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Retrospectiva 2016/Expectativas 2017

Tenho acompanhado os acontecimentos deste segundo semestre de 2016 com as mesmas expectativas (acredito) que a maioria das pessoas. Entretanto, como venho dizendo em conversas informais, os problemas que o mundo (e não apenas o Brasil) enfrenta atualmente não surgiram de uma hora para outra e, da mesma forma, não irão se resolver rapidamente como que por um passe de mágica.

2017

Os mesmos desafios e tendências que verificamos em nosso país também ocorrem em outros locais de nosso planeta, mas com direcionamentos diferentes em razão das culturas e histórias dos países ou regiões.

Isso sem contar na foice ceifadeira que levou um monte de gente bacana este ano…

A radicalização é um desses temas comuns, com aspectos e desdobramentos muito similares:

O Mundo

  • No Oriente Médio, há a guerra civil da Síria e o Estado Islâmico são os mais conhecidos, porque rondam a mídia como pano de fundo dos atos terroristas na Europa. Mas é bom recordar a fragmentação que os demais países muçulmanos sofreram nos últimos anos (Líbia, Iraque, Iêmen, Egito…) que permanecem à disposição de qualquer liderança populista. Nestes casos é bom lembrar que numa mesmo nação podem existir vários povos, como é o caso da Turquia, por exemplo.
  • O caso dos países da África Central é parecido com o caso do Afeganistão e Paquistão, onde a miséria extrema abriu espaço para milícias e lideranças populares, com um povo tentando subjugar ao outro.
  • A Europa está assolada de problemas, após o BREXIT, outras nações já se manifestaram a favor de sair do bloco, a partir de um sentimento nacionalista cada vez mais forte. A invasão dos refugiados reforçou este sentimento e aguçou a xenofobia, que não é novidade deste período. A Bulgária fechou as suas fronteiras, a Áustria reforçou a segurança e apertou as restrições à entrada de imigrantes. França, Inglaterra, Bélgica e Noruega já declararam que não os querem. Espanha e Itália ainda lidam com um elevado número de desempregados. A Alemanha ainda não conseguiu reintegrar a Alemanha Oriental por completo. O PIB Europeu encolheu significativamente. Os movimentos conservadores têm crescido em razão do nacionalismo e de seu apelo popular.

mundo2017Todos os assuntos acima citados se agravaram a partir do trânsito de Saturno (pouco à vontade e por isso, ditatorial) no Signo de Sagitário.

  • Nos EUA, nos oito anos que presidiu o país, Barack Obama obteve relativo sucesso em restabelecer o crescimento econômico e os empregos, bem como, distanciar-se dos conflitos militares em outras regiões do globo. Exerceu a sua autoridade como presidente da nação mais importante do planeta evitando intervenções diretas e mortes de americanos. Contudo, Donald Trump se elegeu graças ao forte apelo populista e uma campanha baseada em promessas de 140 caracteres. Alguns o veem com apreensão.

Tanto na Europa como nos EUA, há mecanismos reguladores extremamente restritivos. Na Europa, o excesso de regulação (burocracia) é responsável por toda sorte de atrasos no processo de tomada de decisões que deveriam ser tomadas em poucas horas. Nos EUA, tudo isso é mais ágil e, portanto, mais eficiente, o que não dá tanto espaço ou margem para que um presidente faça o que lhe der na telha.

  • Na América Latina, ainda persistem alguns governos de cunho populista, como até bem pouco tempo era o caso inclusive do Brasil. Por sinal, somos o país com o mais moderno sistema jurídico no mundo, o que não parece ser uma vantagem, como vimos recentemente…

O Brasil

O maior problema do Brasil é a ineficiência. A corrupção pode ser enquadrada nesta ineficiência, uma vez que os mecanismos reguladores dos contratos e das transações comerciais não foram capazes de (ou não quiseram) detectar o dinheiro que se esvaía para outros destinos que não aqueles de interesse público.

A corrupção pode ser comparada como uma rede de abastecimento de água tratada que deveria chegar a todos os destinos com pressão suficiente… Mas como foram feitos gatos e há vazamentos logo na saída da estação de tratamento, o volume e pressão da água entregue é diferente daquele que saiu inicialmente. Portanto, a água que retorna para ser tratada, será igualmente menor, ocasionando um déficit de armazenamento…

Alguns países, como a Dinamarca, extinguiram o dinheiro de papel em 2016 para ter maior controle sobre a circulação de divisas e tentar estancar estes “vazamentos”, que também ocorrem por lá e em outros países do 1º Mundo.

Como o dinheiro que deveria retornar sob a forma de serviços era inferior ao que realmente foi pago, começou a faltar dinheiro em toda a cadeia… O primeiro passo é o desemprego e com ele, a diminuição do poder aquisitivo, que prejudica inicialmente o comércio e depois a indústria e pronto, está armado o círculo vicioso que todos conhecemos.

br2017

Em nosso país, a cultura do superfaturamento é um problema cultural, que ocorre desde os tempos do Brasil-Colônia…

A ineficiência vem acompanhada de um outro problema global: a falta de ética, numa época em que vivemos um mundo de aparências pautado pelo “politicamente correto” que, neste período de Júpiter em Libra transformou o mimimi numa arte…

Bom moço

Existem, porém, os aspectos positivos desta relação entre Saturno em Sagitário e Júpiter em Libra. Casos de violência doméstica, estupros, homofobia e xenofobia sempre existiram desde tempos remotos, mas agora saíram de sob o tapete e entram em nossos lares casa através dos noticiários, sendo discutidos inclusive nas escolas. Tornados crime, suas ocorrências são denunciadas e as pessoas que cometeram tal ato, condenadas e presas.

Expectativas

Durante o ano de 2017, Saturno transitará no Signo de Sagitário até meados de Dezembro, quando ingressa em Capricórnio; e Júpiter, no Signo de Libra, até meados de Outubro, ingressando no Signo de Escorpião. Durante todo o ano, Júpiter estará na Via Combusta. Estes dois Astros formarão um sextil ao final de Agosto, quando Saturno retoma o movimento direto. Trata-se do último contato entre os dois astros, antes de formarem a conjunção, em Aquário, ao final de Dezembro de 2020.

