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Olhar 2020/21

Diz que o Seu Zé, pescador antigo daquelas bandas, fitava o céu em busca de algum sinal naquela noite sem Lua. O mar era calmo, uma brisa suave soprava nordeste. O céu, veludo escuro pontilhado de estrelas, limpo e sem nuvens. Olhando para o alto, encontrou as Três Marias e, apertando os olhos, tentou vislumbrar a claridade da costa. Com seu barco parcialmente cheio, considerou melhor voltar para casa, tomar um banho e deitar-se junto de sua esposa.

Num grande centro urbano, Carlos Antônio digita a partir das informações que recebe pelo portal de negócios. Pega um de seus smartphones, liga para um cliente antes de tomar algumas decisões. Há algumas mensagens no outro smartphone, responde rapidamente uma ou outra e volta sua atenção para a tela do notebook. Novos índices sugerem novas oportunidades. Seu smartwatch avisa de uma reunião dois andares acima.

Enquanto isso, no FB, surgem várias postagens a respeito de um eclipse que, nenhum dos dois acima viu, sequer tomaram conhecimento. Há outras postagens sobre uma tal conjunção entre Júpiter e Saturno que, igualmente, nenhum dos dois faz ideia do que se trata.

Algumas digressões…

Embora não tenham consciência do que está acontecendo no céu, não estarão isentos de suas consequências gerais. Contudo, como se tratam de eventos de cunho social, não terão ação sobre as vidas pessoais do Seu Zé e do Carlos Antônio. Para eles, a vida segue…

A vida segue porque suas perspectivas, suas visões de futuro, estão em algum ponto adiante por no máximo um ano. Porém, os Eclipses contam uma estória que se desenrola por cerca de 17 séculos. As conjunções entre Júpiter e Saturno descrevem eventos econômicos e sociais que se estendem por cerca de 800 anos. É mais, muito mais do que Seu Zé e Carlos Antônio podem perceber ou alcançar com a sua consciência.

E como não estarão conscientes do fluxo dos acontecimentos, simplesmente serão levados pela torrente, sem conseguir interferir em suas consequências.

A verdade é que existem informações demais para serem acessadas pelos mais diversos meios e a mente humana está próxima de seu limite, tendo de recorrer à inteligência artificial para a solução de questões complexas que possam ser resolvidas por algoritmos. Alguns autores contemporâneos apontam que a humanidade se aproxima de sua inutilidade, na medida em que a individualidade se torna uma falácia, sob qualquer perspectiva (emocional, psicológica ou mesmo mental). É preciso abstrair para compreender o que está verdadeiramente acontecendo, deixar de lado as páginas dos portais de notícias.

Há um grande paradoxo em jogo, pois de um lado, uma das chaves é o desenvolvimento da consciência individual. Trata-se de um movimento entrópico com o objetivo de se defender da agressividade do meio exterior. Astrologicamente, é representada pelo Sol.

Por outro lado, a outra chave é a participação social, o senso comum, o envolvimento coletivo e humanitário, representado por Aquário (onde ocorre a conjunção entre Júpiter e Saturno).

A crise ética que assistimos nos últimos anos é reflexo dos paradoxos acima. Corrupção e a escalada da violência são as manifestações visíveis da falta de consciência individual e de participação social.

A Grande Conjunção Júpiter-Saturno

As conjunções entre Júpiter e Saturno ocorrem a cada 20 anos, com um avanço de 243° com relação ao anterior. Depois de 60 anos, a terceira conjunção ocorrerá com uma diferença de 9° com relação à primeira. Após 800 anos (40 conjunções), haverá uma diferença de apenas um grau em relação à primeira conjunção.

A próxima Grande Conjunção encerra um ciclo iniciado em 05/03/1226. Uma pesquisa nos acontecimentos da época indicam o avanço das tropas mongóis (que chegaram até a Hungria), o surgimento das feiras livres e das guildas de comércio e, as cruzadas (que abriram oportunidades comerciais através das rotas marítimas).

Atualmente, encontramos os produtos chineses em qualquer prateleira no mundo e vemos que o mercado tenta se reinventar desde a Grande Crise de 2008. Enquanto a China não consegue mais um crescimento de sua economia no patamar de dois dígitos, a economia (mercado) opera com juros cada vez menores e com princípios artificiais (criptomoedas, blockchains).

A Grande Conjunção do final de 2020, ocorrendo no início do Signo Astrológico de Aquário assinala o fim da “Lei de Mercado” como nós a conhecemos. Com o avanço da IA e dos algoritmos, haverá um número cada vez maior de desempregados (a Europa já está cheia deles há décadas!!!). Com menos indivíduos economicamente ativos contribuindo para o Estado por meio dos impostos menos dinheiro haverá na Economia. Juros baixos significa que o dinheiro (ou os créditos) tem menos valor. A redução do consumo é uma realidade e fortalece a distância entre os mais e os menos economicamente favorecidos. A solução da indústria vem sendo agregar valor através da tecnologia de ponta, acessível para poucos.

