nativo em particular. Por esta razão, um de seus principais objetivos é encontrar a parceira certa para um dado nativo. Ainda, os métodos de interpretação e são muito diferentes daqueles a que o astrólogo ocidental está acostumado a empregar. Como empregam o Zodíaco Sideral, coexistem diversos métodos diferentes para calcular a correção existente entre os dois Zodíacos (Tropical e Sideral).

A Astrologia Védica desenvolveu-se à mesma época da Astrologia no Egito e na Grécia, mas com uma visão, filosofia e métodos próprios, que a tornaram independente de suas origens.

A Astrologia Chinesa é absolutamente baseada em seu calendário religioso, que é soli-lunar. Não tem nenhuma relação com a Astrologia praticada ocidental ou védica. É provável que a Astrologia praticada pelos celtas, pelos povos dos Andes e talvez até pelos maias seja semelhante, variando apenas os animais atribuídos aos meses/signos. Por serem soli-lunares, não se utilizam dos outros planetas.

Abraão é considerado o pai da Cabala. Mas era, antes de tudo, astrólogo, como atestam certas passagens na Bíblia. A Cabala é uma tradição que remonta aos primórdios da civilização e tem a sua origem na Suméria. Explica desde a criação do Universo até acontecimentos e eventos mais cotidianos da existência humana, oferecendo um diagrama com soluções para os desafios que se apresentam pelo caminho. Tem em si uma espécie de sistema astrológico criptografado e que pode ser considerado a origem de outros sistemas. Dentre eles, podemos citar algumas correntes místicas e mágicas que empregam a Alquimia interior.alexandria

O neo-platonismo exerceu forte influência no pensamento dos ocultistas e místicos principalmente a partir do século VI e é o veio comum que une a Astrologia Tradicional à Cabala, embora com propósitos aparentemente diferentes. No entanto, os símbolos e a linguagem astrológica encontrados na Cabala são semelhantes àqueles encontrados na Alquimia, codificados pelos sábios da Escola de Alexandria nos primeiros séculos da Era Comum. O neo-platonismo e a visão aristotélica de mundo que nortearam a Astrologia Ocidental, seja ela em sua corrente muçulmana como na corrente helenista. Enquanto que a primeira se ocupava da precisão e voltada para os acontecimentos astronômicos, a segunda se ocupava da harmonia e da beleza que o movimento dos céus proporcionava. Durante os séculos seguintes, a Astrologia que se desenvolveu na Europa, tentou conciliar estas duas formas de lidar não apenas com a Astrologia, mas principalmente com os eventos da vida. Embora não divergentes, cada uma tem um propósito próprio.

Esta grande revisão dos manuscritos árabes e gregos na Idade Média deu origem ao período clássico da Astrologia. É também o período clássico da Cabala. Diversas linhas de correntes iniciáticas também surgem nesta época, como resultado do saber trazido pelo povo árabe (incluindo-se o povo judeu). A Alquimia e a Magia tiveram forte desenvolvimento nesta época, sempre com o uso da simbologia astrológica. Uma vez que ambas correntes serviam tanto para a transformação interior como para a exterior, foram, juntamente com a Astrologia e a Cabala, estudadas com afinco nos monastérios.

A Astrologia Hermética é um ramo importante da Astrologia e tem a sua codificação neste período graças aos escritos atribuídos a Hermes Trimegisto. Liga-se diretamente à Cabala e acredito que sua tradição ocorreu paralelamente a esta, se não, em seu próprio interior.

O Iluminismo trouxe o desenvolvimento do pensamento humano e das ciências. E, com ela, o livre-arbítrio. Ptolomeu, no século I ec, já escrevera a respeito introdução do Tetrabiblos, portanto, não era um assunto novo. A novidade do século XVII foi dissociar o divino da humanidade. A Astrologia e as outras Artes entraram em declínio, passando a ser estudadas de forma velada ou em segredo. Exteriormente, perderam a sua identidade.

Na virada do século XIX para o século XX surgem várias Ordens Iniciáticas e Escolas de Mistérios, busca do reviver os “segredos” do universo e da transformação pessoal através das Artes de outrora. É neste mesmo bojo que surge a Sociedade Teosófica. Seu propósito era ainda mais amplo, pois o cristianismo vivia uma crise de descrédito.