A colega Barbara Abramo afirmou em sua página pessoal (14/12/2016) que “o navio Brasil vai encontrar o seu prumo apenas em 2020”. Pelo que descrevi acima, devemos ter boas expectativas para o nosso país apenas a partir do início de 2021. Aí você irá me perguntar: conseguiremos sobreviver até lá? Sim!!! Com certeza!!!

Mas não dá para pensar que todos os problemas que elenquei anteriormente sejam solucionados, com esta configuração entre os dois astros regentes dos acontecimentos sociais, econômicos e culturais. Com Saturno em Sagitário ainda teremos notícias de atentados, de miseráveis fugindo de seus países e buscando melhor sorte em outros países, além das fronteiras… Com Júpiter em Libra, haverá muitas discussões políticas, marcos regulatórios, protocolos, mas nenhuma decisão concreta que corrija o que está errado.

Ao mesmo tempo que ocorre um vazio de lideranças, há também um empobrecimento do pensamento e das reflexões (limitadas a 140 caracteres, será que me leu até aqui?). É um campo fértil para todos os tipos de movimentos populares baseados em slogams sem qualquer probabilidade de se tornarem realidade (as campanhas das utopias sociais são realizadas através do Signo de Sagitário).

Com relação aos EUA, os mecanismos regulatórios (Constituição, Senado, etc.) são suficientemente eficientes para evitar desastres e catástrofes provocadas por algum desorientado. Quanto à perda de importância dos EUA no cenário global, isto já ocorreu a partir da Era Obama, pois teve de primeiro arrumar a casa antes de tentar cuidar dos quintais dos vizinhos.

Brasil 2017

Os temas que se seguem serão melhor desenvolvidos em artigos futuros. Nos tópicos abaixo pretendo apenas responder ás questões mais importantes para o nosso país no ano de 2017.

  • A chapa Dilma-Temer será cassada pelo TSE? Há um período extremamente crítico em torno de 11/05/2017, época em que o risco de enfrentar problemas que levem à sua cassação é grande. Contudo, não existe nenhuma indicação particular no mapa de Dilma Rousseff. Assim, é mais provável que Temer esteja recebendo duras críticas e lidando com acusações graves, sem que seja cassado, cumprindo o seu mandato até o final.
  • As investigações de corrupção irão continuar? Sim, sem dúvida, mas de uma forma mais branda, uma vez que já obtiveram muito material que precisa ser analisado. Deverá entrar em nova fase a partir de meados de Outubro, quando Júpiter ingressar em Escorpião.
  • Lula será preso? Escrevi um artigo sobre esse tema e continuo achando pouco provável. Lambuzou-se com as oportunidades que teve acesso. Terá um período complicado quase na mesma época que Temer, em torno de 12/05/2015. Pessoalmente, acredito que o ex-presidente era apenas uma importante figura de fachada, uma espécie de fiador do esquema arquitetado e administrado pelas empreiteiras, de um lado e, José Dirceu e Antonio Palocci, do outro. Estes sim, com inteligência, sagacidade e perspicácia para um esquema desta dimensão.
  • A economia voltará aos trilhos? Não. No 1º semestre, particularmente entre os meses de Março e Junho, ainda veremos mais desemprego, dificuldades com arrecadação e inadimplência generalizada. A construção civil é um dos setores que já se encontra prejudicado e é o que mais deve sofrer neste período. Nesta época surge ainda a tendência inflacionária em razão da elevação dos serviços públicos. Apenas depois das eleições e graças à definição do presidente seguinte é que haverá perspectivas da economia voltar a crescer. Este tema será melhor desenvolvido em um artigo futuro.
  • Como fica a crise ética na política? Até Outubro, ainda teremos de lidar com abusos e absurdos. Porém, neste período, começa-se a se desenhar o cenário para as eleições de 2018. É bastante provável que os candidatos de maior destaque não sejam políticos de carreira. Porém, neste mês, em razão das investigações de corrupção, vários políticos terão de deixar os seus cargos, sendo substituídos por seus suplentes, alguns deles, inexpressivos, o que não quer dizer incapazes. Esta renovação trará um novo perfil, cujas consequências deverão influenciar na corrida presidencial do ano seguinte. Entretanto, em ano de Júpiter em Libra, deve-se esperar muitas tentativas de obter acordos, conversas de bastidores, mimimi que não leva a lugar nenhum. Este é mais um fator de estagnação para o país. Este tema também será melhor desenvolvido em um artigo futuro.

Conclusão

Em resumo, em 2017, lidaremos com os mesmos problemas que enfrentamos no 2º semestre de 2016.

Em nosso país, a curva do desemprego deve se estabilizar, ainda sem uma retomada. A ineficiência ainda será o maior problema. No mundo, também teremos de lidar com as mesmas questões (violência generalizada, terrorismo, diminuição do PIB e da renda per capita). Apesar de não ocorrer nenhum milagre, 2017 será mais tranquilo sob a perspectiva jurídica. Mas ainda não é o ano das soluções e dos resultados.

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Os Anjos Planetários

Desde tempos imemoriais, os planetas tradicionais são considerados moradas ou pontos focais de deuses, a ponto de ainda em nossos dias terem nomes correspondentes aos deuses olímpicos. As tabuinhas de argila da Suméria registram guerras entre estes deuses, ocorridas nos planetas, particularmente aqueles que conhecemos como Marte e Vênus.

Normalmente, estabeleço relações com os anjos e as estrelas, que são usinas de energia. Os planetas, entretanto, são corpos que orbitam em torno de algumas estrelas. Não há referência à existência de “inteligências dos planetas” no Pentateuco, embora Gênesis seja um conjunto de estórias recolhidas da Suméria.

