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Retrospectiva 2016/Expectativas 2017

Tenho acompanhado os acontecimentos deste segundo semestre de 2016 com as mesmas expectativas (acredito) que a maioria das pessoas. Entretanto, como venho dizendo em conversas informais, os problemas que o mundo (e não apenas o Brasil) enfrenta atualmente não surgiram de uma hora para outra e, da mesma forma, não irão se resolver rapidamente como que por um passe de mágica.

2017

Os mesmos desafios e tendências que verificamos em nosso país também ocorrem em outros locais de nosso planeta, mas com direcionamentos diferentes em razão das culturas e histórias dos países ou regiões.

Isso sem contar na foice ceifadeira que levou um monte de gente bacana este ano…

A radicalização é um desses temas comuns, com aspectos e desdobramentos muito similares:

O Mundo

  • No Oriente Médio, há a guerra civil da Síria e o Estado Islâmico são os mais conhecidos, porque rondam a mídia como pano de fundo dos atos terroristas na Europa. Mas é bom recordar a fragmentação que os demais países muçulmanos sofreram nos últimos anos (Líbia, Iraque, Iêmen, Egito…) que permanecem à disposição de qualquer liderança populista. Nestes casos é bom lembrar que numa mesmo nação podem existir vários povos, como é o caso da Turquia, por exemplo.
  • O caso dos países da África Central é parecido com o caso do Afeganistão e Paquistão, onde a miséria extrema abriu espaço para milícias e lideranças populares, com um povo tentando subjugar ao outro.
  • A Europa está assolada de problemas, após o BREXIT, outras nações já se manifestaram a favor de sair do bloco, a partir de um sentimento nacionalista cada vez mais forte. A invasão dos refugiados reforçou este sentimento e aguçou a xenofobia, que não é novidade deste período. A Bulgária fechou as suas fronteiras, a Áustria reforçou a segurança e apertou as restrições à entrada de imigrantes. França, Inglaterra, Bélgica e Noruega já declararam que não os querem. Espanha e Itália ainda lidam com um elevado número de desempregados. A Alemanha ainda não conseguiu reintegrar a Alemanha Oriental por completo. O PIB Europeu encolheu significativamente. Os movimentos conservadores têm crescido em razão do nacionalismo e de seu apelo popular.

mundo2017Todos os assuntos acima citados se agravaram a partir do trânsito de Saturno (pouco à vontade e por isso, ditatorial) no Signo de Sagitário.

  • Nos EUA, nos oito anos que presidiu o país, Barack Obama obteve relativo sucesso em restabelecer o crescimento econômico e os empregos, bem como, distanciar-se dos conflitos militares em outras regiões do globo. Exerceu a sua autoridade como presidente da nação mais importante do planeta evitando intervenções diretas e mortes de americanos. Contudo, Donald Trump se elegeu graças ao forte apelo populista e uma campanha baseada em promessas de 140 caracteres. Alguns o veem com apreensão.

Tanto na Europa como nos EUA, há mecanismos reguladores extremamente restritivos. Na Europa, o excesso de regulação (burocracia) é responsável por toda sorte de atrasos no processo de tomada de decisões que deveriam ser tomadas em poucas horas. Nos EUA, tudo isso é mais ágil e, portanto, mais eficiente, o que não dá tanto espaço ou margem para que um presidente faça o que lhe der na telha.

  • Na América Latina, ainda persistem alguns governos de cunho populista, como até bem pouco tempo era o caso inclusive do Brasil. Por sinal, somos o país com o mais moderno sistema jurídico no mundo, o que não parece ser uma vantagem, como vimos recentemente…

O Brasil

O maior problema do Brasil é a ineficiência. A corrupção pode ser enquadrada nesta ineficiência, uma vez que os mecanismos reguladores dos contratos e das transações comerciais não foram capazes de (ou não quiseram) detectar o dinheiro que se esvaía para outros destinos que não aqueles de interesse público.

A corrupção pode ser comparada como uma rede de abastecimento de água tratada que deveria chegar a todos os destinos com pressão suficiente… Mas como foram feitos gatos e há vazamentos logo na saída da estação de tratamento, o volume e pressão da água entregue é diferente daquele que saiu inicialmente. Portanto, a água que retorna para ser tratada, será igualmente menor, ocasionando um déficit de armazenamento…

Alguns países, como a Dinamarca, extinguiram o dinheiro de papel em 2016 para ter maior controle sobre a circulação de divisas e tentar estancar estes “vazamentos”, que também ocorrem por lá e em outros países do 1º Mundo.

Como o dinheiro que deveria retornar sob a forma de serviços era inferior ao que realmente foi pago, começou a faltar dinheiro em toda a cadeia… O primeiro passo é o desemprego e com ele, a diminuição do poder aquisitivo, que prejudica inicialmente o comércio e depois a indústria e pronto, está armado o círculo vicioso que todos conhecemos.

br2017

Em nosso país, a cultura do superfaturamento é um problema cultural, que ocorre desde os tempos do Brasil-Colônia…

A ineficiência vem acompanhada de um outro problema global: a falta de ética, numa época em que vivemos um mundo de aparências pautado pelo “politicamente correto” que, neste período de Júpiter em Libra transformou o mimimi numa arte…

Bom moço

Existem, porém, os aspectos positivos desta relação entre Saturno em Sagitário e Júpiter em Libra. Casos de violência doméstica, estupros, homofobia e xenofobia sempre existiram desde tempos remotos, mas agora saíram de sob o tapete e entram em nossos lares casa através dos noticiários, sendo discutidos inclusive nas escolas. Tornados crime, suas ocorrências são denunciadas e as pessoas que cometeram tal ato, condenadas e presas.