A Sociedade Teosófica, por meio de seus fundadores, reuniu aspectos da filosofia hindu à tradição ocidental. E foi ela que deu origem à Astrologia Cármica, numa adaptação ocidental à Astrologia Védica. No século XX, foi ela que atribuiu os significados aos astros após Saturno. E ao fazê-lo, sem qualquer vínculo com a Tradição, quebrou a Harmonia celeste tão preciosa aos astrólogos da Antiguidade.

A Astrologia Contemporânea surgiu então como uma combinação da Astrologia Tradicional e das atribuições teosóficas aos planetas após Saturno e que foram adaptados e readaptados a partir da década de 50 combinados ainda à Psicologia. Os métodos de interpretação da Astrologia Tradicional e da Contemporânea são diferentes, uma vez que seus objetivos também o são. Estas diferenças podem ser encontradas em mais detalhes neste artigo.

Qualquer Tradição, para ter valor, precisa ser viva, adaptando-se ao seu tempo e local. Contudo, uma das características de uma Tradição é que as suas verdades permanecem inalteradas ao longo dos séculos, mudando apenas a linguagem que a expressa. Por esta razão que qualquer Tradição é composta de princípios simples e muitas vezes, excessivamente óbvios. Qualquer mudança ao corpo das verdades da Tradição revela falta de conexão com a essência (Espírito) que anima esta Tradição e portanto, deixa de ser tradicional e dá origem a algo novo que não é mais tradicional.

Embora a Tradição permanecesse viva nas Escolas de Mistério, a Astrologia Clássica se caracteriza pelas adaptações dos manuscritos gregos e árabes, revendo conceitos que não entendiam e, muitas vezes, até reformulando-os.

Por outro lado, a Astrologia Contemporânea realiza uma ponte com a Psicologia, adaptando este estudo à linguagem astrológica que chegava no início do século XX com a intervenção da Sociedade Teosófica.

Assim, podemos concluir que apenas a Astrologia baseada na Tradição pode se conciliar com as outras Artes. Como as diversas correntes astrológicas derivam de saberes variados, conceitos filosóficos e culturais muitas vezes antagônicos, não é possível reunir as correntes astrológicas sem descaracterizá-las.

Notas:

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Meio-Céu e o Caminho da Humildade

É muito comum pensarmos numa Astrologia composta de astros e signos, pois esta é a informação que nos chega pela mídia. Porém, os astrólogos-sacerdotes da Antiguidade consideravam também o grau zodiacal em ascensão no horizonte oriental, hoje simplesmente denominado Ascendente.

Quando uma criança está para nascer, basta anotar a hora e verificar num software apropriado qual o grau de seu Ascendente. Os nossos antecessores não dispunham de relógios e ao invés de anotar a hora, iam direto ao assunto registrando a posição dos astros no céu, incluindo-se aí o grau ou signo que se elevava no Leste.

Desenvolvimento da Tecnologia “Astrológica”

Os primeiros relógios precisos surgiram apenas ao final do século XIX, por uma necessidade de determinar a longitude no mar com precisão. Longitude e hora são funções intercambiáveis. Até bem pouco tempo, cada cidade dispunha de um horário particular, o que levava à necessidade de ajustar os relógios mesmo percorrendo pequenas distâncias. A adoção dos fusos horários é bem recente.

Antes do surgimento das modernas calculadoras científicas e, posteriormente, dos computadores, os cálculos mais complexos eram feitos com auxílio de logaritmos. Estes só entraram em cena no século XVIII.

As primeiras efemérides relativamente confiáveis surgiram dos cálculos de Johannes Kepler sobre as observações de Tycho Brache, no século XVII. A trigonometria esférica é diferente da plana, aprendida nas escolas. Embora tenha se desenvolvido nos séculos IV e V, pode ser muito mais antiga.

Todas as tecnologias acima apresentadas são necessárias para a elaboração de um gráfico astrológico e sequer são notadas quando clicamos Ctrl + P para imprimir a representação do céu obtida no computador.

Como então faziam os antigos? Simplesmente olhavam o céu. E já empregavam a maior parte dos métodos astrológicos que conhecemos: Natividade, Mundial, Direções Primárias e Secundárias, Horária, Eletiva, etc…

Os Ângulos: Ascendente e Meio-Céu

AscDesde a Antiguidade, o Ascendente era considerado de fundamental importância, representando a ligação entre a Terra e o Céu no instante da Natividade. Podia ser “visto” na linha do Horizonte, correspondendo ao local de nascimento do Sol, responsável pela vida em nosso planeta e, por isso mesmo, adorado em muitas culturas.