Os grimórios surgiram a partir do início da Idade Média. Tratam-se de um conjunto de rituais mágicos para alcançar fins específicos. A maior parte deles se utiliza de invocações associadas aos anjos planetários. Para se harmonizar com eles era preciso construir um quadrado mágico, e desenhar o selo do anjo antes de invocá-lo pelo nome. A principal fonte dos grimórios são os escritos de Cornellius Agrippa. Não se sabe, entretanto, de onde ele obteve estas informações. É relativo atribuir este saber aos alquimistas árabes, uma vez que associação astrológica era uma maneira corrente de tornar alguma informação deste tipo mais verossímil e críptica.

John Dee e Charles Barlet desenvolveram sistemas próprios de magias com a utilização dos anjos e forças planetárias. Há diferenças fundamentais entre ambas e não é o propósito deste artigo esclarecê-las, apenas citá-las, uma vez que continuam sendo fonte de referência para qualquer método que empregue as energias dos anjos planetários.

Porém, o mais provável é que as suas origens se encontrem mesmo entre os árabes, tendo sido codificado de uma forma mais coerente pelos místicos judeus por meio de um ramo da Cabala. Mesmo entre os cabalistas judeus, contudo, existem pequenas divergências quanto às atribuições planetárias. E desde o início do século XX, este saber foi relegado a algumas escolas de mistérios muito reservadas.

Mas do que se trata este saber? É tanto mágico quanto alquímico, na acepção moderna do vocábulo. O acesso ou a comunicação com as inteligências planetárias não tornará ninguém bilionário da noite para o dia, mas permitirá o seu acesso às esferas mais elevadas de consciência, onde encontramos a paz e a harmonia do Universo (ou da divindade) resultando não apenas numa existência mais saudável e luminosa. Portanto, o papel dos anjos planetários é uma espécie de regeneração e reintegração à essência solar, raiz e fonte de nosso DNA. Ou seja, voltar para a luz.

anjo4Tratam-se de anjos que, apesar de não estarem associados às estrelas, possuem atribuições específicas e muito particulares, correspondendo a estágios de elevação da alma, seja em vida como após a morte. Cumprem ainda um papel regulador das atividades em nosso planeta e por fim, a Lua, tem como missão regular não apenas os fluidos mas também, os nascimentos e falecimentos de todos os seres que habitam a Terra. Neste particular, a Lua é uma espécie de última estação, para quem encarna e, primeira estação, para quem parte.

As atribuições que se seguem podem diferir daquelas encontradas na literatura, mas me foram transmitidas oralmente por Robert Ambelain antes de realizarmos um importante trabalho de harmonização planetária em 1991, razão pela qual é descrito em poucas palavras para preservar o sigilo. Cada um dos aspectos abaixo visa o despertar da consciência universal ou cósmica.

  • Lua: Anjo Gabriel. Inteligência: Regulador da vida diária. Espírito: Plástico, moldável.
  • Mercúrio: Anjo Raphael. Inteligência: Intérprete da Luz. Espírito: Transformador.
  • Vênus: Anjo Anael. Inteligência: Valor e importância. Espírito: Agregador.
  • Sol: Anjo Micael. Inteligência: Consciência da Luz. Espírito: Unidade.
  • Marte: Anjo Samael. Inteligência: O bom combate. Espírito: Justiça, disciplina.
  • Júpiter: Anjo Tzadkiel. Inteligência: Providência. Espírito: Mantenedor.
  • Saturno: Anjo Cassiel. Inteligência: Limites das formas. Espírito: Tempo, ciclos longos.

Este artigo é um complemento ao artigo principal Breves Reflexões sobre os Anjos, onde você encontrará minha visão pessoal a respeito da Criação, dos Anjos e de Lúcifer.

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Sucesso no Mapa Natal – o caso de Gisele Bündchen e Neymar

Será que é possível identificar do sucesso profissional a partir do mapa natal? Se isso for possível, quais são os fatores que apontariam nesta direção? Porque algumas pessoas são melhores sucedidas que outras?

Estas perguntas surgiram a partir de um comentário a respeito da aposentadoria precoce de Gisele Bündchen e se estendeu ao caso de Neymar. Por esta razão, dedicar-me-ei a avaliação destes dois mapas neste pequeno artigo. Sem qualquer sombra de dúvida, ambos são bem sucedidos e isto se encontra nitidamente indicado como um fato em seus temas de nascimento.

Gisele Caroline Bündchen

mapa_giseleObserve que ela tem Marte exilado em Libra; Júpiter exilado em Virgem; e, Lua na Via Combusta, em queda, em Escorpião. Estas posições, por si só, são indicadores debilidades com relações aos interesses e motivações que cada astro representa.

Sob a ótica de Gauquelin, ela tem quatro astros em Zona Plus que, mesmo não sendo indicadores de sucesso, são condutores nesta direção: Vênus, Júpiter, Saturno e Marte. Este último, encontra-se angular e Vênus é senhor do Meio-Céu.

arvore_gbA Árvore de Domicílios representa como ela encadeia as suas motivações e interesses. Como não tem nenhum astro domiciliado, não conta com um dispositor final. Seus astros se encontram encadeados num circuito fechado, com Saturno e Júpiter, na Casa IX (da fama) como resultados do quadrado composto de Mercúrio, Vênus, Marte e Lua. O Sol, representante do poder pessoal, em quadratura com a Lua, também se encontra fora do quadrado.

O Sol em Câncer na Casa VII aponta para a empatia com o público em geral, mas especialmente, com seus agentes ao longo de toda a sua vida profissional. Júpiter e Saturno em Virgem, na Casa IX, são indicadores do perfeccionismo e profissionalismo que caracterizaram a sua carreira, especialmente quando governados por Mercúrio em Câncer, retrógrado, sempre buscando o melhor para a sua autoimagem.

Por sinal, Mercúrio conta com a conjunção de Canopus, estrela associada à prosperidade e ao sucesso. E o Ascendente forma também uma conjunção com Vega, que aponta na mesma direção, mas ainda, para uma boa fortuna.

Neymar dos Santos Júnior

mapa_neymarHá dois horários disponíveis para seu mapa. Utiliza o horário existente em sua certidão de nascimento.

