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Falácia astrológica

Será que a Astrologia surgiu mesmo para orientar a Agricultura?

Quem mora no campo ou se envolve com plantação sabe que o conhecimento astronômico é absolutamente desnecessário. Os ciclos de semeadura e colheita se repetem anualmente. Os sinais para prever secas e chuvas eram na própria natureza, através do comportamento de certos animais e insetos e, eventualmente, nas cores do nascer e do por do sol.

Sumer ZiguratAo contrário, os observatórios astronômicos se encontravam no topo dos templos que em centros urbanos. A construção destes observatórios bem como a elaboração das tabelas astronômicas requer uma sofisticação tecnológica disponível apenas nas cidades. Portanto, a Astronomia e a Astrologia não se desenvolveram nos campos. E tinham um caráter religioso, uma vez que a Astronomia surgiu para, ao olhar para o céu, prever a época do retorno dos deuses à Terra. E a Astrologia, ao olhar para o céu, prever o que aconteceria na Terra enquanto isso.

Afirmar que a Astrologia surgiu para prever as épocas de semeadura, plantio e colheita é diminuir sua importância. O fato de se encontrar na mão de sacerdotes, reforça o seu valor. Os sacerdotes eram responsáveis pela precisão do calendário. Segundo acreditavam, os deuses viriam à Terra em períodos precisos.

Seus calendários tratavam de ciclos muito longos, de milhares de anos. Em muitos casos, o início de sua contagem era muito anterior à existência de suas civilizações. Os sumérios e os hindus contavam eventos ocorridos a cerca de 400 mil anos.

O retorno dos deuses se dava para a ascensão das dinastias, que ocorria no ingresso de cada Era Zodiacal. Isto implica que os sacerdotes sabiam da existência da Precessão dos Equinócios, responsável pela retrogradação da posição das estrelas em um grau a cada 72 anos ou um Signo a cada 2160 anos. É certo também que conheciam a inclinação do eixo da Terra e que este varia ao longo do tempo: os observatórios eram realinhados (recalibrados) a cada início de Era.

As últimas participações dos deuses nas atividades humanas ocorreram em cerca de 1400 aec, como inclusive é atestado no Antigo Testamento. Desde então, não foram mais vistos entre nós. Assim, Deus ou os deuses se tornaram cada vez mais empíreos e passíveis de especulações metafísicas e teológicas, dando início às religiões.

Para muitos, a Astrologia começou a declinar nesta época, sendo envolvida em superstições. E a cada ciclo de “renovação” do conhecimento astrológico, o saber original era pasteurizado e mutilado. Isso se deu pela falta de compreensão dos propósitos deste saber.

Nos séculos XVIII e XIX, sua natureza divina foi removida. Nos séculos XX e XXI, o pouco que ainda restou dos princípios e métodos originais foi sumariamente “esquecido” para dar lugar a uma pseudo Astrologia, que frequentemente contraria suas noções e verdades primordiais.

Os propósitos originais da Astrologia cabem em nossa atual cultura tecnológica?

O mapa da natividade indica o caminho que cada um pode seguir para tornar-se um ser humano melhor. Isso é feito através da identificação com as características planetárias e sua transcendência. Os deuses serão encontrados além das esferas planetárias, como também se encontra indicado na Bíblia. O erro se encontra ao afirmar que Deus se encontra dentro de nós uma vez que Ele não incorpora em sua Criação.

A partir do momento em que o Homem resolveu que ocuparia o centro da Criação, relegando os deuses para uma periferia marginalizada ou até questionando a sua existência, a sociedade entrou em colapso. A vida e o planeta são considerados em termos de períodos muito curtos, aqueles da existência humana. Por outro lado, os povos antigos se utilizavam de períodos muito longos, de vários milhares de anos, preservando assim a sua perspectiva histórica.

Este aspecto permite, acima de tudo, evitar a repetição dos erros do passado. Porém, permite principalmente preservar a qualidade do presente e do futuro correspondente.