Correlacionando, o Ascendente representa o influxo vital (Terra-Céu) de uma dada Natividade ou Evento. Mostra a sua atitude perante o mundo ao seu redor e como se relaciona com ele. Em sua relação com o Sol, é a ainda a expressão do caráter e natureza do(a) nativo(a) ou do evento.

A partir do momento em que o Sol nasce, eleva-se Hemisfério Oriental até atingir a sua máxima altura (culminação), cruzando o Meridiano do observador. A culminação não é instantânea. Em decorrência da rotação da Terra, pode durar uns poucos minutos antes de iniciar a sua jornada em direção ao Horizonte Oeste até se por, uma vez que o Solpermanece com a mesma altura por um certo tempo. Do momento em que o Sol nasce até a sua culminação, diz-se que o Sol ganha força e poder, diminuindo à medida que se aproxima do ocaso.

A noite é o período de repouso da maior parte dos seres viventes, que recuperam, como o Sol, as suas energias para um novo dia. Os egípcios retrataram esta jornada através da Barca do Sol, possivelmente a inspiração para o surgimento das Casas Astrológicas (Quadrantes).

Quero destacar um detalhe que talvez tenha passado desapercebido: enquanto o Ascendente é perfeitamente mensurável, pois há a referência física do Horizonte, o Meio-Céu não o é. A observação da culminação do Sol é feita desde os primórdios da navegação marítima e resulta na Latitude através de uma relação extremamente simples (a grosso modo, Lat = 90 – h – Dec). A Longitude (Meridiano), além de não corresponder a uma linha “física”, depende de um relógio preciso.

O cálculo moderno do Ascendente e do Meio-Céu.

Como abordei anteriormente, hoje em dia, partimos da hora para representar as posições dos astros e dos Ângulos. E por conta desta característica, o Tempo Sideral (TS) torna-se o argumento necessário para a obtenção das longitudes zodiacais do Ascendente e do Meio-Céu.

É preciso converter o TS em graus, o que resulta na ARMC (Ascensão Reta do Meio-Céu).

Usa-se uma relação extremamente simples para obter a Longitude Zodiacal:

MC = atan (tan (ARMC)/cos E), onde E é a obliquidade da Eclítica.

Porém, o Ascendente, que era obtido por observação imediata, tem uma relação bem complexa:

Asc = acot (-((tan Lat . sem e) + (sen ARMC x cos e))/cos ARMC), onde Lat é a Latitude do observador.

Filosofando…

O Ascendente é perfeitamente visível por ocasião da Natividade, bastando que se olhe para o céu ao invés de olhar para o relógio, quando ela ocorre. Mas se você quiser calculá-lo mais tarde, irá se deparar com uma relação trigonométrica complexa, como se Deus lhe dissesse: “Eu bem que te disse…”

O Meio-Céu é um ponto matematicamente muito simples de ser calculado e é produto direto da hora. Em nossa humanidade “tempo é dinheiro”, é o atalho ou a porta de entrada para o cálculo das Casas Astrológicas Quadrantes. Porém, não tem como se precisamente observado, como se Deus lhe dissesse “Eu estou aqui… venha me descobrir…”

Como vimos, a linha do Meridiano, que contém o MC, tem como polo o Zênite que corresponde ao “furo” da projeção de uma linha perpendicular ao plano do Horizonte na abóbada celeste. O Meio-Céu não é necessariamente o Zênite, embora eventualmente possa até sê-lo. O Zênite é a nossa ligação com o divino e os planos que se encontram além das Estrelas Fixas e do Zodíaco, onde residem os agentes de Deus.

Quando nos apropriamos do tempo, não necessariamente nos apropriamos do espaço correspondente no Universo. Porém, nos equivocamos ao supor que tomamos posse do que é definitivamente divino e transcendente.