Para início de conversa, conta com o afortunado signo de Sagitário no Ascendente. Estas pessoas não passam desapercebidas e costumam ser favorecidas pelas oportunidades na vida.

arvore_neymarConta com Saturno domiciliado em Aquário, que é também o dispositor final. Sua atividade profissional exige senso de equipe e há mais astros neste signo, como é o caso do Sol (exilado) e Mercúrio. Júpiter é o astro que confere fama e também se encontra exilado em Virgem e retrógrado. Em contrapartida, Marte em Capricórnio está honrado pela disciplina e inteligência prática de Saturno. A Lua em Peixes confere visão estratégica mas também o poder de visualizar o futuro (e de realizá-lo).

Pelo método de Gauquelin, trata-se de um Traço 10, que constrói a sua carreira com determinação e foco, atingindo posições elevadas graças à disciplina e ao aperfeiçoamento constante. São geralmente encontrados entre os melhores profissionais autônomos, presidentes ou donos de empresas.

Antares é a estrela que se encontra em conjunção com o Ascendente, conferindo espírito guerreiro, liderança. Esta é uma das mais poderosas estrelas, como os antigos consideravam, associada a um dos quatro pontos cardeais e portanto, indicadora de destaque público quando conectada a um dos Ângulos.

Por fim, todos os astros de seu mapa se encontram nos Termos dos benéficos (Júpiter e Vênus, que se encontram em trígono), apontando colaboradores que realmente ajudam a sua vida. Aqui há um detalhe importante a destacar: Vênus se separa dos colaboradores representados por Júpiter e se aplica a Marte: o desempenho de sua profissão (futebol ou qualquer modalidade esportiva) sempre estará favorecida pelas pessoas certas nos lugares certos, sejam dirigentes como pessoas próximas que, eventualmente, conhecem outras pessoas importantes.

Vale apontar que o dispositor final Saturno forma conjunção com Mercúrio, ambos em combustão. Porém, o Sol é o senhor do Meio-Céu, reforçando o destaque individual graças ao inteligente preparo físico, mas também, à “boa estrela” que aparenta ter.

Conclusão

Isoladamente, nenhum dos fatores acima listados levam ao sucesso. Ainda, o sucesso de Gisele já se encontra devidamente consolidado, não podendo se dizer o mesmo de Neymar. Em comum, a facilidade de reunir grandes fortunas e atrair as boas oportunidades, o que se trata de meio caminho andado para alcançar o sucesso profissional.

A busca da competência e da excelência é destaque em ambos, o que mostra que os resultados alcançados não são frutos do acaso, mas sim da dedicação às suas carreiras. Possivelmente, Neymar não seria bem sucedido se exercesse outra carreira que não a esportiva. Gisele seria bem sucedida em qualquer carreira onde houvesse exposição de sua imagem.

As características vocacionais de ambos são diferentes e Gisele também seria bem sucedida em qualquer atividade de destaque no ambiente corporativo.

Portanto, é possível verificar se uma pessoa será bem sucedida a partir de seu mapa natal e, uma soma de fatores concorre nesta direção e nunca uma indicação isolada. Ainda assim, é preciso estar na carreira certa, indicada pela vocação do mapa e contar com as oportunidades que a vida oferece. Porém, o verdadeiro sucesso é resultado do empenho, da dedicação e do esforço de alcançar sempre melhores resultados e de se aperfeiçoar.

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A Magia e a Astrologia

A Astrologia Contemporânea perdeu um de seus mais poderosos instrumentos, aquele que propicia ao nativo se reintegrar à Unidade. Em parte, isto se deu pela má compreensão dos procedimentos empregados, mas também, em razão da perda de identidade a que foi submetida no início do século XX. Taxados como Magia, foram abandonados ou simplesmente, descartados como crendices e superstições. Nada tinham de religiosos, embora fossem auxiliares poderosos na direção da perfeição divina.

Se sozinha a Astrologia era considerada bobagem, aliada à Magia então, virou assunto proscrito. E com isso, este ramo da Astrologia se recolheu a uns poucos círculos de Iniciados e, mesmo assim, disfarçada por metáforas e mitos, temas que nunca fizeram parte da Astrologia Tradicional.

Foram os místicos árabes a partir do século V que codificaram o sistema de maneira coerente e compreensível para o Ocidente. Partem do principio de que somos impuros, indicando que o primeiro passo é a limpeza ou purificação. Depois seguem-se dois outros passos antes de se alcançar a consciência da unidade. Esta é a derradeira etapa antes da comunhão com os planos da divindade.

Mas há um porém. A partir do Iluminismo, a experiência divina ou religiosa foi colocada de lado, na mesma proporção em que o Homem assumiu uma posição central na Criação e no próprio Universo. A experiência mística se restringiu então aos círculos ocultistas ou iniciáticos, com fundamentos racionalistas cada vez melhor elaborados e estruturados. Estes resultaram nas Ordens onde o desenvolvimento ritual se tornou mais importantes que a vivência interior.

Surge então a pergunta: quem se lembra de Deus? Quem se preocupa com ele em pleno século XXI? Apesar de toda preocupação com o autoconhecimento, o que o nativo saberá fazer com isso? Para que servem as diversas informações coletadas se o próprio não inicia um processo de regeneração e reintegração?

Portanto, precisa haver uma finalidade, um objetivo grandioso que justifique uma grandiosa mudança de hábitos. O ponto de partida é sempre o Ascendente e a primeira “estação” é a Lua em seu mapa. E o primeiro “destino” é o Sol.
Não importa onde pretenda chegar com a magia resultante, estas são as etapas que terá de seguir necessariamente.

A Lua representa hábitos e condicionamentos, a sua zona de conforto, a casa dos pais. Mas a Lua é também a conexão com o astral, com o mundo espiritual. Não existe boa magia se não tiver visualizado e memorizado o que pretende e como pretende. A Lua é entrega a algo que você não vê, é estar no bom caminho sem ter a certeza de onde você chegará. Experimente avaliar este astro em seu mapa sob esta perspectiva. Há um longo trabalho pela frente.