Expectativas

Durante o ano de 2017, Saturno transitará no Signo de Sagitário até meados de Dezembro, quando ingressa em Capricórnio; e Júpiter, no Signo de Libra, até meados de Outubro, ingressando no Signo de Escorpião. Durante todo o ano, Júpiter estará na Via Combusta. Estes dois Astros formarão um sextil ao final de Agosto, quando Saturno retoma o movimento direto. Trata-se do último contato entre os dois astros, antes de formarem a conjunção, em Aquário, ao final de Dezembro de 2020.

A colega Barbara Abramo afirmou em sua página pessoal (14/12/2016) que “o navio Brasil vai encontrar o seu prumo apenas em 2020”. Pelo que descrevi acima, devemos ter boas expectativas para o nosso país apenas a partir do início de 2021. Aí você irá me perguntar: conseguiremos sobreviver até lá? Sim!!! Com certeza!!!

Mas não dá para pensar que todos os problemas que elenquei anteriormente sejam solucionados, com esta configuração entre os dois astros regentes dos acontecimentos sociais, econômicos e culturais. Com Saturno em Sagitário ainda teremos notícias de atentados, de miseráveis fugindo de seus países e buscando melhor sorte em outros países, além das fronteiras… Com Júpiter em Libra, haverá muitas discussões políticas, marcos regulatórios, protocolos, mas nenhuma decisão concreta que corrija o que está errado.

Ao mesmo tempo que ocorre um vazio de lideranças, há também um empobrecimento do pensamento e das reflexões (limitadas a 140 caracteres, será que me leu até aqui?). É um campo fértil para todos os tipos de movimentos populares baseados em slogams sem qualquer probabilidade de se tornarem realidade (as campanhas das utopias sociais são realizadas através do Signo de Sagitário).

Com relação aos EUA, os mecanismos regulatórios (Constituição, Senado, etc.) são suficientemente eficientes para evitar desastres e catástrofes provocadas por algum desorientado. Quanto à perda de importância dos EUA no cenário global, isto já ocorreu a partir da Era Obama, pois teve de primeiro arrumar a casa antes de tentar cuidar dos quintais dos vizinhos.

Brasil 2017

Os temas que se seguem serão melhor desenvolvidos em artigos futuros. Nos tópicos abaixo pretendo apenas responder ás questões mais importantes para o nosso país no ano de 2017.

  • A chapa Dilma-Temer será cassada pelo TSE? Há um período extremamente crítico em torno de 11/05/2017, época em que o risco de enfrentar problemas que levem à sua cassação é grande. Contudo, não existe nenhuma indicação particular no mapa de Dilma Rousseff. Assim, é mais provável que Temer esteja recebendo duras críticas e lidando com acusações graves, sem que seja cassado, cumprindo o seu mandato até o final.
  • As investigações de corrupção irão continuar? Sim, sem dúvida, mas de uma forma mais branda, uma vez que já obtiveram muito material que precisa ser analisado. Deverá entrar em nova fase a partir de meados de Outubro, quando Júpiter ingressar em Escorpião.
  • Lula será preso? Escrevi um artigo sobre esse tema e continuo achando pouco provável. Lambuzou-se com as oportunidades que teve acesso. Terá um período complicado quase na mesma época que Temer, em torno de 12/05/2015. Pessoalmente, acredito que o ex-presidente era apenas uma importante figura de fachada, uma espécie de fiador do esquema arquitetado e administrado pelas empreiteiras, de um lado e, José Dirceu e Antonio Palocci, do outro. Estes sim, com inteligência, sagacidade e perspicácia para um esquema desta dimensão.
  • A economia voltará aos trilhos? Não. No 1º semestre, particularmente entre os meses de Março e Junho, ainda veremos mais desemprego, dificuldades com arrecadação e inadimplência generalizada. A construção civil é um dos setores que já se encontra prejudicado e é o que mais deve sofrer neste período. Nesta época surge ainda a tendência inflacionária em razão da elevação dos serviços públicos. Apenas depois das eleições e graças à definição do presidente seguinte é que haverá perspectivas da economia voltar a crescer. Este tema será melhor desenvolvido em um artigo futuro.
  • Como fica a crise ética na política? Até Outubro, ainda teremos de lidar com abusos e absurdos. Porém, neste período, começa-se a se desenhar o cenário para as eleições de 2018. É bastante provável que os candidatos de maior destaque não sejam políticos de carreira. Porém, neste mês, em razão das investigações de corrupção, vários políticos terão de deixar os seus cargos, sendo substituídos por seus suplentes, alguns deles, inexpressivos, o que não quer dizer incapazes. Esta renovação trará um novo perfil, cujas consequências deverão influenciar na corrida presidencial do ano seguinte. Entretanto, em ano de Júpiter em Libra, deve-se esperar muitas tentativas de obter acordos, conversas de bastidores, mimimi que não leva a lugar nenhum. Este é mais um fator de estagnação para o país. Este tema também será melhor desenvolvido em um artigo futuro.