A Tradição conta os Quadrantes seguindo a trajetória do Sol, ou seja, no sentido horário. Esta mesma Tradição nos ensina ainda que é preciso morrer e mergulhar nas trevas do Nadir para renascer no Ascendente. A viagem do herói está nas Casas, quando tem de lidar com o seu maior inimigo: sua própria sombra representada pelo desejo de grandeza de se achar semelhante aos deuses…

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O Leva e Traz dos Deuses

Hermes/Mercúrio é uma espécie de “leva-e-traz” entre os deuses, responsável pelas mensagens dos e entre os deuses. A sua interpretação astrológica é bastante semelhante, podendo ser comparado a algum tipo de alcoviteiro celeste. Sua função e importância foi bastante diminuída na Astrologia Contemporânea, embora Dane Rudhyar tenha sabido lhe atribuir o devido destaque.

É seu papel trazer o conhecimento à Mente Superior bem como construir as necessárias pontes que nos reconectem aos planos divinos. Não é à toa que rege o sistema respiratório e o nervoso. O domínio da respiração é o primeiro passo para qualquer atividade de cunho místico/espiritual. E aquietar o sistema nervoso é a única maneira de manter foco no propósito da operação em questão, seja ela mágica ou mística.

O caduceu de Hermes é o símbolo velado de Enki, que se atreveu a miscigenar o sangue de sua raça ao dos humanos então existentes. Portanto, as duas cobras em torno de um bastão são uma representação do helicoide do DNA. Ou, como querem outros, é o próprio símbolo de Lúcifer, com os seus anjos se acasalando com as fêmeas da Terra porque eram formosas…

Mas Hermes também é Thot, mestre de todas as Artes e em especial a Astronomia. Mas aí já é outra estória…

Essa digressão toda é por conta da primeira retrogradação do planeta Mercúrio neste ano, que ocorre entre os dias 06 e 28/02/2014. Mercúrio é um planeta muito rápido e, no Zodíaco, nunca se afasta mais de 28° do Sol (elongação). Talvez por isso a dificuldade de interpretá-lo corretamente. De todo modo, as retrogradações são ocasiões especiais e importantes em razão da geometria existente entre a Terra e o planeta em questão. E com Mercúrio, não poderia ser diferente. Quer saber mais à respeito? Leia este post então.

Vamos acompanhar o seu movimento?

  • Em 22/01, ainda em 18° de Aquário, ingressa na zona retrógrada.
  • Em 06/02, no início de Peixes, estaciona e inicia a retrogradação.
  • Em 28/02, novamente em Aquário, estaciona e retorna ao movimento direto.
  • Em 20/03, em 03° de Peixes, deixa a zona retrógrada.

Durante estes dois meses, estará sendo governado por Saturno, em Escorpião, e por Júpiter, em Câncer. Note que os três signos aquáticos se encontram envolvidos: Câncer, Escorpião e Peixes. Pode-se falar de sentimentos… Mas gostaria de elevar o nível da nossa prosa, uma vez que estes três signos também tem a ver com a espiritualidade em suas três fases: memória, verdade e integração (ao todo cósmico, dissolução). O outro signo envolvido é Aquário, que é o Signo do Homem.

Ah! Você não está entendendo nada ainda? Sob a perspectiva dos signos, esta combinação está praticamente gritando em nossos ouvidos:

  • Mercúrio em Aquário/Saturno em Escorpião: Persevera na busca da verdade.
  • Mercúrio em Peixes/Júpiter em Câncer: O que você busca está dentro, fora e ao redor de você.
  • Mercúrio retrógrado: Repita tudo de novo.
  • Mercúrio direto (até 20/03): Última chance!!!

A propósito, enquanto Saturno representa um velho sábio, Júpiter é o profeta e, recentemente, os dois brincaram de formar bons aspectos no céu. Em maio, formarão um novo trígono entre si, o terceiro da série, permitindo dar forma aos produtos da imaginação ou da intuição. Ambos apontam que é possível transformar sonhos em realidade, desde que você use a experiência do passado com foco e propósitos íntegros (e verdadeiros).

Estes dois meses em que Mercúrio estiver na zona de retrogradação será mais fácil ouvir os desígnios dos deuses, especialmente aqueles ligados à Criação. Experimente apurar os seus ouvidos e abrir a sua mente.

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As manifestações sociais – a visão dos Cronocratas

As manifestações que vem ocorrendo no Brasil desde o mês de junho são inéditas e não tem nenhuma semelhança com os movimentos políticos ocorridos nos séculos XIX e XX.