Pasqually e Saint-Martin (dentre outros) são unânimes em afirmar a importância da regeneração e da purificação para um bom acesso aos planos espirituais mais elevados. Qualquer que for o processo mágico empregado, você terá de contar com o auxílio do Anjo Guardião (ou Mestre Interior) e este apenas estará disponível se esta etapa tiver sido concluída à contento. É comum que esta fase dure cerca de um ano… e então haverá mais duas fases antes de poder se dignar a pedir o auxílio do Anjo Guardião ou Mestre Interior.

magiaO diagrama ao lado ilustra as etapas a serem percorridas.

O mais elegante da Astrologia aliada à Magia é que ela pode ser individualizada a partir de seu mapa de nascimento, onde você encontrará ainda outras importantes dicas que podem lhe ajudar no caminho em busca à consciência da Unidade como também, as dificuldades e armadilhas no percurso.

E pode ainda escolher as melhores ocasiões para lidar com elas. A Astrologia Hermética é apenas um arremedo da verdadeira Magia Astrológica.

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Uma visão sobre o livre-arbítrio na Astrologia

Uma das polêmicas mais antigas da Astrologia é o livre-arbítrio no mapa natal.

Primeiramente há dois pontos a ser considerados, que se relacionam entre si:

  • O conceito de livre arbítrio.
  • O modus operandi da Astrologia.

Livre-arbítrio x Destino

O campo de desenvolvimento das ideias que norteiam o conceito do livre-arbítrio é a Filosofia. Embora seja anterior ao período grego da História, é neste que se desenvolveu. Várias correntes postularam princípios diferentes para a sua aplicação.

O mesmo se deu nos períodos subsequentes e os autores de períodos mais recentes pouco ou nada acrescentaram ao que já existia.

Em síntese, trata-se de delegar a um ser divino ou exterior mais ou menos poderes para decidir sobre os acontecimentos da vida humana. Ou, sob outra perspectiva, de atribuir mais ou menos poderes de decisão ao ser humano diante da Natureza, do Universo ou de um dado ser divino.

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Uma outra maneira de pensar no livre-arbítrio é tentar entender qual é de fato o grau de liberdade existente para que cada um possa se manifestar ou expressar.

A pergunta a ser respondida neste caso é se está a nossa vida predestinada a partir do nascimento ou não.

  • Se sim, quanto podemos interferir?
  • Se não, quem “escreveu” este destino?

O Iluminismo deslocou este ser divino para a periferia da Criação e, a Ciência moderna o afastou ainda mais para alguma borda ainda não descoberta do Universo. E assim, o Homem se tornou superior a Deus, uma vez que pode decidir inteiramente por si, sem contar com a interferência deste ente criador denominado Deus. De uma perspectiva distanciada, pode-se pensar que o ego precisa desesperadamente de razões para assegurar a sua importância no esquema cósmico…

Mas assim que surge um problema, este mesmo indivíduo olha para o céu em busca de auxílio: “Meu Deus, me ajude…”

O modus operandi da Astrologia

O saber astrológico foi reunido em cerca de 1700 aec, graças aos esforços de Hamurabi. Obviamente, isto implica na existência de um conhecimento anterior. Em torno de 500 aec, chegou à Grécia e apenas em 330 aec é fundada a Biblioteca de Alexandria, por onde passaram os mais importantes pensadores do Oriente Médio. Sua destruição, em cerca de 400 ec, levou à perda de manuscritos valiosos nas mais diversas áreas do conhecimento humano.

O período árabe da Astrologia foi um dos mais produtivos, de certa forma, continuando o que foi realizado no período da Escola de Alexandria. Graças a estes sábios árabes, a Astrologia ingressou na Europa e teve o seu apogeu entre os séculos XIII e XVII, embora tenha sido conceitualmente reformulada por diversas vezes.

Porém, há um grave problema que, Horst Ochman denomina de “problema de origem”: se o saber Astrológico é de fato muito anterior e precisou ser reunido ou unificado, significa que poderia ter sido deturpado ou modificado, eventualmente tornado incoerente ou inconsistente. Portanto, este saber reunido no século XVII aec não é necessariamente o saber original. E é impossível determinar o quanto dele restou para ser reunido, podendo ter sofrido diversos tipos de interferências e influências ao longo dos milênios que separam a sua origem à sua compilação (30 gerações).

E apesar da unanimidade de que a Astrologia como a conhecemos se originou nesta época da História, os astrólogos seguem os preceitos de Ptolomeu, que escreveu Tetrabiblos no século I ec. Sua enciclopédia nem sequer é a primeira da qual se tem conhecimento e ainda, não há nenhum manuscrito original completo de sua obra (as versões atualmente em circulação são o resultado de colagens feitas a partir de duas versões incompletas de sua obra e de referências encontradas em alguns outros autores). A primeira enciclopédia astrológica foi escrita por Nechepso em cerca de 700 aec. Ptolomeu é absolutamente ambíguo em sua introdução ao Tetrabiblos quando descreve como os Astros operam nos eventos da vida humana e sobre o livre-arbítrio.

Há registros de que no século VIII, em Roma, já ocorriam discussões envolvendo o livre-arbítrio a partir da determinação ou não dos astros sobre a vida do nativo. Portanto, esta polêmica não é privilégio do Cristianismo.

No século XVI, Morin de Villefranche, em Astrologia Gálica, postula o determinismo astrológico. Mas é um pastor, astrônomo e matemático quem reconduz a Astrologia aos seus trilhos originais. Johannes Kepler foi professor universitário, mas as suas despesas eram pagas através da Astrologia. Graças a ela, libertou a sua mãe por duas vezes das garras da Inquisição. O seu tratado de ótica explica o modus operandi dos planetas sobre os eventos da vida humana.

Convém apresentar três definições que passariam desapercebidas para os astrólogos contemporâneos:

  1. Aspectos são ângulos através dos quais os astros trocam suas luzes ou se veem.
  2. As órbitas dos aspectos são medidas a partir do centro da posição ocupada pelo astro no céu e não a partir de sua projeção no Zodíaco.
  3. O valor de cada órbita é uma atribuição do Astro e não do aspecto.

