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O que há de comum nas “Astrologias”?

Recentemente, respondi uma postagem sobre a possibilidade de reunir num mesmo cesto Astrologia Tradicional, Psicológica, Chinesa, Védica, Cármica, Cabalística, Hermética, etc…

Será que é possível? Será que existe algum denominador comum que as poderia entrelaçar uma na outra?

A Astrologia como Conhecimento foi organizada e sistematizada na Babilônia em cerca de 1700 aec, o que pressupõe que já existisse anteriormente. Há registros do saber astrológico no Egito, na Índia e na China. E é provável que também em outros locais, como no norte da Europa e nos Andes. Porém, a corrente que resultou na Astrologia que chegou à Europa (Roma) no século II aec era aquela derivada da Escola de Alexandria, reunindo os saberes dos sábios egípcios (astronomia) com a filosofia grega.
Há registros da observação de Urano na China e na Índia. Nas tabuinhas de argila da Suméria, encontramos registros dos planetas até Plutão, incluindo-se os asteroides.

A Astrologia Védica é contemporânea deste veio principal da Astrologia e, embora tenha forte influência do período inicial da filosofia grega, não se manteve presa a esta, permitindo-se ser permeada por sua própria cultura. Assim, a Astrologia praticada na Índia teve um desenvolvimento à parte, seja em seus aspectos teóricos como filosóficos. Em primeiro lugar, temos que considerar que para as religiões hindus, temas como carma e destino são essenciais para o entendimento de sua cultura. Um hindu nascido numa casta deverá permanecer nesta casta e apenas poderá mudar ao longo de várias vidas sucessivas, a partir de seu merecimento.

Um Mapa Natal védico reflete o destino imutável daquele nativo em particular. Por esta razão, um de seus principais objetivos é encontrar a parceira certa para um dado nativo. Ainda, os métodos de interpretação e são muito diferentes daqueles a que o astrólogo ocidental está acostumado a empregar. Como empregam o Zodíaco Sideral, coexistem diversos métodos diferentes para calcular a correção existente entre os dois Zodíacos (Tropical e Sideral).

A Astrologia Védica desenvolveu-se à mesma época da Astrologia no Egito e na Grécia, mas com uma visão, filosofia e métodos próprios, que a tornaram independente de suas origens.

A Astrologia Chinesa é absolutamente baseada em seu calendário religioso, que é soli-lunar. Não tem nenhuma relação com a Astrologia praticada ocidental ou védica. É provável que a Astrologia praticada pelos celtas, pelos povos dos Andes e talvez até pelos maias seja semelhante, variando apenas os animais atribuídos aos meses/signos. Por serem soli-lunares, não se utilizam dos outros planetas.

Abraão é considerado o pai da Cabala. Mas era, antes de tudo, astrólogo, como atestam certas passagens na Bíblia. A Cabala é uma tradição que remonta aos primórdios da civilização e tem a sua origem na Suméria. Explica desde a criação do Universo até acontecimentos e eventos mais cotidianos da existência humana, oferecendo um diagrama com soluções para os desafios que se apresentam pelo caminho. Tem em si uma espécie de sistema astrológico criptografado e que pode ser considerado a origem de outros sistemas. Dentre eles, podemos citar algumas correntes místicas e mágicas que empregam a Alquimia interior.alexandria

O neo-platonismo exerceu forte influência no pensamento dos ocultistas e místicos principalmente a partir do século VI e é o veio comum que une a Astrologia Tradicional à Cabala, embora com propósitos aparentemente diferentes. No entanto, os símbolos e a linguagem astrológica encontrados na Cabala são semelhantes àqueles encontrados na Alquimia, codificados pelos sábios da Escola de Alexandria nos primeiros séculos da Era Comum. O neo-platonismo e a visão aristotélica de mundo que nortearam a Astrologia Ocidental, seja ela em sua corrente muçulmana como na corrente helenista. Enquanto que a primeira se ocupava da precisão e voltada para os acontecimentos astronômicos, a segunda se ocupava da harmonia e da beleza que o movimento dos céus proporcionava. Durante os séculos seguintes, a Astrologia que se desenvolveu na Europa, tentou conciliar estas duas formas de lidar não apenas com a Astrologia, mas principalmente com os eventos da vida. Embora não divergentes, cada uma tem um propósito próprio.