Conclusão

Em resumo, em 2017, lidaremos com os mesmos problemas que enfrentamos no 2º semestre de 2016.

Em nosso país, a curva do desemprego deve se estabilizar, ainda sem uma retomada. A ineficiência ainda será o maior problema. No mundo, também teremos de lidar com as mesmas questões (violência generalizada, terrorismo, diminuição do PIB e da renda per capita). Apesar de não ocorrer nenhum milagre, 2017 será mais tranquilo sob a perspectiva jurídica. Mas ainda não é o ano das soluções e dos resultados.

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O que há de comum nas “Astrologias”?

Recentemente, respondi uma postagem sobre a possibilidade de reunir num mesmo cesto Astrologia Tradicional, Psicológica, Chinesa, Védica, Cármica, Cabalística, Hermética, etc…

Será que é possível? Será que existe algum denominador comum que as poderia entrelaçar uma na outra?

A Astrologia como Conhecimento foi organizada e sistematizada na Babilônia em cerca de 1700 aec, o que pressupõe que já existisse anteriormente. Há registros do saber astrológico no Egito, na Índia e na China. E é provável que também em outros locais, como no norte da Europa e nos Andes. Porém, a corrente que resultou na Astrologia que chegou à Europa (Roma) no século II aec era aquela derivada da Escola de Alexandria, reunindo os saberes dos sábios egípcios (astronomia) com a filosofia grega.
Há registros da observação de Urano na China e na Índia. Nas tabuinhas de argila da Suméria, encontramos registros dos planetas até Plutão, incluindo-se os asteroides.

A Astrologia Védica é contemporânea deste veio principal da Astrologia e, embora tenha forte influência do período inicial da filosofia grega, não se manteve presa a esta, permitindo-se ser permeada por sua própria cultura. Assim, a Astrologia praticada na Índia teve um desenvolvimento à parte, seja em seus aspectos teóricos como filosóficos. Em primeiro lugar, temos que considerar que para as religiões hindus, temas como carma e destino são essenciais para o entendimento de sua cultura. Um hindu nascido numa casta deverá permanecer nesta casta e apenas poderá mudar ao longo de várias vidas sucessivas, a partir de seu merecimento.

Um Mapa Natal védico reflete o destino imutável daquele nativo em particular. Por esta razão, um de seus principais objetivos é encontrar a parceira certa para um dado nativo. Ainda, os métodos de interpretação e são muito diferentes daqueles a que o astrólogo ocidental está acostumado a empregar. Como empregam o Zodíaco Sideral, coexistem diversos métodos diferentes para calcular a correção existente entre os dois Zodíacos (Tropical e Sideral).

A Astrologia Védica desenvolveu-se à mesma época da Astrologia no Egito e na Grécia, mas com uma visão, filosofia e métodos próprios, que a tornaram independente de suas origens.

A Astrologia Chinesa é absolutamente baseada em seu calendário religioso, que é soli-lunar. Não tem nenhuma relação com a Astrologia praticada ocidental ou védica. É provável que a Astrologia praticada pelos celtas, pelos povos dos Andes e talvez até pelos maias seja semelhante, variando apenas os animais atribuídos aos meses/signos. Por serem soli-lunares, não se utilizam dos outros planetas.

Abraão é considerado o pai da Cabala. Mas era, antes de tudo, astrólogo, como atestam certas passagens na Bíblia. A Cabala é uma tradição que remonta aos primórdios da civilização e tem a sua origem na Suméria. Explica desde a criação do Universo até acontecimentos e eventos mais cotidianos da existência humana, oferecendo um diagrama com soluções para os desafios que se apresentam pelo caminho. Tem em si uma espécie de sistema astrológico criptografado e que pode ser considerado a origem de outros sistemas. Dentre eles, podemos citar algumas correntes místicas e mágicas que empregam a Alquimia interior.alexandria

O neo-platonismo exerceu forte influência no pensamento dos ocultistas e místicos principalmente a partir do século VI e é o veio comum que une a Astrologia Tradicional à Cabala, embora com propósitos aparentemente diferentes. No entanto, os símbolos e a linguagem astrológica encontrados na Cabala são semelhantes àqueles encontrados na Alquimia, codificados pelos sábios da Escola de Alexandria nos primeiros séculos da Era Comum. O neo-platonismo e a visão aristotélica de mundo que nortearam a Astrologia Ocidental, seja ela em sua corrente muçulmana como na corrente helenista. Enquanto que a primeira se ocupava da precisão e voltada para os acontecimentos astronômicos, a segunda se ocupava da harmonia e da beleza que o movimento dos céus proporcionava. Durante os séculos seguintes, a Astrologia que se desenvolveu na Europa, tentou conciliar estas duas formas de lidar não apenas com a Astrologia, mas principalmente com os eventos da vida. Embora não divergentes, cada uma tem um propósito próprio.