A Astrologia dispõe de um “relógio” de grande precisão que permite, de tempos em tempos, que os deuses se sincronizem e se sintonizem conosco. Enquanto isso, o mapa da natividade permite que você seja um ótimo gestor de sua própria vida, refinando a natureza e caráter, tornando-se um ser humano melhor a cada dia.

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Os Regentes do Tempo (Cronocratas)

Com métodos aparentemente simples, os astrólogos gregos obtinham excelentes resultados em suas predições. Será que podemos repetir as suas técnicas nos tempos atuais?

A Astrologia Helenística foi praticada entre os anos de 150 aec e 600 ec. É considerada a base da Astrologia Ocidental e da Védica.

Os Regentes do Tempo era uma maneira de dividir a vida do nativo em períodos associados aos astros. Vettius Valens e Dorotheus descrevem métodos ligeiramente diferentes para as épocas de clímax, mas são unânimes em afirmar que os acontecimentos indicados no Mapa Natal ocorrem geralmente ao final do período de cada astro ou de seu regente.

A tabela abaixo ilustra a atribuição dos anos de cada astro:

O período menor é baseado no ciclo sinódico de cada astro em relação ao Sol. O período do Sol é derivado do ciclo metônico (recorrência dos eclipses). Com relação à Lua, há diversas hipóteses, mas é provável que corresponda a intervalo de tempo para que uma fase se repita no mesmo dia do ano.

Os períodos maiores são baseados no número de graus que cada astro ocupa nos Termos.

Uma curiosidade a respeito dos períodos menores é que a soma do dobro, metade e terço de todos os astros corresponde a 365,5, que é o número de dias do ano:

Firmicus Maternus indica que a soma do dobro, metade e terço corresponde ao número de dias que cada astro governa ao longo do ano. Segundo Vettius Vallens, a partir do aniversário, o primeiro astro será o regente da profecia e governará o primeiro período do ano, seguindo-se da Estrela Setenária.

Outro sistema emprega os períodos menores em conjunto com as ascensões oblíquas que, transformadas em tempo, são precursoras das Direções Primárias.

Contudo, a Cronocracia mais conhecida é, sem dúvida, a Firdária. Segundo Al Biruni, toma-se o Sol para nascimento diurno e a Lua, em nascimentos noturnos. Cada astro governará pelo número de anos de seu período menor. Cada período pode ainda ser dividido em sete subperíodos, como uma espécie de “subfirdária”.

Por este método, os períodos significativos, com a ocorrência de um evento importante relacionado à interpretação do astro no Mapa Natal são:

  • Final do período menor de cada astro.
  • Firdária com a participação de seu regente ou astro com o qual forme aspecto.
  • Firdária com a participação do regente do Ascendente.

Quanto mais importante um astro no Mapa Natal, maior será a importância do período que governa.

Cumpre notar que os gregos adotavam o método de Casas Iguais e que o Ascendente poderia ser o signo ocupado pelo grau da Parte da Fortuna (diurna ou noturna).

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Algo maior?

Hoje em dia, é costume perguntar sobre tudo, ao menos entre os acadêmicos ou pesquisadores. E resolvi fazer o mesmo com a Astrologia.

Embora possa ser mais antiga, sabe-se que ela surgiu na Suméria em cerca de 2400 aec, junto com outras técnicas, artes e ciências. É intrigante que uma civilização que vivia praticamente no neolítico, em cerca de 300 anos passou a dominar conhecimentos especializados como trigonometria, arquitetura, hidráulica, astronomia e leis (Código de Hamurabi).

Entre os antropólogos, a tese mais aceita é que o saber astrológico, juntamente com todos os demais saberes que possibilitaram o florescimento da civilização suméria, tenha sido revelado ou transmitido por agentes externos. Há algumas teses acadêmicas escritas sobre o tema, variando a maneira como discorrem a respeito desta hipótese, denominada exógena. Entretanto, existem indícios de que a observação astrológica seja bem mais antiga, recuando a talvez cinco ou seis mil anos.