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Há dois aspectos que as diferenciam de todas as demais e tem deixado os estudiosos do tema sem respostas definitivas:

  • Não existe uma pauta clara de reivindicações, mas sim, várias delas agrupadas numa única manifestação. À princípio, pode sugerir falta de união ou coesão, mas os fatos mostraram exatamente o contrário ao longo do mês de junho de 2013.
  • A mobilização dos manifestantes, graças à Internet, é feita de maneira extremamente ágil e rápida. É bom lembrar que a maior parte dos aparelhos celulares também está conectada à Internet, tendo as redes sociais como meio de comunicação instantânea.

Este tipo de manifestação tem se multiplicado pelo mundo.

A Primavera Árabe é um conjunto de manifestações que vem ocorrendo no Oriente Médio e norte da África desde dezembro de 2010. É essencialmente um movimento revolucionário que tem deposto governantes, mas ainda não trouxe respostas definitivas e por isso, é impossível prever os seus desdobramentos. Recentemente, novas manifestações depuseram o presidente do Egito recém-empossado após a renúncia de Hosni Mubarak.

As duras condições de vida e o desemprego foram as principais motivações destes protestos.

O movimento Occupy Wall Street é mais semelhante aos ocorridos em São Paulo, em junho de 2013. Deram-se em Manhattan, NY, em setembro de 2011, caracterizando-se por protestos contra a ganância, a desigualdade social, o desemprego e a corrupção. Rapidamente, o movimento se espalhou por outras cidades do país. A Revolução Egípcia de 2011 é uma resultante deste movimento. As máscaras utilizadas neste movimento (Anonymous) também foram vistas por aqui.

Os Cronocratas

crono1A melhor abordagem astrológica se dá através dos Cronocratas. Trata-se do ciclo das conjunções entre Júpiter e Saturno.

Estas conjunções ocorrem a cada 19,9 anos, com um avanço de 243°. Após três conjunções ou 59,6 anos, o avanço será de 8,9°, sendo este considerado o primeiro ciclo entre Júpiter e Saturno. Após 40 conjunções entre ambos, o avanço será de um pouco menos de 1°, ocorrendo após 794,4 anos.

As conjunções entre ambos ocorrem no mesmo elemento por cerca de 200 anos. Há um período híbrido a cada mudança de elemento. Graças à retrogradação, há ocasiões em que a conjunção se repete três vezes num mesmo Signo.

Desde a Antiguidade, eram conhecidos por sua ação sobre a evolução do pensamento humano e a busca de significado. Na sociedade contemporânea, assinalam novas percepções de movimentos culturais, modismos e tendências, bem como, filosofias e regulamentos associados às descobertas e tecnologia.

A série de Ar

A última série de conjunções entre Júpiter e Saturno no elemento Ar ocorreu entre o fim do século XII ao início do século XV.

crono2Assinala o Renascimento:

  • Artístico.
  • Intelectual.
  • Comercial e Urbano.

Entre 1980 e 1981, ocorreu a tripla conjunção de Júpiter e Saturno em Libra. Assinalou o Neoliberalismo e a Globalização. Esta última foi proporcionada principalmente pela Internet, que promoveu a instantaneidade das comunicações.

Ao contrário do que se esperava, entretanto, a Globalização trouxe como consequência uma maior concentração do poder econômico e da desigualdade social.

Além das crises do México, Coréia do Sul e, recentemente, dos EUA e da CE, este ciclo também trouxe a queda do Muro de Berlin, a crescimento da China e o Plano Cruzado.

Perspectivas

Cada ciclo de conjunções sucessivas entre Júpiter e Saturno inclui as quadraturas, oposições, sexteis e trígonos, crescentes e minguantes. Cada um dos aspectos indica uma fase ou etapa do significado principal, desencadeado por ocasião da conjunção.

Meu interesse é onde este ciclo desemboca e quando isso ocorre. A próxima conjunção entre os Cronocratores se dá em dezembro de 2020, em Aquário.

Entre julho de 2013 e maio de 2014, Júpiter em Câncer forma três trígonos com Saturno em Escorpião. Trata-se de uma relação favorável e que indica uma acomodação entre o pensamento popular e o poder econômico. É provável que surjam, os primeiros marcos regulatórios para tornar mais transparentes os negócios das grandes empresas, como fez a Siemens recentemente.