Esta grande revisão dos manuscritos árabes e gregos na Idade Média deu origem ao período clássico da Astrologia. É também o período clássico da Cabala. Diversas linhas de correntes iniciáticas também surgem nesta época, como resultado do saber trazido pelo povo árabe (incluindo-se o povo judeu). A Alquimia e a Magia tiveram forte desenvolvimento nesta época, sempre com o uso da simbologia astrológica. Uma vez que ambas correntes serviam tanto para a transformação interior como para a exterior, foram, juntamente com a Astrologia e a Cabala, estudadas com afinco nos monastérios.

A Astrologia Hermética é um ramo importante da Astrologia e tem a sua codificação neste período graças aos escritos atribuídos a Hermes Trimegisto. Liga-se diretamente à Cabala e acredito que sua tradição ocorreu paralelamente a esta, se não, em seu próprio interior.

O Iluminismo trouxe o desenvolvimento do pensamento humano e das ciências. E, com ela, o livre-arbítrio. Ptolomeu, no século I ec, já escrevera a respeito introdução do Tetrabiblos, portanto, não era um assunto novo. A novidade do século XVII foi dissociar o divino da humanidade. A Astrologia e as outras Artes entraram em declínio, passando a ser estudadas de forma velada ou em segredo. Exteriormente, perderam a sua identidade.

Na virada do século XIX para o século XX surgem várias Ordens Iniciáticas e Escolas de Mistérios, busca do reviver os “segredos” do universo e da transformação pessoal através das Artes de outrora. É neste mesmo bojo que surge a Sociedade Teosófica. Seu propósito era ainda mais amplo, pois o cristianismo vivia uma crise de descrédito.

A Sociedade Teosófica, por meio de seus fundadores, reuniu aspectos da filosofia hindu à tradição ocidental. E foi ela que deu origem à Astrologia Cármica, numa adaptação ocidental à Astrologia Védica. No século XX, foi ela que atribuiu os significados aos astros após Saturno. E ao fazê-lo, sem qualquer vínculo com a Tradição, quebrou a Harmonia celeste tão preciosa aos astrólogos da Antiguidade.

A Astrologia Contemporânea surgiu então como uma combinação da Astrologia Tradicional e das atribuições teosóficas aos planetas após Saturno e que foram adaptados e readaptados a partir da década de 50 combinados ainda à Psicologia. Os métodos de interpretação da Astrologia Tradicional e da Contemporânea são diferentes, uma vez que seus objetivos também o são. Estas diferenças podem ser encontradas em mais detalhes neste artigo.

Qualquer Tradição, para ter valor, precisa ser viva, adaptando-se ao seu tempo e local. Contudo, uma das características de uma Tradição é que as suas verdades permanecem inalteradas ao longo dos séculos, mudando apenas a linguagem que a expressa. Por esta razão que qualquer Tradição é composta de princípios simples e muitas vezes, excessivamente óbvios. Qualquer mudança ao corpo das verdades da Tradição revela falta de conexão com a essência (Espírito) que anima esta Tradição e portanto, deixa de ser tradicional e dá origem a algo novo que não é mais tradicional.

Embora a Tradição permanecesse viva nas Escolas de Mistério, a Astrologia Clássica se caracteriza pelas adaptações dos manuscritos gregos e árabes, revendo conceitos que não entendiam e, muitas vezes, até reformulando-os.

Por outro lado, a Astrologia Contemporânea realiza uma ponte com a Psicologia, adaptando este estudo à linguagem astrológica que chegava no início do século XX com a intervenção da Sociedade Teosófica.

Assim, podemos concluir que apenas a Astrologia baseada na Tradição pode se conciliar com as outras Artes. Como as diversas correntes astrológicas derivam de saberes variados, conceitos filosóficos e culturais muitas vezes antagônicos, não é possível reunir as correntes astrológicas sem descaracterizá-las.

Notas:

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2014 – Ano de Júpiter

Chega o final do ano e, como de praxe, surgem as expectativas sobre o ano seguinte.  2014 é um daqueles anos importantes, com eleição para presidente e Copa do Mundo sendo realizada em nosso país. Nessas horas, a “desacreditada” Astrologia é buscada como fonte de referência. 

Existem dois ciclos que ocorrem simultaneamente, ambos baseados na estrela setenária:ciclos_planetas

O ciclo de 36 anos percorre o sentido da estrela, a partir de Saturno. A influência do planeta regente do ciclo se estende durante todo o período. O ciclo atual se iniciou em 1981 e é regido pelo Sol.
Ao mesmo tempo, há o regente anual, que segue a ordem dos planetas, no sentido horário, iniciando-se com Saturno.

ciclo_solA tabela ao lado mostra o Ciclo do Sol, iniciado em 1981.

Por fim, cada ano se inicia por ocasião do Ingresso do Sol em Áries, que se dá em torno do dia 22/03. Porém, a informação que a maior parte do público espera é relativamente ao ano civil.