No que diz respeito à Astrologia, Kepler estabeleceu que as relações harmônicas (geométricas) entre os Astros e suas diversas combinações são os indicadores de eventos de diversas naturezas, dependendo do que se está estudando. Diz que, desde a criação, existe uma espécie de “memória” disparadora de eventos, baseada na geometria que os astros formam entre si com o nosso planeta ao longo do tempo.

Assim, ele não credita uma determinada ocorrência apenas a um Astro, mas uma combinação espaço-temporal tridimensional que teve o seu ponto de partida no momento da criação (do Sistema Solar). O que Kepler estava afirmando é que as posições relativas dos planetas em torno do Sol (ângulos) contem uma memória de informação.

Este tipo de “memória” é conhecida pela engenharia genética como memória topológica, a capacidade que as células reprodutoras tem de, em intervalos determinados de tempo, quando fecundadas, produzirem um novo ser a partir do embrião. Até hoje se pergunta como aquele conjunto de células sabe que é hora de formar o sistema digestório, uma orelha ou um nariz… Para todos os humanos, há um ciclo semelhante, absolutamente geométrico porque parte das meioses e mitoses da fecundação. Mas cada embrião forma um ser individual e único. Há uma memória de informação comum a todos os seres humanos e que se encontra ligada, através do DNA ao nosso Sol, fonte de toda vida em nosso planeta e, em última análise, fonte de nosso DNA também.

Para Kepler, o todo estava imerso no Um e pelo que vimos acima, a capacidade de decisão do ser humano se tornaria bastante limitada, tratando-se de uma relação entre o potencial disparado em seu nascimento e o momento em que se encontra a partir da geometria entre os Astros representada em seu mapa natal. Isso equivaleria dizer, uma relação entre o mapa natal e as direções e trânsitos, como queria Morin.

Em termos astrológicos, os Astros funcionam como ponteiros de relógios, indicadores de tempo, e não fatores de determinação. Entretanto, a semente, representada pelo mapa natal, esta sim, é um fator determinante para o sucesso ou fracasso do nativo ao longo de toda a sua vida. Morin é muito claro a este respeito, repetindo esta ideia em cada um de seus 26 volumes.

Portanto, o modus operandi da Astrologia, vista em termos contemporâneos, está relacionada à memória da informação contida nas relações geométricas entre os astros, representada no mapa natal.

A minha visão

Morin, entretanto, abordou apenas as questões astrológicas, deixando de lado qualquer outra tergiversação filosófica. Suas colocações são absolutamente racionais e lógicas.

Porém, se o indivíduo for de fato uma combinação de corpo, alma e espírito, o tal do livre-arbítrio jamais poderia estar no corpo, sujeito a todos os tipos de limitações.

Se houver mesmo um ser divino e a consciência for de fato um atributo espiritual deste ser, se houver algum livre-arbítrio, este só poderá ser encontrado no plano da consciência. O espírito se infunde no corpo por ocasião da primeira inspiração e é selada e amalgamada pela alma, ocasião em que tem o seu livre-arbítrio restringido pelas limitações oferecidas pelo seu corpo.

Postulo que a vida é que nem uma faculdade. Você a escolhe em razão de uma visão ou objetivo. Durante a faculdade, você só precisará de 70% de aproveitamento e 75% de presença em todas as matérias para se graduar. Ou seja, na vida, você pode errar 30% e se omitir 25%. Comparo carma a DP, com a vantagem que nenhum carma precisa ser cumprido imediatamente na vida seguinte.

É a consciência que faz as escolhas do que quer realizar naquela vida em particular, decidindo sem quaisquer interferências como deseja alcançar os seus objetivos. Precisa de uma família para lhe dar inicialmente o seu suporte físico (a começar pelo corpo e alimentação). Todas essas escolhas e decisões estão representadas no mapa natal.

Sob esta maneira de ver as coisas, a vida é assunto de sua inteira responsabilidade e cabe-lhe ser gestor(a) de suas próprias escolhas. As decisões que resultaram na sua vida foram tomadas quando de posse integral de seu livre-arbítrio e, com certeza, você fez as melhores escolhas possíveis.

Em resumo, sob a minha visão, o livre-arbítrio existe apenas no plano da consciência e torna-se limitado pelo corpo por ocasião do nascimento. O mapa natal representa o conjunto destas escolhas que, Morin muito apropriadamente chamou de determinações. A comparação com o período passado na faculdade tem o propósito de indicar que cabe a você gerir o seu desempenho e resultados, sem a estrita necessidade de perfeição.

A consciência só reassumirá inteiramente a posse de seu livre-arbítrio algum tempo após ter expirado pela última vez.

Nota: Postulo que o ser humano é um de tríplice natureza, composto de espírito, alma e corpo. A consciência é um atributo divino de natureza espiritual. A alma servindo de interface entre a consciência e corpo, sendo o corpo dotado dos órgãos dos sentidos. Estes últimos alimentam a consciência com informações “traduzidas” pela alma. Intuições e sonhos místicos são as maneiras da consciência “dialogar” com o corpo, através da alma.

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Em Escorpião: Marte com Saturno

A conjunção entre Marte e Saturno é um importante indicador de tempo, particularmente na Astrologia Mundial, uma vez que o primeiro é considerado o gatilho dos acontecimentos marcantes representados pelo segundo. Ocorre no dia 25/08/2014, em 17° de Escorpião. Trata-se de uma configuração que se repete a cada dois anos. Eventualmente, quando acontece no começo de um Signo, pode se repetir por duas vezes, como ocorreu em Libra, em Julho de 2010 e, novamente em Agosto de 2012. A próxima conjunção entre os dois astros, considerados maléficos, dar-se-á em Sagitário, em Agosto de 2016.

Para maior profundidade, as conjunções entre Marte e Saturno devem ser interpretadas dentro dos ciclos Júpiter-Saturno, de 20 anos aproximadamente.