É esta bomba relógio que irá estourar a partir de 2021, representada pela Grande Conjunção. Num primeiro momento, a descrição acima, tomada do Homo Deus, de Yuval Harari e muito difícil de desmontar a partir do atual quadro político e econômico mundial. O retorno do nacionalismo é um aspecto dos mecanismos de defesa das economias dos países onde surgem, como é o caso do BREXIT.

Uma semana antes da Grande Conjunção há um Eclipse Solar total de Nodo Sul. Ocorrendo no Signo Astrológico de Sagitário, será efetivo por pouco mais de três anos. Será visível no Chile, na Argentina e parte do Brasil. Não me causará espanto se houver graves movimentos sociais nos primeiros dois países. No Brasil, acredito que o clima entre certos setores militares, o parlamento e o judiciário azedará de vez. A Europa lida com os milhões de imigrantes islâmicos, onde as políticas públicas não refletem a vontade da maioria da população, que vê a sua cultura sendo colocada de lado em favor do islamismo.

O sentido de humanidade que se espera tem, sob a perspectiva econômica, a questão do aquecimento global x sustentabilidade.  Para alimentar a crescente população, cada vez mais subempregada, é necessário produzir mais alimentos. A agricultura precisa de irrigação: sem água, não há colheita.

Battle-of-the-Doomed-Gods[1]

A minha expectativa para as primeiras três conjunções seguintes entre Júpiter e Saturno são o aumento da fome e da miséria no mundo, bem debaixo de nossos olhos. Onde há miséria há a exploração da miséria (favelização, marginalização social e crimes de todos os tipos, consumo e tráfico de entorpecentes, etc…). A saída é a solução do paradoxo apresentado anteriormente, uma vez que o desenvolvimento da consciência individual leva à percepção de uma consciência universal e torna a ética bem como, a contribuição e participação social uma necessidade.

Assim, este Eclipse Solar de dezembro de 2020 lida também com fechar os olhos e voltar-se para dentro de si mesmo em busca do atributo divino que o anima, do pó das estrelas que o originou. E então olhar para os demais humanos como uma grande coletividade que, para sobreviver, precisa aprender a colaborar uns com os outros. Uma total utopia…

Os maiores progressos da humanidade ao longo da História foram alcançados quando o Homem aprendeu a colaborar com os demais, desinteressadamente.

Talvez o Seu Zé consiga pescar melhor e Carlos Antônio trabalhe com menos ansiedade. E ambos consigam dedicar mais tempo às suas famílias e pessoas de suas comunidades.

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Retrospectiva 2016/Expectativas 2017

Tenho acompanhado os acontecimentos deste segundo semestre de 2016 com as mesmas expectativas (acredito) que a maioria das pessoas. Entretanto, como venho dizendo em conversas informais, os problemas que o mundo (e não apenas o Brasil) enfrenta atualmente não surgiram de uma hora para outra e, da mesma forma, não irão se resolver rapidamente como que por um passe de mágica.

2017

Os mesmos desafios e tendências que verificamos em nosso país também ocorrem em outros locais de nosso planeta, mas com direcionamentos diferentes em razão das culturas e histórias dos países ou regiões.

Isso sem contar na foice ceifadeira que levou um monte de gente bacana este ano…

A radicalização é um desses temas comuns, com aspectos e desdobramentos muito similares:

O Mundo

  • No Oriente Médio, há a guerra civil da Síria e o Estado Islâmico são os mais conhecidos, porque rondam a mídia como pano de fundo dos atos terroristas na Europa. Mas é bom recordar a fragmentação que os demais países muçulmanos sofreram nos últimos anos (Líbia, Iraque, Iêmen, Egito…) que permanecem à disposição de qualquer liderança populista. Nestes casos é bom lembrar que numa mesmo nação podem existir vários povos, como é o caso da Turquia, por exemplo.
  • O caso dos países da África Central é parecido com o caso do Afeganistão e Paquistão, onde a miséria extrema abriu espaço para milícias e lideranças populares, com um povo tentando subjugar ao outro.
  • A Europa está assolada de problemas, após o BREXIT, outras nações já se manifestaram a favor de sair do bloco, a partir de um sentimento nacionalista cada vez mais forte. A invasão dos refugiados reforçou este sentimento e aguçou a xenofobia, que não é novidade deste período. A Bulgária fechou as suas fronteiras, a Áustria reforçou a segurança e apertou as restrições à entrada de imigrantes. França, Inglaterra, Bélgica e Noruega já declararam que não os querem. Espanha e Itália ainda lidam com um elevado número de desempregados. A Alemanha ainda não conseguiu reintegrar a Alemanha Oriental por completo. O PIB Europeu encolheu significativamente. Os movimentos conservadores têm crescido em razão do nacionalismo e de seu apelo popular.

mundo2017Todos os assuntos acima citados se agravaram a partir do trânsito de Saturno (pouco à vontade e por isso, ditatorial) no Signo de Sagitário.