O ciclo do Sol se encontra associado à Social Democracia e à Globalização. Mas também aos grandes líderes que compuseram esta página da história: Margareth Thatcher, Ronald Reagan, Mikhail Gorbachev, Yasser Arafat, Shimon Peres, Nelson Mandela e, no Brasil, Fernando Henrique Cardoso. E, da mesma forma como assistimos à ascensão destes líderes, também estamos assistindo ao seu ocaso.

No âmbito pessoal, vemos o culto à beleza e da vaidade, expressando-se através da proliferação do fisiculturismo, das cirurgias estéticas e das mais diversas dietas e tratamentos estéticos.

E é dentro deste ciclo maior que acontece o Ano de Júpiter.

Considerando o ano civil, podemos dividir o período em duas fases:

  • Júpiter em Câncer: Retrógrado até 06/03.
  • Júpiter em Leão: Ingresso em 16/07; Retrógrado a partir de 08/12.

No início de Março, Marte e Saturno também ficarão retrógrados, pouco antes de Júpiter voltar ao movimento direto. Saturno permanecerá retrógrado entre 02/03 e 20/07. Marte permanecerá retrógrado entre 01/03 e 20/05.

Em outras palavras, o 1º semestre apresenta configurações mais difíceis que aquelas existentes no semestre seguinte.

Economia: Baixo nível de crescimento em geral, particularmente na Comunidade Europeia e EUA. A partir de março, o nível de endividamento público tenderá a aumentar; soluções caseiras serão empregadas para superar a crise de falta de recursos e a pressão inflacionária. Câmaras setoriais, entretanto, serão a melhor forma de superar falta de liquidez. No Brasil, ocorrem os mesmos problemas, mas como se trata de ano de eleição, não podemos contar com uma solução à altura do desafio. Em nosso país, acredito ainda numa desaceleração das vendas no comércio (varejo) entre março e junho. Alguma medida de redução de impostos pode ser editada em maio.

Haverá maior competitividade no mercado a partir de agosto. A produção e a venda de armamento deve impulsionar a economia de vários países. Ou seja, podemos contar com a existência de diversos conflitos em várias partes do mundo. O destaque comercial, nesta área, caberá à Rússia. No Brasil, com Júpiter em Leão, os olhares que antes se mantinham fixos na Copa do Mundo, dirigem-se para as eleições presidenciais. Aposto em várias medidas de incentivo e estímulo ao consumo, de nenhum valor efetivo no médio e longo prazo.

Política: Como exposto acima, após a Copa do Mundo, todas as atenções se voltarão para as eleições presidenciais. A minha tendência é concordar com as análises feitas por Maurício Bernis, que aponta para a reeleição da atual presidenta. Outras questões como as denúncias de corrupção, que vem acontecendo em todo o país, deverão ter pouca repercussão no 2º semestre. Na Europa, acredito que o tema será a inclusão de países tradicionais no bloco econômico. Contudo, os papeis de Rússia e China nas políticas internacionais deverá aumentar. A Rússia o fará através da ampliação do competitividade econômica, minando restrições através de acordos bilaterais e, a China, buscando aumentar a sua influência no Pacífico. Os EUA, permanecerão hesitantes e muitas vezes, tardios, em suas a articulações internacionais como mediadores dos vários conflitos regionais que continuarão a existir.

logoEsportes: Todas as atividades esportivas terão destaque e relevância a partir do 2º semestre. Júpiter no signo de Leão favorece todas as modalidades coletivas que tenham grande exposição na mídia, como o futebol, volei, basquete, etc. Igualmente, certos esportes considerados radicais ou de aventura, como rally, enduro, etc, também obterão destaque. Leão é também um signo associado às elites e vaidades, portanto, certas modalidades esportivas de alto custo, como a F1, também acabarão se favorecendo na segunda metade do ano.

Artes: Um estilo conservador e de cores médias será a tônica no 1º semestre. O signo de Câncer se encontra associado às aquarelas e às melodias mais suaves, eventualmente líricas. Mas também proporciona uma volta ao passado e poderá trazer conjuntos musicais tradicionais de todos os estilos. O signo de Leão favorece as artes dramáticas, as orquestras e sinfônicas. Performance de todos os tipos também obterão destaque, particularmente aqueles com boa dose de humor. Devem surgir grandes produções no 2º semestre.

No âmbito da individualidade, a mudança observada será aquela de buscar novos horizontes através de viagens, estudos ou culturas estrangeiras. Para tanto, o conhecimento de outros idiomas poderá ser muito útil quando em contato com pessoas de outras nações. Mas também é o sair do útero, representado pela segurança do lar e da família, para competir no meio exterior. Para muitos, significará deixar para trás a dependência financeira dos pais. Para outros, talvez uma vida mais dinâmica e criativa, movida pela paixão, especialmente no 2º semestre.

Contudo, Leão é o signo do orgulho e da vaidade e o culto à beleza é um dos caminhos possíveis. Ao invés de buscar uma vida top de linha, contenta-se com a sua aparência, mas corre o risco de enfrentar a desilusão da falta de paixão. A propósito, o amor será um tema recorrente durante este período.

jup_sol2O alargamento de seus horizontes se dá através do desejo sincero e muitas vezes, espontâneo, de ligar à como Criação co-criador. A espiritualidade terá uma nota forte durante todo o ano. E se, no 1º semestre, você se contentar em seguir a religião de seus pais, no 2º semestre ansiará por mais glamour e ritual, talvez até menos religioso. Todas as denominações que favorecem o canto alegre, como é o nas igrejas neo pentecostais, verão um aumento no número de seus seguidores. Veja mais em 2014 – Ano de Júpiter e a Renovação Espiritual.

