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Os anjos do céu estrelado

Olhar para o céu numa noite escura pontilhada de estrelas traz uma série de sensações e sentimentos que geralmente não são facilmente descritos. Lembranças? Algo que tenha ficado perdido? Uma sensação de distanciamento?

Na verdade, é uma sensação de maravilhamento. E por isso, várias povos e culturas ao longo do planeta acabaram por imortalizar os seus deuses e heróis naquele céu noturno. Assim surgiram as constelações, ligando as estrelas grupos, formando desenhos que representavam os seus mitos e tradições.

Alguns povos do Oriente Médio, entretanto, pareciam dispor de algumas informações adicionais. Os judeus sempre foram um povo nômade. A Torah conta as estórias deste povo desde tempos imemoriais, contando com a influência dos mitos e tradições das diversas culturas com as quais conviveram, embora sempre adaptada à sua firme crença num deus único. Há várias passagens em que anjos se encontram entre os homens. Com Abraão, chegam a comer e beber.

Na Torah, o papel dos anjos é servir de mensageiros ou intermediários entre deus e os homens. São descritos como seres de luz ou de fogo, causando espanto quando se aproximam. Em Ezequiel e Isaías, conduzem os profetas para planos mais elevados até que pudessem estar junto da “glória de Deus”. Uma situação semelhante ocorre no Apocalipse de João, onde, além de anunciadores dos castigos, também são os executores das ordens de Jesus, à frente de seus exércitos.

É nesta mesma Torah que encontramos duas passagens reveladoras. Em Isaías 40:26, diz-se que toda e qualquer estrela do Universo tem nome: “É ele que faz sair o seu exército em um número certo e fixo; a todos chama pelo nome.” Em Salmos 147:4: “ele conta o número das estrelas e chama cada uma por seu nome”. Para os judeus, dar nome significa atribuir alma. O Midrash indica que os diferentes nomes das estrelas correspondem aos nomes dos diferentes anjos, numa relação de um para um.

Os astrônomos sabem que cada estrela tem o potencial de gerar um sistema à sua volta que, por sua vez, pode propiciar as condições para o surgimento de vida inteligente. É o que ocorreu com o nosso Sol, origem dos planetas que orbitam a sua volta e da nossa Terra.

As estrelas não surgiram todas de uma vez. Os astrônomos denominam de populações às gerações sucessivas de estrelas. Em Daniel, Isaías e em Apocalipse, os anjos também são retratados em hierarquias, com limites que não poderiam ser transpostos.

Os que os sábios do Oriente sabiam é da ligação existente entre as estrelas e os anjos. É bastante provável que entre os sacerdotes das culturas ancestrais como a chinesa e aquelas do note da Índia também soubessem deste elo.

Quando olhamos para um céu pontilhado de estrelas, olhamos para um passado muito distante: sua luz leva vários anos para chegar até nós. O que vemos corresponde a várias gerações de estrelas, com novas se formando enquanto que as mais antigas se transformam buracos negros. Olhando de nosso planeta, algumas estrelas gigantes parecem apenas um pequeno ponto no céu, por causa da enorme distância que se encontram.

As estrelas fazem parte de um passado em os homens e Deus se comunicavam mais facilmente. Hoje, precisamos de técnicas especiais, como a meditação, a oração, a prece e o êxtase, para conseguirmos estabelecer um contato fugaz. Eventualmente, contamos com a ajuda de um ser celestial que nos acompanhará numa parte da jornada.

Porém, na maior parte das ocasiões, parece que estamos realmente sós, em busca de nosso passado que, de fato, está contido no DNA das estrelas, que nos encantam com seu brilho ora azulado, ora alaranjado ou avermelhado.

Os mitos imortalizados nas constelações são uma maneira de tentar se relacionar com os deuses que se encontram além, bem distantes, no início de todas as Eras, antes de todas as estrelas e anjos. E assim, dissipar a angústia de se sentir deixado para trás neste ciclo de vida, morte e renascimento.

Segundo algumas autoridades hebraicas, as estrelas são um elo importante na cadeia da Providência Divina sobre o mundo. Existem vários níveis de interação entre Deus e o homem e o mais baixo é aquele dos anjos e das estrelas. Assim, os comentários da Midrasch explicam que a Divina Providência opera através dos anjos e estes, por sua vez, o fazem através das estrelas.

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