Esta grande revisão dos manuscritos árabes e gregos na Idade Média deu origem ao período clássico da Astrologia. É também o período clássico da Cabala. Diversas linhas de correntes iniciáticas também surgem nesta época, como resultado do saber trazido pelo povo árabe (incluindo-se o povo judeu). A Alquimia e a Magia tiveram forte desenvolvimento nesta época, sempre com o uso da simbologia astrológica. Uma vez que ambas correntes serviam tanto para a transformação interior como para a exterior, foram, juntamente com a Astrologia e a Cabala, estudadas com afinco nos monastérios.

A Astrologia Hermética é um ramo importante da Astrologia e tem a sua codificação neste período graças aos escritos atribuídos a Hermes Trimegisto. Liga-se diretamente à Cabala e acredito que sua tradição ocorreu paralelamente a esta, se não, em seu próprio interior.

O Iluminismo trouxe o desenvolvimento do pensamento humano e das ciências. E, com ela, o livre-arbítrio. Ptolomeu, no século I ec, já escrevera a respeito introdução do Tetrabiblos, portanto, não era um assunto novo. A novidade do século XVII foi dissociar o divino da humanidade. A Astrologia e as outras Artes entraram em declínio, passando a ser estudadas de forma velada ou em segredo. Exteriormente, perderam a sua identidade.

Na virada do século XIX para o século XX surgem várias Ordens Iniciáticas e Escolas de Mistérios, busca do reviver os “segredos” do universo e da transformação pessoal através das Artes de outrora. É neste mesmo bojo que surge a Sociedade Teosófica. Seu propósito era ainda mais amplo, pois o cristianismo vivia uma crise de descrédito.

A Sociedade Teosófica, por meio de seus fundadores, reuniu aspectos da filosofia hindu à tradição ocidental. E foi ela que deu origem à Astrologia Cármica, numa adaptação ocidental à Astrologia Védica. No século XX, foi ela que atribuiu os significados aos astros após Saturno. E ao fazê-lo, sem qualquer vínculo com a Tradição, quebrou a Harmonia celeste tão preciosa aos astrólogos da Antiguidade.

A Astrologia Contemporânea surgiu então como uma combinação da Astrologia Tradicional e das atribuições teosóficas aos planetas após Saturno e que foram adaptados e readaptados a partir da década de 50 combinados ainda à Psicologia. Os métodos de interpretação da Astrologia Tradicional e da Contemporânea são diferentes, uma vez que seus objetivos também o são. Estas diferenças podem ser encontradas em mais detalhes neste artigo.

Qualquer Tradição, para ter valor, precisa ser viva, adaptando-se ao seu tempo e local. Contudo, uma das características de uma Tradição é que as suas verdades permanecem inalteradas ao longo dos séculos, mudando apenas a linguagem que a expressa. Por esta razão que qualquer Tradição é composta de princípios simples e muitas vezes, excessivamente óbvios. Qualquer mudança ao corpo das verdades da Tradição revela falta de conexão com a essência (Espírito) que anima esta Tradição e portanto, deixa de ser tradicional e dá origem a algo novo que não é mais tradicional.

Embora a Tradição permanecesse viva nas Escolas de Mistério, a Astrologia Clássica se caracteriza pelas adaptações dos manuscritos gregos e árabes, revendo conceitos que não entendiam e, muitas vezes, até reformulando-os.

Por outro lado, a Astrologia Contemporânea realiza uma ponte com a Psicologia, adaptando este estudo à linguagem astrológica que chegava no início do século XX com a intervenção da Sociedade Teosófica.

Assim, podemos concluir que apenas a Astrologia baseada na Tradição pode se conciliar com as outras Artes. Como as diversas correntes astrológicas derivam de saberes variados, conceitos filosóficos e culturais muitas vezes antagônicos, não é possível reunir as correntes astrológicas sem descaracterizá-las.