Concluindo, o ano de 2014, regido por Júpiter, é indicado para que você saia de seu próprio casulo e opte por um caminho só seu. Evite se manter sempre no palco: uma boa autoavaliação e exame de consciência evitam maiores transtornos antes de deitar a sua cabeça no travesseiro. Este será um ano de progresso, desde que não se deixe vencer pelo conjunto dos medos e inseguranças surgidas ao longo do 1º semestre.

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Falácia astrológica

Será que a Astrologia surgiu mesmo para orientar a Agricultura?

Quem mora no campo ou se envolve com plantação sabe que o conhecimento astronômico é absolutamente desnecessário. Os ciclos de semeadura e colheita se repetem anualmente. Os sinais para prever secas e chuvas eram na própria natureza, através do comportamento de certos animais e insetos e, eventualmente, nas cores do nascer e do por do sol.

Sumer ZiguratAo contrário, os observatórios astronômicos se encontravam no topo dos templos que em centros urbanos. A construção destes observatórios bem como a elaboração das tabelas astronômicas requer uma sofisticação tecnológica disponível apenas nas cidades. Portanto, a Astronomia e a Astrologia não se desenvolveram nos campos. E tinham um caráter religioso, uma vez que a Astronomia surgiu para, ao olhar para o céu, prever a época do retorno dos deuses à Terra. E a Astrologia, ao olhar para o céu, prever o que aconteceria na Terra enquanto isso.

Afirmar que a Astrologia surgiu para prever as épocas de semeadura, plantio e colheita é diminuir sua importância. O fato de se encontrar na mão de sacerdotes, reforça o seu valor. Os sacerdotes eram responsáveis pela precisão do calendário. Segundo acreditavam, os deuses viriam à Terra em períodos precisos.

Seus calendários tratavam de ciclos muito longos, de milhares de anos. Em muitos casos, o início de sua contagem era muito anterior à existência de suas civilizações. Os sumérios e os hindus contavam eventos ocorridos a cerca de 400 mil anos.

O retorno dos deuses se dava para a ascensão das dinastias, que ocorria no ingresso de cada Era Zodiacal. Isto implica que os sacerdotes sabiam da existência da Precessão dos Equinócios, responsável pela retrogradação da posição das estrelas em um grau a cada 72 anos ou um Signo a cada 2160 anos. É certo também que conheciam a inclinação do eixo da Terra e que este varia ao longo do tempo: os observatórios eram realinhados (recalibrados) a cada início de Era.

As últimas participações dos deuses nas atividades humanas ocorreram em cerca de 1400 aec, como inclusive é atestado no Antigo Testamento. Desde então, não foram mais vistos entre nós. Assim, Deus ou os deuses se tornaram cada vez mais empíreos e passíveis de especulações metafísicas e teológicas, dando início às religiões.

Para muitos, a Astrologia começou a declinar nesta época, sendo envolvida em superstições. E a cada ciclo de “renovação” do conhecimento astrológico, o saber original era pasteurizado e mutilado. Isso se deu pela falta de compreensão dos propósitos deste saber.

Nos séculos XVIII e XIX, sua natureza divina foi removida. Nos séculos XX e XXI, o pouco que ainda restou dos princípios e métodos originais foi sumariamente “esquecido” para dar lugar a uma pseudo Astrologia, que frequentemente contraria suas noções e verdades primordiais.

Os propósitos originais da Astrologia cabem em nossa atual cultura tecnológica?

O mapa da natividade indica o caminho que cada um pode seguir para tornar-se um ser humano melhor. Isso é feito através da identificação com as características planetárias e sua transcendência. Os deuses serão encontrados além das esferas planetárias, como também se encontra indicado na Bíblia. O erro se encontra ao afirmar que Deus se encontra dentro de nós uma vez que Ele não incorpora em sua Criação.

A partir do momento em que o Homem resolveu que ocuparia o centro da Criação, relegando os deuses para uma periferia marginalizada ou até questionando a sua existência, a sociedade entrou em colapso. A vida e o planeta são considerados em termos de períodos muito curtos, aqueles da existência humana. Por outro lado, os povos antigos se utilizavam de períodos muito longos, de vários milhares de anos, preservando assim a sua perspectiva histórica.

Este aspecto permite, acima de tudo, evitar a repetição dos erros do passado. Porém, permite principalmente preservar a qualidade do presente e do futuro correspondente.

A Astrologia dispõe de um “relógio” de grande precisão que permite, de tempos em tempos, que os deuses se sincronizem e se sintonizem conosco. Enquanto isso, o mapa da natividade permite que você seja um ótimo gestor de sua própria vida, refinando a natureza e caráter, tornando-se um ser humano melhor a cada dia.