  • Nos EUA, nos oito anos que presidiu o país, Barack Obama obteve relativo sucesso em restabelecer o crescimento econômico e os empregos, bem como, distanciar-se dos conflitos militares em outras regiões do globo. Exerceu a sua autoridade como presidente da nação mais importante do planeta evitando intervenções diretas e mortes de americanos. Contudo, Donald Trump se elegeu graças ao forte apelo populista e uma campanha baseada em promessas de 140 caracteres. Alguns o veem com apreensão.

Tanto na Europa como nos EUA, há mecanismos reguladores extremamente restritivos. Na Europa, o excesso de regulação (burocracia) é responsável por toda sorte de atrasos no processo de tomada de decisões que deveriam ser tomadas em poucas horas. Nos EUA, tudo isso é mais ágil e, portanto, mais eficiente, o que não dá tanto espaço ou margem para que um presidente faça o que lhe der na telha.

  • Na América Latina, ainda persistem alguns governos de cunho populista, como até bem pouco tempo era o caso inclusive do Brasil. Por sinal, somos o país com o mais moderno sistema jurídico no mundo, o que não parece ser uma vantagem, como vimos recentemente…

O Brasil

O maior problema do Brasil é a ineficiência. A corrupção pode ser enquadrada nesta ineficiência, uma vez que os mecanismos reguladores dos contratos e das transações comerciais não foram capazes de (ou não quiseram) detectar o dinheiro que se esvaía para outros destinos que não aqueles de interesse público.

A corrupção pode ser comparada como uma rede de abastecimento de água tratada que deveria chegar a todos os destinos com pressão suficiente… Mas como foram feitos gatos e há vazamentos logo na saída da estação de tratamento, o volume e pressão da água entregue é diferente daquele que saiu inicialmente. Portanto, a água que retorna para ser tratada, será igualmente menor, ocasionando um déficit de armazenamento…

Alguns países, como a Dinamarca, extinguiram o dinheiro de papel em 2016 para ter maior controle sobre a circulação de divisas e tentar estancar estes “vazamentos”, que também ocorrem por lá e em outros países do 1º Mundo.

Como o dinheiro que deveria retornar sob a forma de serviços era inferior ao que realmente foi pago, começou a faltar dinheiro em toda a cadeia… O primeiro passo é o desemprego e com ele, a diminuição do poder aquisitivo, que prejudica inicialmente o comércio e depois a indústria e pronto, está armado o círculo vicioso que todos conhecemos.

br2017

Em nosso país, a cultura do superfaturamento é um problema cultural, que ocorre desde os tempos do Brasil-Colônia…

A ineficiência vem acompanhada de um outro problema global: a falta de ética, numa época em que vivemos um mundo de aparências pautado pelo “politicamente correto” que, neste período de Júpiter em Libra transformou o mimimi numa arte…

Bom moço

Existem, porém, os aspectos positivos desta relação entre Saturno em Sagitário e Júpiter em Libra. Casos de violência doméstica, estupros, homofobia e xenofobia sempre existiram desde tempos remotos, mas agora saíram de sob o tapete e entram em nossos lares casa através dos noticiários, sendo discutidos inclusive nas escolas. Tornados crime, suas ocorrências são denunciadas e as pessoas que cometeram tal ato, condenadas e presas.

Expectativas

Durante o ano de 2017, Saturno transitará no Signo de Sagitário até meados de Dezembro, quando ingressa em Capricórnio; e Júpiter, no Signo de Libra, até meados de Outubro, ingressando no Signo de Escorpião. Durante todo o ano, Júpiter estará na Via Combusta. Estes dois Astros formarão um sextil ao final de Agosto, quando Saturno retoma o movimento direto. Trata-se do último contato entre os dois astros, antes de formarem a conjunção, em Aquário, ao final de Dezembro de 2020.

A colega Barbara Abramo afirmou em sua página pessoal (14/12/2016) que “o navio Brasil vai encontrar o seu prumo apenas em 2020”. Pelo que descrevi acima, devemos ter boas expectativas para o nosso país apenas a partir do início de 2021. Aí você irá me perguntar: conseguiremos sobreviver até lá? Sim!!! Com certeza!!!