Entre agosto de 2015 e maio de 2016, ocorrem três quadraturas entre os Cronocratas, a primeira entre Leão e Escorpião e as demais, entre Virgem e Sagitário. Ainda, em 15/12/2015, Saturno formará uma conjunção com Antares, um claro indicador de conflitos (talvez a derrubada de um líder importante). Acredito que este seja um período bastante conturbado, especialmente para os governantes e todos os tipos de autoridades em geral. No Brasil, há uma nítida alusão aos movimentos de junho de 2013. Acredito em movimentos sociais explosivos no primeiro semestre de 2016, ainda como consequência da Primavera Árabe. Já a CE e os EUA, provavelmente em situação econômica complicada, tendo de lidar com a queda de produção e o desemprego.

Entre dezembro de 2016 e agosto de 2017, viveremos o sextil de Libra para Sagitário. Aponta para todos os tipos de ajustes e cooperação de todos os setores da sociedade para o restabelecimento da ordem e da harmonia. Este período também sugere novas legislações para o mercado, solucionando em parte os problemas sociais ocasionados pelo neolliberalismo e a globalização no início da década de 80.

Mas é ao final de 2020, nos últimos dias de dezembro, que ocorre a próxima conjunção. É no signo de Aquário, tradicionalmente o signo dos resultados, da humanidade, da sociedade plural.

Não existem soluções imediatas e Saturno claramente aponta para a manutenção do sistema enquanto que Júpiter clama pelas reformas, por novas leis, por justiça e igualdade. E assim, teremos de esperar uns bons anos antes que o clamor das ruas se manifeste em ações ou mudanças definitivas e incontestes.

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Cosmogonias e a Astrologia Tradicional

Por cerca de quatro milênios, Astrologia e Astronomia eram uma única Arte, com o papel de compreender o papel do Homem e da Humanidade através da elaboração de uma Cosmogonia coerente. O papel de uma Cosmogonia é restabelecer a ligação com a Criação (ou com o divino).

No século XVII, com o surgimento da Física mecanicista, coube à Astronomia buscar a origem do Universo sem se preocupar com o seu significado. Este papel continua cabendo à Astrologia.

Surgida entre os sumérios e, posteriormente desenvolvendo-se para a Babilônia, Egito, Grécia e Índia, em momento algum se tornou uma religião. Os povos árabes e os hindus, até nosso dia, tem uma forte consciência religiosa e até poderiam ter transformado a Arte da interpretação dos sinais dos deuses em religião. Contudo, os principais tratados astrológicos árabes e hindus começam pedindo licença ao seu deus ou patrono, e não ao Sol, Lua, planetas ou astros.

E isso ocorre porque a compreensão que detinham é que a Astrologia fazia parte da religião e não o contrário.

Quando a Ciência transformou o Universo num mecanismo, os astrólogos se sentiram na obrigação de fazer o mesmo para justificar o seu trabalho. E desde então, astrólogos tentam de várias maneiras incorporar princípios estranhos à Arte de modo a lhe dar o status de ciência.

De fato, bastou a Astrologia entrar na Europa, em torno do século XI, para perder o seu sentido e identidade. A Astrologia Medieval, embora baseada na Tradição Astrológica, por não compreender os fundamentos filosóficos, promoveu a primeira pasteurização da Arte, suprimindo inclusive conceitos de base. E justamente por não compreenderem o que é a Astrologia de fato, a Astrologia Ocidental lida hoje com várias “astrologias” que nada tem em comum umas com as outras além de empregarem os mesmos astros.

Ou seja, a Tradição se perdeu. A Tradição que esteve na mão de sacerdotes com o propósito de zelar por sua correta transmissão. E porque eram justamente os sacerdotes? Porque a Astrologia sempre foi um poderoso instrumento de acesso às esferas superiores do Universo, seja através da compreensão de si mesmo (e da consequente purificação) como também como agente de transformação criativa (magia?).

Não foi por acaso que no século XVIII e XIX a Astrologia se desenvolveu mais fortemente nos círculos ocultistas e que, mais tarde, no século seguinte, organizações como a AFA surgiram para remover o ocultismo da Astrologia. Ao fazerem isso, removeram o que ainda restava da filosofia que norteia os seus princípios.

A Humanidade caminha num mar de incertezas e de aparências. Os indivíduos vivem um verniz do que realmente poderiam ser, porque perderam o acesso à sua essência e, por consequência, acesso às camadas superiores da consciência. Sem elas, é impossível ter acesso ao divino e se conectar com os planos divinos (desejo último de cada um de nós). A Astrologia sempre foi este caminho, na medida em que interpretava a linguagem dos deuses e suas mensagens.