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As origens da Astrologia

No Dia de Reis, comemora-se também o Dia do Astrólogo, uma vez que os Três Reis Magos também eram astrônomos-astrólogos. Vindos da Caldéia, terra associada não apenas à Astrologia, mas elevados conhecimentos mágicos e terapeuticos.

Historicamente, sabe-se que a primeira vez que a Astrologia fora organizada como um saber foi sob Hamurabi, no século XVII aec. No entanto, se ela já existia, como surgiu? O simples fato de observar o céu, que é um ato natural do ser humano, não assegura a sua interpretação. Ainda, existem espalhados em diversos pontos do planeta diversos observatórios que datam de uma época muito mais antiga, pré diluviana, ou seja, anteriores a 4500 aec.

No meio ocultista e iniciático, admite-se que os nephillin eram dotados de conhecimentos e poderes especiais. Eles surgem em diversas cosmogonias e mitos. São os titãs, da mitologia grega; os Tuatha de Daanan, que fundaram a Irlanda; e também na Bíblia, correspondem ao resultado do casamento entre os Filhos de Deus (Elohim) e as filhas dos Homens. Estes semideuses foram instruídos em diversas artes e especialmente naquela de vigiar o céu. Quem eram esses “Filhos de Deus”? São os anjos cuja missão era justamente instruir a humanidade.

Juntando de outras fontes, é muito provável que estes gigantes tenham inicialmente habitado a mítica Atlântida e que após o dilúvio, tenham se espalhado pelo então mundo habitado. Alguns autores sugerem que os Patriarcas bíblicos tenham sido todos descendentes dos nephillin. Há descrições a respeito de Abraão que combinam em muito com a descrição que é feita destes seres. Noé e Moisés também possuem características que tornam possível que sejam descendentes destes anjos, cuja missão é elevar o Homem de sua inocência e ignorância.

Lúcifer, o portador de da Luz, não é um rebelde, mas sim, um anjo com a missão de libertar a humanidade das trevas. Segundo a Tradição, depois de enorme sacrifício para descer (ou cair?) até os planos densos e materiais da Terra, os cerca de duzentos anjos liderados por Lúcifer iniciaram seu trabalho que se estende até os dias de hoje.

Os anjos que tinham a missão de ensinar a interpretação do sinais dos céus eram:

  • Baraqijal: A arte Astrologia.
  • Kokabel: os mistérios das estrelas e das constelações.
  • Shamsiel: o Zodíaco.
  • Sariel: o uso das forças lunares.

Abaixo, o símbolo da Classe dos Vigilantes:

Há muito de mitológico na estória corrente sobre os Reis Magos. Uma pálida passagem em Mateus, sem mencionar grandes detalhes e muito menos a glória encontrada em Lucas, quanto à Natividade.

Documentos existentes no Vaticano parecem comprovar a sua existência e até fornecem alguns detalhes adicionais, como a idade e procedência. No meio acadêmico, porém, há muita controvérsia envolvendo o relato dos Reis Magos, citando inclusive erros de tradução, onde caldeus, magos, mágicos e astrônomos forma tratados como um único verbete.

Por estas razões, prefiro apontar o início da Astrologia em algum período muito anterior. E Lúcifer o seu principal patrono.

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Algo maior?

Hoje em dia, é costume perguntar sobre tudo, ao menos entre os acadêmicos ou pesquisadores. E resolvi fazer o mesmo com a Astrologia.

Embora possa ser mais antiga, sabe-se que ela surgiu na Suméria em cerca de 2400 aec, junto com outras técnicas, artes e ciências. É intrigante que uma civilização que vivia praticamente no neolítico, em cerca de 300 anos passou a dominar conhecimentos especializados como trigonometria, arquitetura, hidráulica, astronomia e leis (Código de Hamurabi).

Entre os antropólogos, a tese mais aceita é que o saber astrológico, juntamente com todos os demais saberes que possibilitaram o florescimento da civilização suméria, tenha sido revelado ou transmitido por agentes externos. Há algumas teses acadêmicas escritas sobre o tema, variando a maneira como discorrem a respeito desta hipótese, denominada exógena. Entretanto, existem indícios de que a observação astrológica seja bem mais antiga, recuando a talvez cinco ou seis mil anos.

Partindo da premissa de que um agente exterior, um mensageiro ou ET (ou um conjunto deles, mensageiros ou Ets) tenha transmitido o saber astrológico entre vários outros saberes eu pergunto:

  • Porque estes seres supostamente evoluídos (a ponto de se deslocarem até este longínquo planeta) se deram ao trabalho de ensinar a Astrologia?

Vários livros tentam nos convencer que a Astrologia surgiu pela necessidade de prever as estações e melhores épocas para a colheita. Trata-se de uma resposta que pode ser facilmente descartada na medida em que sabemos que em várias partes do mundo foram erigidos monumentos ou templos a céu aberto para acompanhar o movimento de alguns astros.

Particularmente, defendo a ideia de que a Astrologia surgiu como instrumento para contar o tempo, com a função de servir de calendário. No Oriente Médio e Vale do Indo, onde a Astrologia floresceu nos primórdios, dispunha de calendários astrológicos de longo prazo, muito maiores e mais extensos que a duração de uma vida humana. Não há sentido em contar ciclos de mais de dois ou três mil anos.

