Posts Tagged Dane Rudhyar

Cosmograma – Simetria Axial

Há cinco eixos atuando no Zodíaco:

  • Eixo dos Solstícios, que compreende o grau zero dos Signos de Áries e Libra.
  • Eixo dos Equinócios, que compreende o grau zero dos Signos de Câncer e Capricórnio.
  • Eixo do Horizonte, que compreende o Ascendente e o Descendente.
  • Eixo do Meridiano, que compreende o Meio-Céu e o Fundo do Céu.
  • Eixo Nodal, que compreende os Nodos Lunares Norte e Sul.

Zodiaco

Cada um dos eixos acima divide o Zodíaco em duas regiões simétricas entre si.  Ebertin classifica como pontos sensíveis o Ascendente, o Meio Céu e o Nodo Norte, distinguindo dos Astros, que são físicos. Witte inclui ainda o Ponto Vernal. Witte e Ebertin desconsideram completamente qualquer sistema de Casas Astrológicas bem como as suas divisões. De qualquer forma, não há nenhum sentido em representá-las no Cosmograma.

Particularmente, tenho as minhas dúvidas se Ebertin não considerava, mesmo que de maneira subjetiva, as posições dos Astros por Signo e Casa, uma vez que estes dois últimos fatores interpretativos são inclusive ordenados de 0001 a 0012 (The Combination of Stellar Influences). Neste livro, comete o equívoco de equiparar interpretativamente Casa e Signo, usando o princípio da analogia, utilizado em Astrologia Contemporânea.

Uma vez que a fonte primária da Astrologia Simétrica é o Tetrabiblos, de Ptolomeu e que seus fundamentos se encontram na Astrologia Árabe praticada entre os séculos V e VIII, cumpre distinguir o papel interpretativo de Signo e Casa:

  • Signo: Indica qualidades. Tem como princípio as qualidades primitivas.
  • Casa: Indica local. Tem como princípio a trajetória aparente do Sol durante um dia.

Um Astro que ocupe uma Casa manifestar-se-á numa determinada esfera da vida do nativo, modulado pela natureza do Signo que ocupa. Para Ebertin, o significado das Casas é arbitrário. Porém, tem razão quanto aos vários métodos de dividir o movimento diurno: conforme se altera o sistema de Casas (o princípio de divisão do céu, plano de referência, etc), alteram-se as cúspides das casas intermediárias (Casas III, II, XII, XI e suas opostas).

Os eixos mencionados derivam do movimento aparente do Sol. No Zodíaco, corresponde ao ano. O Ascendente e o Meio-Céu são correspondem respectivamente ao nascer e à culminação diária. O eixo nodal corresponde ao cruzamento dos planos orbitais dos luminares. Dane Rudhyar é contemporâneo de Reinhold Ebertin. Sua prática da Astrologia perseguiu a harmonia, seja entre os Astros como no Zodíaco. Escreveu o livro “Ciclo de Lunações” em que estende e amplia a interpretação da Lua e dos Nodos Lunares desenvolvida por Ptolomeu, em Tetrabiblos. Ambos buscaram suas referências nas mesmas fontes tradicionais. Enquanto Rudhyar inaugura a Astrologia Contemporânea como a conhecemos hoje em dia, Ebertin oferece uma maneira (aparentemente) científica, extremamente útil para fins estatísticos.

Detalhando os cinco eixos que atuam no Zodíaco:

  • Eixo dos Solstícios divide o Zodíaco em duas regiões cuja propriedade é que os pontos simétricos equidistantes de Áries ou Libra partilham a mesma declinação do Sol, com sinais contrários (contra-antíscia). O conceito de contra-antíscia é antipatia.
  • Eixo dos Equinócios divide o Zodíaco em duas regiões cuja propriedade é que os pontos simétricos equidistantes de Câncer ou Capricórnio partilham a mesma declinação do Sol (antíscia). O conceito de antíscia é simpatia.
  • Eixo do Horizonte divide o Espaço Local em duas regiões cuja propriedade é que os pontos simétricos equidistantes do Horizonte Leste ou Oeste partilham a mesma altura do Sol (acima e abaixo do horizonte, sinais contrários).
  • Eixo do Meridiano divide o Espaço Local em duas regiões cuja propriedade é que os pontos simétricos equidistantes do Zênite ou Nadir partilham a mesma altura do Sol.
  • De uma perspectiva astronômica, o Eixo Nodal não tem nenhuma simetria específica, uma vez que até mesmo sua inclinação é variável (oscila entre 5° e 5,3°).

O conceito de antíscia e contra-antíscia é pouco compreendido atualmente. A antíscia relaciona simetricamente as Estações do Ano quentes entre si, fazendo o mesmo com as Estações do Ano frias. A contra-antíscia relaciona entre si Estações do Ano opostas, ou seja, Verão com Outono e Inverno com Primavera. De certa forma, correspondem a pontos médios partindo ou dos pontos solsticiais ou equinociais.

Como as relações acima decorrem da insolação, há uma condição energética que atua sobre todo o planeta de maneira contínua e ininterrupta. Ptolomeu e Lilly tem uma explicação bastante complexa para ambas a antíscia e a contra-antíscia. Porém, se compreendermos que se tratam de relações de energia, seu entendimento se torna mais óbvio e lógico.

Quando representamos os eixos acima num dial de 90°, perdemos algumas das referências pois:

  • O Ponto Vernal (00° de Áries) representará os Eixos Solsticial e Equinocial.
  • O Ascendente representará também ao Descendente.
  • O Meio-Céu representará também o Fundo do Céu.
  • O Nodo Norte representará também o Nodo Sul.

O que nos remete a quatro pontos sensíveis. Há perda de representatividade no caso dos Eixos Solsticial e Equinocial; mas não há nenhuma perda com respeito aos demais eixos.

Sob a perspectiva da Astrologia Tradicional, apenas astros formam aspectos. Os demais pontos apenas recebem. Isso implica que não faz sentido indicar um ponto médio entre Ascendente e Meio-Céu, por exemplo. Entretanto, qualquer um dos pontos acima, resultantes dos eixos, podem estar na órbita de um ponto médio resultante de dois outros astros.

A Astrologia Contemporânea não faz esta distinção. Witte e Ebertin incorrem no mesmo erro. Assim, embora os conceituem como pontos sensíveis, também podem ser formadores de figuras planetárias.

Conclusão:

Podemos afirmar que existem cinco eixos de simetria:

  • 02 associados ao Zodíaco.
  • 02 associados ao Espaço Local.
  • 01 associado à relação soli-lunar.

Num gráfico astrológico, as duas primeiras resultam numa relação espaço-temporal, reunindo uma certa data/hora e as coordenadas geográficas do nativo num único resultado. Num dial de 90°, serão representados por três pontos sensíveis (Áries, Ascendente e Meio-Céu).

Já o Eixo dos Nodos tem uma caracterização mais sutil, pois é derivado do cruzamento do plano de duas órbitas.

Uma vez que são pontos sensíveis e absolutamente particulares, qualquer figura planetária que estiver em suas órbitas (dos eixos) deve ser considerada importante e, de certa forma, associada a crises e/ou mudanças significativas.

, , , , , , ,

Deixe um comentário