No entanto, a Astrologia Tradicional que é ensinada no Ocidente tornou-se um conjunto de doutrinas, métodos e técnicas. Pouco tempo é dedicado á filosofia que subjaz em seus fundamentos. O resultado final é um conhecimento frio e de difícil aprendizado. Como qualquer Arte, deve ser experimentada de dentro para fora, a partir do coração, antes de ser assimilada pela mente.

A Astrologia não depende da Ciência. É um saber que, atualmente, encontra-se acessível a partir de várias fontes e origens. Não se limita a indicar quando você terá uma promoção em seu trabalho ou uma doença súbita, mas também, o caminho que você deverá percorrer se quiser ascender às esferas mais elevadas da consciência, além do mundo da substância e da matéria. Algumas linhas iniciáticas chamam de reintegração.

Quem eu sou? De onde vim? Para onde vou? É para isso que servem as Cosmogonias.

Como eu vou? A Astrologia Tradicional permite que você obtenha esta resposta.

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A Tradição da Astrologia

A Astrologia Tradicional está na moda. Novos livros e traduções surgem nas estantes, muitos em português. O aspecto positivo é tornar acessível o conjunto de métodos que compõem este saber arcano. Contudo, estes métodos parecem complexos para o estudante acostumado com a linguagem psicológica da Astrologia contemporânea.

Como o próprio nome já diz, há uma tradição por trás da razão de ser de cada atribuição de força dos astros: uma “filosofia” que tece a razão de ser de cada ação indicada no Horóscopo.

Sob uma perspectiva acadêmica, o conhecimento astrológico foi reunido pela primeira vez na Babilônia, por Hamurabi, no século XVII aec. Esta afirmação implica que existia um saber,  mesmo que não unificado, anterior a esta época. Ainda, devia existir uma razão para que este conhecimento estivesse em poder dos sacerdotes.

É fato que as observações astronômicas avançadas já existiam, comprovadamente, pelo menos desde cerca de 4000 aec. É bem provável que sejam até anteriores, como sugerem alguns autores. Aprendemos na escola, entretanto, que a civilização moderna, agrupada em cidades, começou por volta de 2300 aec, na Mesopotâmia. Então, o que dizer daqueles que construíram as Pirâmides e a Esfinge, no Egito? Os vários círculos de pedra existentes na Inglaterra? Diversos registros de Urano e Netuno encontrados na China e no Vale do Indo? Há uma lacuna a ser preenchida para que esta equação se feche.

Primeiramente, considero pouco provável que a Astrologia e a Astronomia tenham surgido nas épocas que lhas assinalamos. Os registros de tabletes em escrita cuneiforme da civilização da Suméria apontam para um período ante-diluviano. Os Patriarcas bíblicos tinham amplos conhecimentos astrológicos, da mesma forma que pareciam conversar com o seu deus como se usassem um telefone. O mesmo se dava com relação aos Reis da Suméria quanto aos seus deuses.

Quem eram estes deuses? Quem sabe, os Vigilantes, os verdadeiros criadores, como apontei em dois outros artigos. Assim, é muito provável que a Astrologia se tratasse de uma filosofia que buscava manter o contato ou ligação com estes deuses (Elohim), de alguma maneira associados aos astros correspondentes. Os mitos de diversos povos e culturas são muito semelhantes entre si, o que leva a supor que se tratam de histórias que realmente ocorreram em tempos muito remotos. Isto implicaria dizer que deuses e semi-deuses conviveram com a humanidade em alguma ocasião.

Na Bíblia há passagens em que os anjos (Elohim) se unem às filhas dos homens e dão à luz a gigantes. Seriam estes os semideuses? Porque os Patriarcas tiveram uma duração de vida tão longa? Seria em razão de uma genética divina?

Com estas ideias em mente, é natural supor que o saber astrológico, na medida em que servia para mediar a humanidade diante dos deuses, deveria mesmo ficar na mão de poucas pessoas, no caso, os sacerdotes. Portanto, a Tradição a qual me refiro diz respeito à comunicação com estes deuses que hoje denominamos a partir do panteão greco-romano. Estes mitos são muito semelhantes àqueles que se originaram na Mesopotâmia. De fato, parece que os deuses iam apenas mudando de nome conforme a região do planeta, preservando as suas atribuições.