Ter o controle sobre o tempo permite planejar o futuro. Controlar o tempo é ter o poder sobre a existência. Hoje, dizemos “tempo é dinheiro”. Alguns sacerdotes (magos-astrólogos) incutiam medo prevendo eclipses (ocultação do Sol ou da Lua).

Mas deve existir algum propósito ainda maior. Várias culturas e tradições antigas associam as estrelas e constelações aos deuses e muitas delas, dizem que suas origens são desta ou daquela estrela (Sirius, Capella, Vega, Aldebaran, etc…). E a Astrologia dos primórdios estava diretamente associada às constelações e estrelas, os signos não eram tão importantes como hoje em dia.

Novamente uma pergunta:

  • Será que a Astrologia era um caminho eu poderia nos indicar o caminho de ida para algum outro lugar que não a Terra? Ou um retorno a uma morada perdida ou superior?

Se esta hipótese puder ser verdadeira, então a Astrologia poderia nos dar um caminho de algo que hoje denominamos “elevação espiritual” de uma maneira tanto coletiva como individualizada, como queriam Kepler e Campanus.

Como isto se processa? Como obter esta informação? Será uma espécie de gnose terapêutica? Um autoconhecimento profundo com propósitos transcendentes e apologéticos?

O saber astrológico que chegou até os gregos e egípcios já veio desfigurado e o foi mais ainda durante os vários séculos na Europa. O século XX assistiu, quanto à Astrologia, novas pesquisas e estudos, mas também, enxertos e adaptações que tornaram irreconhecível as fontes originais, a ponto da Astrologia se tornar um instrumento bidimensional (The Round Art, de A. T. Man é um exemplo).

Mas ainda dá tempo… Como escrevi acima, os antigos lidavam com ciclos muito longos. Um ciclo de eclipses, por exemplo, dura entre 17 a 21 séculos…

Vamos reencontrar o nosso Caminho através da Astrologia?

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A Dança dos Luminares

Eclipses são indicadores de mudança. Eram sempre temidos pelos antigos.

Neste caso, não poderia ser diferente. Será visível apenas nas altas latitudes do Hemisfério Sul e, portanto, tem a sua ação e influência diminuídas também em razão da baixa altitude.

Imagem do Eclipse (Nasa Eclipse Web Site).

Pertence à Série de Saros nº 123, iniciada em 1074. Este período corresponde ao da Cisma da Igreja Católica e o início das Cruzadas. Porém, vale citar que a primeira universidade foi fundada em 1088. Sua implantação se deu sob a vigência deste primeiro eclipse da série.

O eclipse atual é o 53º de 70 e se encerra em 2318. Uma pesquisa nos eclipses anteriores desta série coloca os temas em religião e ambiente acadêmico em foco. Há uma ênfase (direta ou indireta) no Signo de Sagitário. O primeiro deles começa com Saturno ocupando este Signo.

Há uma diferença entre os eclipse que ocorrem nos Nodos Lunares Norte e Sul. Este ocorre no Nodo Norte e é considerado agregador e construtivo. Ou menos destrutivo. É Mercúrio retrógrado quem dá o tom deste eclipse em particular, chamando a atenção especialmente para o emprego da ética e os valores realmente tradicionais da humanidade.

Sugere o retorno a conceitos simples de educação e cultura, sem adereços ou enfeites. Impele à busca da lealdade e confiabilidade como valores básicos. Júpiter, regente de Sagitário, encontra-se igualmente retrógrado em Touro em mútua recepção com Vênus. Portanto, trata-se de uma ética dos sentidos, de pegar, tocar, cheirar.

Este eclipse fala de coisas simples, de valores e conceitos que já eram conhecidos por nossos pais e avós. Trata de um retorno às origens, em que negócios eram selados à base de um fio de bigode. Em meio a uma grave crise de consumo, em que os mercados encolhem e até Deus se tornou um negócio rendoso e próspero, é hora de lidar com os paradoxos que a sociedade contemporânea se encontra imersa.

As Cruzadas promoveram a devastação e a destruição por onde passaram. Hoje, é a necessidade de consumo que esgota com os recursos do planeta. Rios e lagos tem secado e desaparecido, drenados para irrigação de imensas áreas de plantio. O solo dos mares está coberto de lixo, óleo e plástico. Mineração e agricultura tem criado enormes modificações na morfologia do solo, criando áreas erodidas. Onde haviam florestas e morros, hoje só existem extensas planícies, várias delas, desertificadas em razão da exaustão do solo.

As diferenças religiosas ainda são causadores de guerras e desentendimentos entre Ocidente e Oriente. Porém, assistimos à mudanças importantes no Islã africano, que podem resultar em cismas ainda maiores, bem como, no avanço da pobreza e miséria onde a riqueza é pouca e para poucos.

Este eclipse aponta para o futuro da humanidade e apresenta soluções, dá pistas do caminho a seguir. Não promete nenhuma devastação, pois leva à reflexão (Júpiter e Mercúrio retrógrados), a busca da ética e dos costumes tradicionais. De tentar viver com mais simplicidade, antes que esta crise de recursos nos devore e ao planeta.

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