É Raphael que afirma que as conjunções entre Marte e Saturno são mais sérias, produzindo guerras, conflitos, mortes, perigos aos reis e governantes regidos pelos Signos onde estiverem posicionados, citando alguns exemplos.
H. S. Green, além das indicações acima, aponta ainda que esta conjunção traz sérias dificuldades para a vida das pessoas comuns e a nação de um modo geral. Aponta ainda o descontentamento da população e a consequente perda da popularidade dos governantes que pode até resultar em guerra civil. Pessoas importantes podem morrer ou ser assassinadas. Diz que dependendo com a severidade da configuração, pode-se esperar o pior.

Marte é quente e seco, enquanto Saturno é frio e seco: a secura é devastadora, traz estiagem e esterilidade. Escorpião é frio e úmido e, de certa forma, modera o efeito destrutivo de Marte domiciliado, na medida em que oferece algum conforto às restrições e limitações impostas Saturno.

A conjunção se encontra nos Termos de Mercúrio, igualmente domiciliado em Virgem, separa-se de um sextil destro em relação aos maléficos. Vênus tem seu exílio em Escorpião e forma, a partir de Leão, uma quadratura destra e aplicativa com a configuração de Marte e Saturno.

Alguns dos eventos descritos pelos dois autores citados já ocorreram e dispensam maiores comentários. Ou ainda, simplesmente continuam a acontecer. Vênus e Mercúrio nesta configuração sugerem pessoas públicas com carisma perdendo a vida em viagem, podendo ser relacionada à morte de Eduardo Campos.

Entretanto, esta combinação também sugere a volta de algumas manifestações sociais de categorias profissionais específicas ou de pessoas marginalizadas da sociedade.

No Brasil, com a volta do horário político, esta configuração dá o tom do que podemos esperar pelos próximos meses: a cooptação da categoria dos trabalhadores e dos evangélicos, mas ainda, a manipulação das informações. Mas não aponta para uma campanha agressiva entre os candidatos, embora haja jogo sujo nos bastidores. De fato, nenhuma novidade…

Porém, é no âmbito pessoal que gostaria de apontar as possibilidades desta conjunção e dos aspectos de Mercúrio e Vênus. Ela pode ser restauradora e quase curadora. A imagem que associo à conjunção de Marte e Saturno em Escorpião é de um velho bruxo e seu cajado ou vara mágica, talvez Gandalf, o cinzento (que foi purificado pelo fogo para se tornar Gandalf, o branco).

A natureza de Escorpião é contida, reservada e discreta, muitas vezes até defensiva. A razão deste comportamento é o temor do sofrimento e da dor, que evita demonstrar. Por isso, as ações que caracterizam este Signo são motivadas pelo controle emocional das pessoas e do ambiente à sua volta.

Assim, esta conjunção reflete um poder atrás das cenas manipulando pessoas e situações para os seus próprios fins. De uma perspectiva mágica, é a oportunidade para assumir o controle sobre a própria vida para restabelecer a autoimagem e autoestima. Caso você tenha se preparado (intelectualmente) para isso, poderá aproveitar melhor as oportunidades que surgem neste cenário.
O controle das suas ações (Marte) são determinantes na qualidade de seus resultados (Saturno). A aliança entre estes dois planetas restringe a impulsividade e favorece a concentração dos esforços para objetivos claros e definidos. Escorpião é ainda o Signo da verdade absoluta, do preto no branco, ou preto ou branco. Qualquer operação mágica iniciada nesta época estende os seus efeitos até Maio de 2015 e pode resultar na compreensão de verdades profundas e transformadoras manifestando-se no plano da Alma, que se purifica ao interagir com os extremos entre vida e morte.

Mas não conte com uma travessia tranquila, a sombra do Guardião do Umbral estará acompanhando os seus passos, desafiando-o a continuar na busca da Luz, na mesma medida em que o provoca a regressar para a sua zona de conforto oferecendo-lhe poder e sucesso material. Você pode escolher a sua estória pelo resultado desejado: repetir Fausto, de Goethe; ou Gandalf, o branco. Daqui a dois anos, terá de prestar conta diante de Maat.

Referência bibliográfica:

Mundane Astrology, The Astrology of Nations and States, por H. S. Green, Raphael e C. E. O. Carter.

 

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Cazimi: no coração do Sol

Cazimi é uma expressão árabe que significa “no coração do Sol”.

Diz-se que quando um astro estiver nestas condições estará dignificado, sua expressão será forte e poderosa, como se estivesse sendo suportado e apoiado diretamente pelo astro-rei.

É recomendável apresentar alguns conceitos:

O Sol tem um halo exterior de cerca de 17° de raio. Por ocasião do crepúsculo matutino, a escuridão noturna começa a se desvanecer quando o Sol atinge a altura de 17° abaixo do horizonte. O mesmo ocorre inversamente por ocasião do crepúsculo vespertino, pois ainda teremos o clarão da luz do Sol até que este astro ultrapasse esta órbita de 17° abaixo do horizonte.

Um astro transitando neste halo terá a sua luminosidade e brilho diminuídos e portanto, estará enfraquecido em seu poder de manifestar a sua natureza. Diz-se que está sob os raios do Sol.

Há um segundo halo que, partindo do centro do Sol, tem uma órbita de cerca de 8,5°. Um astro transitando este halo não será visível e é considerado em combustão. O poder para manifestar a sua natureza é mínimo. Num mapa natal, costuma representar hábitos, vícios e condicionamentos.

Convém descrever ainda o que os astrólogos da Antiguidade entendiam por órbita. Quando se diz que a órbita do Sol é de 15°, referiam-se a um perímetro circular a partir do centro do Sol com raio de 15°. Da mesma maneira, hoje em dia, quando colocamos um foguete em órbita, nós o colocamos para girar em torno da Terra a uma distância constante de seu centro. Em aeronáutica, quer dizer girar em círculos em torno de um mesmo lugar.

Os astrólogos da Antiguidade entendiam que órbita de um astro corresponde a uma região circular até onde a luz de um astro teria poder, o que está na base da teoria dos aspectos.

