Fim de Ano, renovação da vida

No calendário civil, 2011 já vai pelo fim. Vivemos as expectativas de dezembro, com confraternizações e celebrações em todos os círculos de relacionamento e camadas sociais. Afinal, é Natal e logo depois, Ano Novo.

Quantas promessas são realizadas neste período, tendo o Sol no Signo de Sagitário. E justamente por isso, a tendência a prometer mais do que efetivamente poderá cumprir, sempre com boa vontade, coragem, boas expectativas e otimismo. É uma antevisão do futuro, sem estar exatamente lá: uma viagem mental.

O Natal ocorre no severo Signo de Capricórnio e além da reunião entre familiares e amigos, é costume dispor de uma mesa farta para simbolizar prosperidade. Repete-se esta atitude por ocasião do Ano Novo, mas com certa informalidade. É como se estivéssemos pedindo aos deuses da Astrologia, que não se deixasse levar pelo espírito de Capricórnio, que fala de economizar e poupar, de maximizar os recursos disponíveis e eventualmente, ser até avarento.

A maneira que comemoramos as festas natalinas, representa de fato como os nossos ancestrais faziam para agradecer pelas colheitas e benefícios do ano, por isso, o pernil, o peru, as nozes e os grãos. A uva é uma fruta importante, pois dela se extrai o vinho e costumava ser associada a vários importantes deuses ancestrais. No Hemisfério Norte, esta é a época mais fria do ano, após o que, o Sol reinicia a sua viagem de volta, para repetir o ciclos das estações, com destino à Primavera, a estação da renovação da vida.

Atualmente, o Ano Novo é comemorado uma semana após o Natal. Porém, de uma perspectiva astronômica, o ano se inicia entre 21 e 22 de março (atualmente). O início do calendário civil variou muito ao longo dos anos e esta data teve muito mais uma associação política do que astronômica ou mesmo, religiosa.

A celebração do Natal sempre se deu numa data próxima ao Solstício de Inverno e, em diversas culturas ao longo da História, sempre foi motiva para comemorar, ora com júbilo e alegria, outras vezes, com temor e esperança. É sabido que corresponde à época em que o deus-sol se encontra em sua fase máxima de escuridão, no Nadir de sua trajetória. Porém, o novo ano, para os povos que associaram a sua vida aos ciclos naturais, sempre se deu por ocasião do Equinócio da Primavera, quando o deus-sol ressurgia das trevas e retornava para o mundo da Luz.

Assim, é muito provável que a origem do Carnaval esteja associada ao final deste ciclo. Um ano tem 365 dias e um círculo 360º e esta diferença de 5 dias, quando colocada antes do nascimento do Sol, poderia ser muito bem associada às festividades em que os deuses dariam um cochilo para que os humanos pudessem se divertir com atividades e festividades  que, de fato, serviriam apenas para espantar os maus espíritos.

O Concílio de Nicea (325 d.C.) fixou a data da Páscoa no primeiro domingo após a primeira Lua Cheia da Primavera.  Mas, convém, ainda, notar o seguinte:

  • A data da Páscoa nunca pode ocorrer antes de 22 de Março nem depois de 25 de Abril. Se o cálculo ultrapassar este último limite, passa para o domingo anterior.
  • O dia de Carnaval, sempre à terça-feira, é 47 dias antes da Páscoa. O Dia da Ascensão, numa quinta-feira, 39 dias depois. O Domingo de Pentecostes, 49 dias depois. O Corpo de Deus, numa quinta-feira, 60 dias depois.
  • Os anos múltiplos de 100 não são bissextos, excepto se forem também múltiplos de 400.

Portanto, o Carnaval acabou se dissociando do ciclo anual, tornando-se uma data profana atrelada ao calendário religioso. Ainda, em 1582, a reforma do calendário juliano acabou por suprimir 11 dias do calendário civil. Quem dormiu no dia 04/10 daquele ano, acordou em 15/10. nem todos os países adotaram o calendário gregoriano após a sua promulgação.

De toda forma, resultou que certas festividades associadas ao ciclo do Sol e às estações do ano perdessem o seu sentido e significado, como é o caso do Ano Novo e do Carnaval (Saturnálias, para os romanos).

O Natal, entretanto, permaneceu inalterado, seja em essência, simbolismo e significado. Qualquer que seja a orientação religiosa, há plena concordância quanto à trajetória aparente do Sol em torno da Terra ao longo do ano e sua importância para a manutenção da vida em nosso planeta. Natal é o renascimento do deus ou de Deus, que encarna novamente entre a humanidade para nos redimir ou, no mínimo, nos ensinar o caminho para a reintegração com o divino.

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  1. #1 by Neto on 10 de Dezembro de 2011 - 21:37

    Interessante artigo, obrigado, o sol estará bem perto da terra la pelo dia 5 de janeiro, portanto tbm esta proximidade influencia nas comemorações.

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    • #2 by Henrique on 10 de Dezembro de 2011 - 22:12

      Caro Neto, a distância média entre o Sol e a Terra é de cerca de 150 milhões de quilômetros. No periélio (por volta de 04/01), esta distância se reduz a cerca de 147 milhões de quilômetros, ainda uma distância considerável. Não dá para a gente se queimar por causa disso, mas é uma época que sabidamente aumenta a incidência de câncer de pele e ocorrem maiores interferências nas comunicações. Esta variação corresponde a cerca de 0,98 UA. Obrigado por seu interesse e comentários. Abraços e Paz

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  2. #3 by Neto on 11 de Dezembro de 2011 - 20:25

    Caro prof. Henrique

    boa noite.

    Hoje estive pensando no seu artigo sobre a comemoração (festas de final de ano) ser em capricórnio. Não seria tbm algo ligado a tradições familiares, familia, onde se reúnem os familiares, situação propria do eixo cancer-capricórnio?

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    • #4 by Henrique on 11 de Dezembro de 2011 - 21:34

      Caro Neto. Câncer e Capricórnio participam de um mesmo eixo, como você indicou, mas se opõem. Em Capricórnio, o trabalho é o caminho para obter a segurança física e material. Capricórnio é o signo do frio, da miséria, da neve, da melancolia. Em Câncer, o que importa é a segurança emocional, por isso a família. Em comum, a busca da segurança, mas cada extremidade do eixo o faz de uma maneira. Em Capricórnio, a celebração é pelo medo da pobreza; em Câncer, a celebração é pelo retorno da vida.

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