Mas não dá para pensar que todos os problemas que elenquei anteriormente sejam solucionados, com esta configuração entre os dois astros regentes dos acontecimentos sociais, econômicos e culturais. Com Saturno em Sagitário ainda teremos notícias de atentados, de miseráveis fugindo de seus países e buscando melhor sorte em outros países, além das fronteiras… Com Júpiter em Libra, haverá muitas discussões políticas, marcos regulatórios, protocolos, mas nenhuma decisão concreta que corrija o que está errado.

Ao mesmo tempo que ocorre um vazio de lideranças, há também um empobrecimento do pensamento e das reflexões (limitadas a 140 caracteres, será que me leu até aqui?). É um campo fértil para todos os tipos de movimentos populares baseados em slogams sem qualquer probabilidade de se tornarem realidade (as campanhas das utopias sociais são realizadas através do Signo de Sagitário).

Com relação aos EUA, os mecanismos regulatórios (Constituição, Senado, etc.) são suficientemente eficientes para evitar desastres e catástrofes provocadas por algum desorientado. Quanto à perda de importância dos EUA no cenário global, isto já ocorreu a partir da Era Obama, pois teve de primeiro arrumar a casa antes de tentar cuidar dos quintais dos vizinhos.

Brasil 2017

Os temas que se seguem serão melhor desenvolvidos em artigos futuros. Nos tópicos abaixo pretendo apenas responder ás questões mais importantes para o nosso país no ano de 2017.

  • A chapa Dilma-Temer será cassada pelo TSE? Há um período extremamente crítico em torno de 11/05/2017, época em que o risco de enfrentar problemas que levem à sua cassação é grande. Contudo, não existe nenhuma indicação particular no mapa de Dilma Rousseff. Assim, é mais provável que Temer esteja recebendo duras críticas e lidando com acusações graves, sem que seja cassado, cumprindo o seu mandato até o final.
  • As investigações de corrupção irão continuar? Sim, sem dúvida, mas de uma forma mais branda, uma vez que já obtiveram muito material que precisa ser analisado. Deverá entrar em nova fase a partir de meados de Outubro, quando Júpiter ingressar em Escorpião.
  • Lula será preso? Escrevi um artigo sobre esse tema e continuo achando pouco provável. Lambuzou-se com as oportunidades que teve acesso. Terá um período complicado quase na mesma época que Temer, em torno de 12/05/2015. Pessoalmente, acredito que o ex-presidente era apenas uma importante figura de fachada, uma espécie de fiador do esquema arquitetado e administrado pelas empreiteiras, de um lado e, José Dirceu e Antonio Palocci, do outro. Estes sim, com inteligência, sagacidade e perspicácia para um esquema desta dimensão.
  • A economia voltará aos trilhos? Não. No 1º semestre, particularmente entre os meses de Março e Junho, ainda veremos mais desemprego, dificuldades com arrecadação e inadimplência generalizada. A construção civil é um dos setores que já se encontra prejudicado e é o que mais deve sofrer neste período. Nesta época surge ainda a tendência inflacionária em razão da elevação dos serviços públicos. Apenas depois das eleições e graças à definição do presidente seguinte é que haverá perspectivas da economia voltar a crescer. Este tema será melhor desenvolvido em um artigo futuro.
  • Como fica a crise ética na política? Até Outubro, ainda teremos de lidar com abusos e absurdos. Porém, neste período, começa-se a se desenhar o cenário para as eleições de 2018. É bastante provável que os candidatos de maior destaque não sejam políticos de carreira. Porém, neste mês, em razão das investigações de corrupção, vários políticos terão de deixar os seus cargos, sendo substituídos por seus suplentes, alguns deles, inexpressivos, o que não quer dizer incapazes. Esta renovação trará um novo perfil, cujas consequências deverão influenciar na corrida presidencial do ano seguinte. Entretanto, em ano de Júpiter em Libra, deve-se esperar muitas tentativas de obter acordos, conversas de bastidores, mimimi que não leva a lugar nenhum. Este é mais um fator de estagnação para o país. Este tema também será melhor desenvolvido em um artigo futuro.

Conclusão

Em resumo, em 2017, lidaremos com os mesmos problemas que enfrentamos no 2º semestre de 2016.

Em nosso país, a curva do desemprego deve se estabilizar, ainda sem uma retomada. A ineficiência ainda será o maior problema. No mundo, também teremos de lidar com as mesmas questões (violência generalizada, terrorismo, diminuição do PIB e da renda per capita). Apesar de não ocorrer nenhum milagre, 2017 será mais tranquilo sob a perspectiva jurídica. Mas ainda não é o ano das soluções e dos resultados.

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