Partindo da premissa de que um agente exterior, um mensageiro ou ET (ou um conjunto deles, mensageiros ou Ets) tenha transmitido o saber astrológico entre vários outros saberes eu pergunto:

  • Porque estes seres supostamente evoluídos (a ponto de se deslocarem até este longínquo planeta) se deram ao trabalho de ensinar a Astrologia?

Vários livros tentam nos convencer que a Astrologia surgiu pela necessidade de prever as estações e melhores épocas para a colheita. Trata-se de uma resposta que pode ser facilmente descartada na medida em que sabemos que em várias partes do mundo foram erigidos monumentos ou templos a céu aberto para acompanhar o movimento de alguns astros.

Particularmente, defendo a ideia de que a Astrologia surgiu como instrumento para contar o tempo, com a função de servir de calendário. No Oriente Médio e Vale do Indo, onde a Astrologia floresceu nos primórdios, dispunha de calendários astrológicos de longo prazo, muito maiores e mais extensos que a duração de uma vida humana. Não há sentido em contar ciclos de mais de dois ou três mil anos.

Ter o controle sobre o tempo permite planejar o futuro. Controlar o tempo é ter o poder sobre a existência. Hoje, dizemos “tempo é dinheiro”. Alguns sacerdotes (magos-astrólogos) incutiam medo prevendo eclipses (ocultação do Sol ou da Lua).

Mas deve existir algum propósito ainda maior. Várias culturas e tradições antigas associam as estrelas e constelações aos deuses e muitas delas, dizem que suas origens são desta ou daquela estrela (Sirius, Capella, Vega, Aldebaran, etc…). E a Astrologia dos primórdios estava diretamente associada às constelações e estrelas, os signos não eram tão importantes como hoje em dia.

Novamente uma pergunta:

  • Será que a Astrologia era um caminho eu poderia nos indicar o caminho de ida para algum outro lugar que não a Terra? Ou um retorno a uma morada perdida ou superior?

Se esta hipótese puder ser verdadeira, então a Astrologia poderia nos dar um caminho de algo que hoje denominamos “elevação espiritual” de uma maneira tanto coletiva como individualizada, como queriam Kepler e Campanus.

Como isto se processa? Como obter esta informação? Será uma espécie de gnose terapêutica? Um autoconhecimento profundo com propósitos transcendentes e apologéticos?

O saber astrológico que chegou até os gregos e egípcios já veio desfigurado e o foi mais ainda durante os vários séculos na Europa. O século XX assistiu, quanto à Astrologia, novas pesquisas e estudos, mas também, enxertos e adaptações que tornaram irreconhecível as fontes originais, a ponto da Astrologia se tornar um instrumento bidimensional (The Round Art, de A. T. Man é um exemplo).

Mas ainda dá tempo… Como escrevi acima, os antigos lidavam com ciclos muito longos. Um ciclo de eclipses, por exemplo, dura entre 17 a 21 séculos…

Vamos reencontrar o nosso Caminho através da Astrologia?

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Fim de Ano, renovação da vida

No calendário civil, 2011 já vai pelo fim. Vivemos as expectativas de dezembro, com confraternizações e celebrações em todos os círculos de relacionamento e camadas sociais. Afinal, é Natal e logo depois, Ano Novo.

Quantas promessas são realizadas neste período, tendo o Sol no Signo de Sagitário. E justamente por isso, a tendência a prometer mais do que efetivamente poderá cumprir, sempre com boa vontade, coragem, boas expectativas e otimismo. É uma antevisão do futuro, sem estar exatamente lá: uma viagem mental.