A Escola Pitagórica tinha os seus ensinamentos baseados inteiramente nesta busca de associar-se aos deuses de acordo com o que se desejava alcançar. A Tradição Astrológica teve uma grande contribuição dos indivíduos que por ela passaram. Vale mencionar Plotino, filósofo neo-platônico e crítico da Astrologia. Escreveu as Enéadas, um tratado prático de como se preparar individualmente para se conectar às forças planetárias e, através delas, aos deuses. Adiante, temos Marcelo Ficcino, Pico de la Mirandolla, John Dee, que desenvolveram um intenso trabalho teúrgico que, em última escala, é astrológico.

Portanto, a Astrologia Tradicional, antes de ser um conjunto de métodos e técnicas, é um meio de se reconectar aos deuses. Este saber, entretanto, não se encontra disponível nas prateleiras, pois permaneceu com os sacerdotes e com os iniciados. Por mais que a Astrologia Tradicional pareça se voltar para a predição ou ainda, estar voltada para os fatos do cotidiano é, acima de tudo, uma Arte de forte sentido espiritual, que abre os portões para uma verdadeira gnose e o encontro com a nossa verdadeira essência.

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As origens da Astrologia

No Dia de Reis, comemora-se também o Dia do Astrólogo, uma vez que os Três Reis Magos também eram astrônomos-astrólogos. Vindos da Caldéia, terra associada não apenas à Astrologia, mas elevados conhecimentos mágicos e terapeuticos.

Historicamente, sabe-se que a primeira vez que a Astrologia fora organizada como um saber foi sob Hamurabi, no século XVII aec. No entanto, se ela já existia, como surgiu? O simples fato de observar o céu, que é um ato natural do ser humano, não assegura a sua interpretação. Ainda, existem espalhados em diversos pontos do planeta diversos observatórios que datam de uma época muito mais antiga, pré diluviana, ou seja, anteriores a 4500 aec.

No meio ocultista e iniciático, admite-se que os nephillin eram dotados de conhecimentos e poderes especiais. Eles surgem em diversas cosmogonias e mitos. São os titãs, da mitologia grega; os Tuatha de Daanan, que fundaram a Irlanda; e também na Bíblia, correspondem ao resultado do casamento entre os Filhos de Deus (Elohim) e as filhas dos Homens. Estes semideuses foram instruídos em diversas artes e especialmente naquela de vigiar o céu. Quem eram esses “Filhos de Deus”? São os anjos cuja missão era justamente instruir a humanidade.

Juntando de outras fontes, é muito provável que estes gigantes tenham inicialmente habitado a mítica Atlântida e que após o dilúvio, tenham se espalhado pelo então mundo habitado. Alguns autores sugerem que os Patriarcas bíblicos tenham sido todos descendentes dos nephillin. Há descrições a respeito de Abraão que combinam em muito com a descrição que é feita destes seres. Noé e Moisés também possuem características que tornam possível que sejam descendentes destes anjos, cuja missão é elevar o Homem de sua inocência e ignorância.

Lúcifer, o portador de da Luz, não é um rebelde, mas sim, um anjo com a missão de libertar a humanidade das trevas. Segundo a Tradição, depois de enorme sacrifício para descer (ou cair?) até os planos densos e materiais da Terra, os cerca de duzentos anjos liderados por Lúcifer iniciaram seu trabalho que se estende até os dias de hoje.

Os anjos que tinham a missão de ensinar a interpretação do sinais dos céus eram:

  • Baraqijal: A arte Astrologia.
  • Kokabel: os mistérios das estrelas e das constelações.
  • Shamsiel: o Zodíaco.
  • Sariel: o uso das forças lunares.

Abaixo, o símbolo da Classe dos Vigilantes:

Há muito de mitológico na estória corrente sobre os Reis Magos. Uma pálida passagem em Mateus, sem mencionar grandes detalhes e muito menos a glória encontrada em Lucas, quanto à Natividade.

Documentos existentes no Vaticano parecem comprovar a sua existência e até fornecem alguns detalhes adicionais, como a idade e procedência. No meio acadêmico, porém, há muita controvérsia envolvendo o relato dos Reis Magos, citando inclusive erros de tradução, onde caldeus, magos, mágicos e astrônomos forma tratados como um único verbete.

Por estas razões, prefiro apontar o início da Astrologia em algum período muito anterior. E Lúcifer o seu principal patrono.

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