O diagrama abaixo ilustra as órbitas para um astro ser considerado sob os raios e em combustão com o Sol:

cazimi1

Por fim, se um astro estiver em conjunção com o Sol numa órbita de 17’, correspondente ao raio médio do astro-rei, será considerado Cazimi, no coração do Sol. Como vimos acima, trata-se de uma condição de grande poder e força.

Sempre tive dificuldade de aceitar esta interpretação.

  1. A poder de um astro está associado à sua visibilidade e luminosidade. Quando Cazimi, o astro não será visível e nem terá luminosidade. Com respeito aos planetas superiores, estará oculto pelo Sol. No caso dos planetas interiores, pode tanto estar oculto pelo Sol como mostrando uma face desprovida de luminosidade em razão da sombra.
  2. Normalmente, um astro fica primeiro sob os raios do Sol, depois combusto e então, Cazimi. Ao sair da órbita, repete a sequência inversa de combustão e sob os raios do Sol. Como pode um astro ir perdendo gradualmente o seu poder à medida que transita os halos do Sol, subitamente ganhar poder para depois perdê-lo quando entrar em combustão?
  3. Todos os eclipses solares são considerados nefastos por todos os autores da Antiguidade. Num eclipse solar, é a Lua que fica Cazimi. Porque com os planetas teria de ser diferente?

Em Classical Astrology for Modern Living, de Lee Lehman, ela sugere que o conceito de Cazimi tenha surgido com Albiruni, no livro que escreveu sobre as Revoluções Solares. Entretanto, a autora diz que fragmentos de edições mais antigas deste livro apontavam Cazimi como uma debilidade e apenas nas edições seguintes ocorrendo como uma dignidade.

Tentei percorrer os mesmos passos dos astrólogos da Antiguidade, que fitavam o céu em busca de presságios. Sua visão do céu e dos acontecimentos era tridimensional, razão pela qual existem tantos aforismos associados às passagens dos planetas pelas estrelas. Por mais antigo que seja o Zodíaco, tem a finalidade de instrumento de medição, como uma régua. São os astros (Luminares e planetas) que determinam os eventos, e não os Signos do Zodíaco.

Com este pensamento em mente, voltei para o diagrama dos halos do Sol e reuni as informações abaixo:

tabela

Os passos dos planetas acima indicados são passos médios, uma vez que os astros podem ter velocidades maiores ou menores dependendo de sua posição no plano de suas órbitas.

Os ciclos sinódicos se referem ao tempo em que um planeta leva para atingir uma mesma posição em relação a uma estrela, no caso, o Sol. Os antigos não consideravam apenas a longitude zodiacal, mas sim, a sua posição real entre as estrelas, usando o ciclo de retrogradações para este fim.

Por definição, apenas o Sol percorre a Eclítica com latitude zero. As órbitas dos planetas em torno do Sol são inclinadas em relação ao plano da Eclítica, resultando nas variações de latitude como acima.

Vou tomar Marte como exemplo, cuja latitude eclítica varia de 04° 34’ N a 06° 22’ S. Com os planetas inferiores é ligeiramente diferente, uma vez que podem formar conjunção inferior e superior (entre a Terra e o Sol ou além do Sol, respectivamente).

O diagrama abaixo representa as passagens de Marte. Há três possibilidades:

  • A1 representa a passagem de Marte ao norte do disco solar. Nestas condições, Marte entra na órbita sob os raios do Sol e fica em combustão, mas não na órbita de 17’ do disco do Sol (Cazimi).
  • A2 representa a passagem de Marte sendo ocultado pelo Sol, ou seja, ficando Cazimi.
  • A3 representa a passagem de Marte ao sul do disco solar. Nestas condições, como acima, Marte entra na órbita sob os raios do Sol e fica em combustão, mas não na órbita de 17’ do disco do Sol (Cazimi).

marte cazimi1

A cada 2 anos e 50 dias, Marte estará novamente na mesma longitude do Sol (conjunção), entretanto, não necessariamente Cazimi, uma vez que pode passar abaixo ou acima do disco solar.

Como repete a mesma posição no céu em relação ao Sol a cada 79 anos, podemos afirmar que este é o intervalo de tempo para estar Cazimi novamente. E como o seu passo médio diário é de 32’, permanecerá nesta condição por aproximadamente um dia.

A mesma análise pode ser aplicada aos demais planetas superiores. Saturno, o mais lento deles, permanecerá cerca de 34 dias Cazimi, repetindo esta condição a cada 59 anos.

Há duas maneiras de Vênus e Mercúrio ficarem Cazimi: na conjunção superior e na conjunção inferior com o Sol. Para Vênus, o intervalo para cada uma delas é de 8 anos; para Mercúrio, 46 anos. Em termos práticos, podemos afirmar que Vênus e Mercúrio ficam Cazimi por duas vezes nos períodos sinódicos obtidos pelos astrólogos da Antiguidade. Como são mais rápidos, ficarão Cazimi por cerca de 15 horas.

Conclusão:

Um dos principais alicerces da interpretação astrológica se fundamenta na luz emitida pelos astros. Estes tornam-se menos visíveis à medida que se aproximam do Sol a ponto de ficarem sob os seus raios e em combustão.

Os astrólogos da Antiguidade tinham uma maneira peculiar de medir os ciclos dos astros, tomando como referência sua passagem consecutiva numa mesma região do céu tridimensionalmente quando retrógrados. Para os planetas superiores, corresponde à situação em que se encontram em seu máxima luminosidade e visibilidade.

Um astro sob os raios do sol e em combustão se encontra na situação oposta àquela por ocasião de sua retrogradação: mínima luminosidade e visibilidade.

Embora não seja possível afirmar, é razoável inferir que considerassem a situação Cazimi do mesmo modo que mediam os períodos sinódicos, no céu e não no Zodíaco. Sob esta perspectiva, um astro Cazimi torna-se uma situação muito particular e incomum, de onde pode ter partido a sua natureza de dignidade.

 

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