Notas:

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A Tradição da Astrologia

A Astrologia Tradicional está na moda. Novos livros e traduções surgem nas estantes, muitos em português. O aspecto positivo é tornar acessível o conjunto de métodos que compõem este saber arcano. Contudo, estes métodos parecem complexos para o estudante acostumado com a linguagem psicológica da Astrologia contemporânea.

Como o próprio nome já diz, há uma tradição por trás da razão de ser de cada atribuição de força dos astros: uma “filosofia” que tece a razão de ser de cada ação indicada no Horóscopo.

Sob uma perspectiva acadêmica, o conhecimento astrológico foi reunido pela primeira vez na Babilônia, por Hamurabi, no século XVII aec. Esta afirmação implica que existia um saber,  mesmo que não unificado, anterior a esta época. Ainda, devia existir uma razão para que este conhecimento estivesse em poder dos sacerdotes.

É fato que as observações astronômicas avançadas já existiam, comprovadamente, pelo menos desde cerca de 4000 aec. É bem provável que sejam até anteriores, como sugerem alguns autores. Aprendemos na escola, entretanto, que a civilização moderna, agrupada em cidades, começou por volta de 2300 aec, na Mesopotâmia. Então, o que dizer daqueles que construíram as Pirâmides e a Esfinge, no Egito? Os vários círculos de pedra existentes na Inglaterra? Diversos registros de Urano e Netuno encontrados na China e no Vale do Indo? Há uma lacuna a ser preenchida para que esta equação se feche.

Primeiramente, considero pouco provável que a Astrologia e a Astronomia tenham surgido nas épocas que lhas assinalamos. Os registros de tabletes em escrita cuneiforme da civilização da Suméria apontam para um período ante-diluviano. Os Patriarcas bíblicos tinham amplos conhecimentos astrológicos, da mesma forma que pareciam conversar com o seu deus como se usassem um telefone. O mesmo se dava com relação aos Reis da Suméria quanto aos seus deuses.

Quem eram estes deuses? Quem sabe, os Vigilantes, os verdadeiros criadores, como apontei em dois outros artigos. Assim, é muito provável que a Astrologia se tratasse de uma filosofia que buscava manter o contato ou ligação com estes deuses (Elohim), de alguma maneira associados aos astros correspondentes. Os mitos de diversos povos e culturas são muito semelhantes entre si, o que leva a supor que se tratam de histórias que realmente ocorreram em tempos muito remotos. Isto implicaria dizer que deuses e semi-deuses conviveram com a humanidade em alguma ocasião.

Na Bíblia há passagens em que os anjos (Elohim) se unem às filhas dos homens e dão à luz a gigantes. Seriam estes os semideuses? Porque os Patriarcas tiveram uma duração de vida tão longa? Seria em razão de uma genética divina?

Com estas ideias em mente, é natural supor que o saber astrológico, na medida em que servia para mediar a humanidade diante dos deuses, deveria mesmo ficar na mão de poucas pessoas, no caso, os sacerdotes. Portanto, a Tradição a qual me refiro diz respeito à comunicação com estes deuses que hoje denominamos a partir do panteão greco-romano. Estes mitos são muito semelhantes àqueles que se originaram na Mesopotâmia. De fato, parece que os deuses iam apenas mudando de nome conforme a região do planeta, preservando as suas atribuições.

A Escola Pitagórica tinha os seus ensinamentos baseados inteiramente nesta busca de associar-se aos deuses de acordo com o que se desejava alcançar. A Tradição Astrológica teve uma grande contribuição dos indivíduos que por ela passaram. Vale mencionar Plotino, filósofo neo-platônico e crítico da Astrologia. Escreveu as Enéadas, um tratado prático de como se preparar individualmente para se conectar às forças planetárias e, através delas, aos deuses. Adiante, temos Marcelo Ficcino, Pico de la Mirandolla, John Dee, que desenvolveram um intenso trabalho teúrgico que, em última escala, é astrológico.

Portanto, a Astrologia Tradicional, antes de ser um conjunto de métodos e técnicas, é um meio de se reconectar aos deuses. Este saber, entretanto, não se encontra disponível nas prateleiras, pois permaneceu com os sacerdotes e com os iniciados. Por mais que a Astrologia Tradicional pareça se voltar para a predição ou ainda, estar voltada para os fatos do cotidiano é, acima de tudo, uma Arte de forte sentido espiritual, que abre os portões para uma verdadeira gnose e o encontro com a nossa verdadeira essência.