O Natal ocorre no severo Signo de Capricórnio e além da reunião entre familiares e amigos, é costume dispor de uma mesa farta para simbolizar prosperidade. Repete-se esta atitude por ocasião do Ano Novo, mas com certa informalidade. É como se estivéssemos pedindo aos deuses da Astrologia, que não se deixasse levar pelo espírito de Capricórnio, que fala de economizar e poupar, de maximizar os recursos disponíveis e eventualmente, ser até avarento.

A maneira que comemoramos as festas natalinas, representa de fato como os nossos ancestrais faziam para agradecer pelas colheitas e benefícios do ano, por isso, o pernil, o peru, as nozes e os grãos. A uva é uma fruta importante, pois dela se extrai o vinho e costumava ser associada a vários importantes deuses ancestrais. No Hemisfério Norte, esta é a época mais fria do ano, após o que, o Sol reinicia a sua viagem de volta, para repetir o ciclos das estações, com destino à Primavera, a estação da renovação da vida.

Atualmente, o Ano Novo é comemorado uma semana após o Natal. Porém, de uma perspectiva astronômica, o ano se inicia entre 21 e 22 de março (atualmente). O início do calendário civil variou muito ao longo dos anos e esta data teve muito mais uma associação política do que astronômica ou mesmo, religiosa.

A celebração do Natal sempre se deu numa data próxima ao Solstício de Inverno e, em diversas culturas ao longo da História, sempre foi motiva para comemorar, ora com júbilo e alegria, outras vezes, com temor e esperança. É sabido que corresponde à época em que o deus-sol se encontra em sua fase máxima de escuridão, no Nadir de sua trajetória. Porém, o novo ano, para os povos que associaram a sua vida aos ciclos naturais, sempre se deu por ocasião do Equinócio da Primavera, quando o deus-sol ressurgia das trevas e retornava para o mundo da Luz.

Assim, é muito provável que a origem do Carnaval esteja associada ao final deste ciclo. Um ano tem 365 dias e um círculo 360º e esta diferença de 5 dias, quando colocada antes do nascimento do Sol, poderia ser muito bem associada às festividades em que os deuses dariam um cochilo para que os humanos pudessem se divertir com atividades e festividades  que, de fato, serviriam apenas para espantar os maus espíritos.

O Concílio de Nicea (325 d.C.) fixou a data da Páscoa no primeiro domingo após a primeira Lua Cheia da Primavera.  Mas, convém, ainda, notar o seguinte:

  • A data da Páscoa nunca pode ocorrer antes de 22 de Março nem depois de 25 de Abril. Se o cálculo ultrapassar este último limite, passa para o domingo anterior.
  • O dia de Carnaval, sempre à terça-feira, é 47 dias antes da Páscoa. O Dia da Ascensão, numa quinta-feira, 39 dias depois. O Domingo de Pentecostes, 49 dias depois. O Corpo de Deus, numa quinta-feira, 60 dias depois.
  • Os anos múltiplos de 100 não são bissextos, excepto se forem também múltiplos de 400.

Portanto, o Carnaval acabou se dissociando do ciclo anual, tornando-se uma data profana atrelada ao calendário religioso. Ainda, em 1582, a reforma do calendário juliano acabou por suprimir 11 dias do calendário civil. Quem dormiu no dia 04/10 daquele ano, acordou em 15/10. nem todos os países adotaram o calendário gregoriano após a sua promulgação.

De toda forma, resultou que certas festividades associadas ao ciclo do Sol e às estações do ano perdessem o seu sentido e significado, como é o caso do Ano Novo e do Carnaval (Saturnálias, para os romanos).

O Natal, entretanto, permaneceu inalterado, seja em essência, simbolismo e significado. Qualquer que seja a orientação religiosa, há plena concordância quanto à trajetória aparente do Sol em torno da Terra ao longo do ano e sua importância para a manutenção da vida em nosso planeta. Natal é o renascimento do deus ou de Deus, que encarna novamente entre a humanidade para nos redimir ou, no mínimo, nos ensinar o caminho para a reintegração com o divino.

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