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1 Comentário

Algo maior?

Hoje em dia, é costume perguntar sobre tudo, ao menos entre os acadêmicos ou pesquisadores. E resolvi fazer o mesmo com a Astrologia.

Embora possa ser mais antiga, sabe-se que ela surgiu na Suméria em cerca de 2400 aec, junto com outras técnicas, artes e ciências. É intrigante que uma civilização que vivia praticamente no neolítico, em cerca de 300 anos passou a dominar conhecimentos especializados como trigonometria, arquitetura, hidráulica, astronomia e leis (Código de Hamurabi).

Entre os antropólogos, a tese mais aceita é que o saber astrológico, juntamente com todos os demais saberes que possibilitaram o florescimento da civilização suméria, tenha sido revelado ou transmitido por agentes externos. Há algumas teses acadêmicas escritas sobre o tema, variando a maneira como discorrem a respeito desta hipótese, denominada exógena. Entretanto, existem indícios de que a observação astrológica seja bem mais antiga, recuando a talvez cinco ou seis mil anos.

Partindo da premissa de que um agente exterior, um mensageiro ou ET (ou um conjunto deles, mensageiros ou Ets) tenha transmitido o saber astrológico entre vários outros saberes eu pergunto:

  • Porque estes seres supostamente evoluídos (a ponto de se deslocarem até este longínquo planeta) se deram ao trabalho de ensinar a Astrologia?

Vários livros tentam nos convencer que a Astrologia surgiu pela necessidade de prever as estações e melhores épocas para a colheita. Trata-se de uma resposta que pode ser facilmente descartada na medida em que sabemos que em várias partes do mundo foram erigidos monumentos ou templos a céu aberto para acompanhar o movimento de alguns astros.

Particularmente, defendo a ideia de que a Astrologia surgiu como instrumento para contar o tempo, com a função de servir de calendário. No Oriente Médio e Vale do Indo, onde a Astrologia floresceu nos primórdios, dispunha de calendários astrológicos de longo prazo, muito maiores e mais extensos que a duração de uma vida humana. Não há sentido em contar ciclos de mais de dois ou três mil anos.

Ter o controle sobre o tempo permite planejar o futuro. Controlar o tempo é ter o poder sobre a existência. Hoje, dizemos “tempo é dinheiro”. Alguns sacerdotes (magos-astrólogos) incutiam medo prevendo eclipses (ocultação do Sol ou da Lua).

Mas deve existir algum propósito ainda maior. Várias culturas e tradições antigas associam as estrelas e constelações aos deuses e muitas delas, dizem que suas origens são desta ou daquela estrela (Sirius, Capella, Vega, Aldebaran, etc…). E a Astrologia dos primórdios estava diretamente associada às constelações e estrelas, os signos não eram tão importantes como hoje em dia.

Novamente uma pergunta:

  • Será que a Astrologia era um caminho eu poderia nos indicar o caminho de ida para algum outro lugar que não a Terra? Ou um retorno a uma morada perdida ou superior?

Se esta hipótese puder ser verdadeira, então a Astrologia poderia nos dar um caminho de algo que hoje denominamos “elevação espiritual” de uma maneira tanto coletiva como individualizada, como queriam Kepler e Campanus.

Como isto se processa? Como obter esta informação? Será uma espécie de gnose terapêutica? Um autoconhecimento profundo com propósitos transcendentes e apologéticos?

O saber astrológico que chegou até os gregos e egípcios já veio desfigurado e o foi mais ainda durante os vários séculos na Europa. O século XX assistiu, quanto à Astrologia, novas pesquisas e estudos, mas também, enxertos e adaptações que tornaram irreconhecível as fontes originais, a ponto da Astrologia se tornar um instrumento bidimensional (The Round Art, de A. T. Man é um exemplo).

Mas ainda dá tempo… Como escrevi acima, os antigos lidavam com ciclos muito longos. Um ciclo de eclipses, por exemplo, dura entre 17 a 21 séculos…

Vamos reencontrar o nosso Caminho através da Astrologia?

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